Islândia: Acordo ou Não Acordo?

A Islândia vai realizar um referendo a 09 de abril para votar um plano de reescalonamento de 4,2 bilhões de dólares, uma posição contestada pelos governos da Grã-Bretanha e Holanda. O presidente da Islândia, Ólafur Ragnar Grímsson desencadeou a votação no mês passado após vetar um plano revisto para pagar a dívida em dinheiro depois do colapso do Landsbanki, um banco islandês privado, e do seu banco online, Icesave, que oferecia aos seus clientes condições de depósito de elevado rendimento.

Em 09 de outubro de 2008, o chanceler britânico do Tesouro, Alistair Darling, utilizou leis anti-terroristas para assumir o controlo dos activos detidos na Grã-Bretanha pelo banco islandês. Alistair entrou em cena para proteger os depósitos feitos por residentes no Reino Unido no Landsbanki com sede em Reikiavik, que o governo da Islândia tinha nacionalizado no dia anterior. O governo do ex-primeiro-ministro Gordon Brown decidiu utilizar as leis anti-terroristas não apenas contra o banco privado, mas também, em certa medida, contra toda a economia da Islândia, com consequências desastrosas para as importações, exportações, operações bancárias, empresas e particulares. Foi o terrorismo económico no seu pior, resultando no total colapso da economia islandesa.

A Islândia é uma pequena ilha-nação do Atlântico Norte, desmilitarizada, e um dos membros fundadores da NATO, juntamente com os Estados Unidos da América, Reino Unido, Holanda e outros. Apenas este acto por si só, a imposição de regras anti-terrorismo a um membro NATO, é um truque sujo que tem de ter consequências. Não há dúvida de que, pelas suas acções, o governo britânico afastou a responsabilidade do governo islandês pelo Landsbanki , pelo seu banco online Icesave e seus regimes de poupança. O governo britânico fechou o banco e tomou a responsabilidade de reembolsar os depositantes na íntegra.

Porque pede agora o governo britânico um pagamento aos contribuintes islandeses pelas suas próprias políticas arrogantes? Da mesma forma, não devem os holandeses, que têm um problema semelhante ao Icesave, decorrente da aplicação da lei anti-terrorismo britânica, pedir o reembolso das suas perdas no “Icesave” inglês?

É ilegal na União Europeia assegurar as obrigações dos bancos privados por parte dos governos. É contra os princípios da União Europeia subsidiar empresas privadas, portanto o governo islandês estaria infringindo a lei ao concordar em pagar, com dinheiro dos contribuintes, essa reivindicação britânica. A massa falida da Landsbanki deve ser responsável por esse pagamento, não o povo islandês. É também uma violação do artigo 40 da Constituição da Islândia o parlamento islandês endividar os seus cidadãos numa forma que pode comprometer o futuro financeiro das gerações vindouras.

Seria uma espécie de “justiça poética” se a nação islandesa dissesse “NÃO” ao “Acordo Icesave” no referendo. Este seria um passo em frente na direcção da cura do contribuinte médio para o longo problema que enfrenta. “NÃO” é uma palavra de três letras mas, neste caso, é uma resposta curta e doce para as questões mais frequentes sobre o que é “risco moral”.

Texto de Gudmundur Franklin Jónsson, cidadão islandês publicado em The Reykjavík Grapevine

Comments

  1. maria monteiro says:

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