Dos rebuçados para a gasolina

Ah, ainda me lembro desses tempos de humildade, em que passávamos a fronteira para comprar rebuçados, chocolates e bacalhau. Do outro lado era mais barato. A peseta estava com um câmbio a jeito e o passeio servia de argumento. Outros tempos.

Hoje, não há peseta nem escudo. Já não vamos ao bacalhau. Nem consta que aos rebuçados ou chocolates. Vamos ao combustível.

Não fosse tão longe e frio e valeria a pena fazer formação profissional, tipo novas oportunidades, na Islândia.

Comments

  1. Pedro M says:

    Vou dizer algo aparentemente contraditório:

    Os preços da gasolina em Portugal são muito altos e são muito baratos.

    São muito altos porque efectivamente para o nosso poder de compra estão muito elevados (até se pode incluir aqui a electricidade).

    São muito baratos porque apesar disso há um aumento de consumo de energia todos os anos, e o mesmo para os carros (até ao início deste ano).

    Se fossem mesmo, mesmo caros tínhamos uma grande percentagem de pessoas favorável a novos projectos de melhoria/ampliação de transportes públicos, muita gente a regressar aos centros das cidades e melhores comportamentos de eficiência, como partilha de boleias.

    Em vez disso todos continuam com os mesmos hábitos, no país com a pior intensidade energética da UE e onde 1/3 das importações são combustíveis ou com eles relacionadas, onde os núcleos urbanos se esvaziam e onde o automóvel é um espaço privado de limites invioláveis e de utilidade universal e inquestionável.

    Se fosse muito cara a gasolina isto não era assim. O preço devia subir mais.

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