Sócrates e a fuga: guião de uma legislatura (III)

Preliminares
Perante a iminente derrocada, o nosso herói começa por lançar uma campanha onanística a louvar a governação, apenas com dados parciais e a prolongar-se durante semanas. Não sendo os dados conhecidos na totalidade, não há contraditório possível. As notícias triunfantes repetem-se e o espaço de manobra da oposição desapareceu.

Acto
As dúvidas sobre qual terá sido o real défice em 2010, com a possibilidade de haver muito buraco por baixo do tapete do sucesso, tal como aconteceu com a Grécia, perturbam um pouco a grandiloquência socrática mas o plano continua em marcha. Olhando para o contínuo aumento do custo do dinheiro, bem patente ao longo de todo o 2010,  é claro que os aumentos de impostos não chegarão para pagar o crescente custo do dinheiro. Com Abril à porta, o momento para Sócrates era este. Por isso, desde Janeiro que as eleições têm vindo a ser preparadas (notícias nos jornais; os novos ajustes directos; a dualidade crispação-grandiloquência; …).

Happy ending
Lançadas as bases, basta seguir o enredo. Não importa se é ou não verdade, basta que apareça continuamente na comunicação social. A oposição foi irresponsável; vai fazer o mesmo que nós; o PSD quer ir ao pote (numa deliberada deturpação do que foi dito); “eles” querem é aumentar os impostos, acabar com o Estado Social e liberalizar os despedimentos.

Não esquecer o “presentinho”…
Até às eleições, as notícias serão um local mal frequentado.  Lá para Junho, ainda haverá país para toda esta palhaçada?

Trackbacks

  1. […] a chegar (défice de 2010 1.3 pontos superior ao anunciado; dois empréstimos gigantescos para Abril e Junho; falta de dinheiro em diversas empresas públicas). O que se percebe, isso sim, é que com todo […]

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