o saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade-II

A fase correspondente à unificação das pulsões parciais sob a primazia dos órgãos genitais apresenta-se com uma organização da sexualidade muito próxima à do adulto (fase genital).

Nos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905), Freud compara as fases fálicas e genitais: “Essa fase, que merece já o nome de genital, onde se encontra um objecto sexual e uma certa convergência das tendências sexuais sobre esse objecto, mas que se diferencia num ponto essencial da organização definitiva por ocasião da maturidade sexual: com efeito, ela apenas conhece uma única espécie de órgão genital, o órgão masculino… Segundo Abraham [1924], seu protótipo biológico é a disposição genital indiferenciada do embrião, idêntica para ambos os sexos“.

Assim, Freud postula que meninos e meninas, na fase fálica, estão preocupados com as polaridades: fálico e castrado; acredita que as crianças não têm nenhum conhecimento da vagina nesse período.

A descoberta das diferenças anatómicas entre os sexos (presença ou ausência de pénis) motiva a inveja do pénis nas meninas e a ansiedade de castração nos meninos, pois o complexo de castração centraliza-se na fantasia de que o pénis da menina foi cortado.

A principal zona erótica das meninas localiza-se no clítoris que, do ponto de vista de Freud, é homólogo à glande (zona genital masculina). Para expandir estas ideias veja-se Anexo 4.

Melanie Klein[1], Karen Horney[2] e Ernest Jones[3], consideram que a menina tem um conhecimento intuitivo da cavidade vaginal e os conflitos da fase fálica apenas desempenham uma função defensiva em relação às suas ansiedades relacionadas com a feminilidade.

Durante a fase fálica, o culminar do Complexo de Édipo (que conota a posição da criança numa relação triangular), segue diferentes caminhos para ambos os sexos, no processo de dissolução: ameaça de castração (meninos) e o desejo de um bebé, como um equivalente simbólico do pénis (meninas).

Ao pensarmos nas palavras de Freud, podemos ver que o caso das bolachas era um desafio perante a castração que o pai faz com a infância. O pai tenciona mandar e ser obedecido e subsume ao descendente a sua ideia de falo. A criança, sem saber, defende-se até com fantasia. Lembro o dia das Festas da Primavera, quando o menino de quem falo – eu –, já com quatro anos, participou pela primeira vez, com um fato de cowboy como deve ser: chapéu, calças, revolver que dispara tipo fogo-de-artifício e que diz à sua namorada, bem mais velha do que ele: “como vou participar, parece que este ano vamos cantar em inglês”, atitude fantasiosa porque no Chile da criança, só se fala castelhano tipo andaluz, sendo, então, uma exibição fálica como Freud teria dito, para desafiar o pai e a família toda. É verdade que em casa, numa quinta isolada, falava-se em inglês, imensas vezes, especialmente com os associados do Senhor Engenheiro Pai. Atitude de resiliência desnecessária. Ou talvez importante para as touradas subconscientes do Pai da casa, defesa do menino, pré-consciente que começa a observar e faz dele um pequeno garanhão que o Pai não admite por causa do seu dever fálico, do seu consciente cultural de castrar a família toda e assim mandar. Nem com todos foi capaz de impingir esse terror esperado dos pais como comportamento cultural, ainda menos com a criança que se considerava especial, capaz de inventar jogos, escrever poemas e encarapuçar-se dentro da quinta até ao dia em que reparou que nem todos eram iguais, que ele não era o melhor. A castração final do pai verificou-se quando o rapaz conseguiu sublevar os trabalhadores contra o patrão, quer na indústria, quer nas terras de latifúndio, bem ao sul da quinta ao pé do Pacífico. Começando a praticar a igualdade a Babeuf….

O conceito segunda via, faz parte da gíria[4]. Entre os membros de um sistema administrativo, é um falar de forma burocrática, é uma linguagem que faz parte da burocracia[5] de qualquer Estado, País ou Nação, apesar de ter sido criada pela administração do Estado Francês. Essa segunda via é solicitar cópia de um papel perdido, necessário para requisitar um valor ou um serviço. Uma segunda via é a passagem para mais um texto do qual se tinha solicitado uma cópia padrão primeiro, essa denominada, no jargão da burocracia, uma primeira via[6]. A definição, leva-me a pensar que a segunda via é uma excelente metáfora para definir ao progenitor substituto de uma criança, esse caminho circular que [7]contorna o caminho directo entre uma acção – dar à luz, amamentar, um seio bom, como diz Melanie Klein, uma acção, dizia, e uma necessidade, entre um precisar e um obter. Entre um sentimento e um objectivo procurado. Segunda via, ainda que faça parte da burocracia, faz de bom seio quando a primeira via não está: o pai e a mãe. É a síntese do que devia ter sido feito logo e nunca mais é conseguido. Parece-me que a segunda via é o agir dos adultos não mães, na vida de uma criança: são os substitutos. As crianças têm, queiram ou não, saibam ou não, uma segunda via nos seus sentimentos. Uma criança mora no sítio social dos que estão em baixo, subordinados, submetidos à autoridade dos adultos que a lei positiva define como os seus tutores, autoridades que ensinam, os seus docentes, ou os curadores dos seus bens, no tempo em que o mais novo ainda não está capacitado pela lei para ter autoridade para gerir os seus bens, caso os tenha ou não. Como manda o Código Civil que nos governa e o Direito Canónico, que o substitui, como está definido noutro meu texto. Leis que contextualizam o ensino ritual na catequese, aprendizagem utilizada nos degraus de passagem de uma forma de estar na vida a outra, instrução de ritos de passagem[8], aprendidos também, para outros objectivos mais materiais, nas aulas de Educação Cívica. A criança aprende quem deve respeitar, os adultos, especialmente os seus parentes consanguíneos ou por afinidade. De todos eles, os mais preciosos: o pai e a mãe. Com uma advertência especial na cronologia da vida: no decorrer do tempo, a criança passa a adorar a mãe, enquanto o pai é sempre temido. Esse temor está incutido no imaginário ocidental, ideias que desenham a divindade com cara de homem, enquanto a mãe, é sempre representada com cara de anjo e a olhar para o céu. Seja verdade ou não na realidade. Até há pouco tempo, a lei era ministrada pelo género masculino, enquanto a mulher ou era definida como doméstica ou desempenhava trabalhos menores. Excepto se a hierarquia fosse muito alta e herdada, como rainhas e reis, reminiscências do tempo feudal, que ainda existem sabendo-se manter em democracia, controladas, ela ou ele, por um Parlamento. É apenas no tempo de Golda Meir [9], Primeiro-Ministro de Israel, de Indirah Ghandi, na Índia e Benazir Bhutto, no Paquistão, Margaret Thatcher na Grã-Bretanha, Mary Robinson e Mary Mac Aleese, Presidentas de República de Eire ou Irlanda, entre 1990-1997, a primeira, e de 1997-2004, reeleita por mais um período de sete anos, a segunda, que em vários países surgem mulheres Presidentes ou Primeiros-ministros, como Violeta Chamorro, da Nicarágua e Michelle Bachelet, no Chile de hoje. Até Golda Meier, nenhuma mulher tinha ocupado um cargo hierárquico por eleição livre. Parece disfuncional falar tanto de mulheres no poder, mas o disfuncional tem sido o facto de se considerar a mulher uma entidade incapaz de governar um grupo social, exceptuando a época feudal, época na qual as mulheres eram Rainhas com poder absoluto, até à altura das Revoluções do Século XVII na Grã-Bretanha e do Século XVIII, em França.

O triunfo da burguesia relegou a mulher com posses para dentro de casa, e as que tinham que trabalhar para viver, dedicaram-se ao artesanato, à prostituição, às indústrias, à agricultura ou ainda a servirem em casas de burgueses ou de aristocratas que iam ficando. Ser mulher, até perto deste Século, era um problema. No livro que acabei antes deste, Yo, Maria de Botalcura, faço um comentário sobre este facto e cito um texto que me parece importante[10]. Livro escrito por um sacerdote dominicano que uma doença que não perdoa, uma leucemia, acabou com a sua vida muito novo. No seu livro, Garcia Estebanéz analisa as formas como os textos da Igreja Católica tratam a mulher: sempre em segundo plano, sem lhe atribuir qualquer importância nas actividades da Cúria, só pelo facto de ser fêmea. As acções mais importantes da denominada Igreja Universal, adjectivo de onde advém o nome de católica[11], são as de administrar sacramentos[12], os factos mais importantes dentro de uma comunidade de pessoas que acreditam na divindade de forma igual e têm as mesmas obrigações legais dos mandamentos, ditos escritos pelo Profeta Moisés, denominado Êxodo[13], como consta no livro da Bíblia cristã, romana, anglicana, koptos, maronita, aramaica, ortodoxa grega e russa. Textos todos impingidos na mente cultural, que diz que a mulher está em segundo plano, ideias que subvertem a minha lógica até ao ponto de me sublevar e escrever em prol da mulher e dos seus direitos.[14]

O pai é a lei, a mãe, a afectividade. A mãe transporta a criança dentro do seu corpo, fá-la nascer e amamenta-a, veste, agasalha, acaricia, fica com os mais novos em casa. Pelo menos, por um tempo. A mãe é a primeira via de todo o ser humano. Quanto ao pai, qual será o seu papel, para além dos definidos por Freud[15] com base nas mitologias gregas?

2. O pai, essa segunda via.

A minha metáfora de pais – burocracia, coloca os homens em maus lençóis. É como se não tivessem um papel dentro da família doméstica, excepto o de ganhar dinheiro para alimentar a mulher, a prole e a si próprio. De seio bom ou mau, o pai nada parece ter. No entanto, diria que o assunto não é emotivo, nem de distinção entre género masculino e feminino, para os quais têm sido definidos papéis sociais diferentes, nas várias culturas das sociedades do mundo. Por estarmos a falar da nossa cultura, orientada pela religião, definida por mim em anteriores textos, as opiniões da cultura doutoral da nossa academia, passam, para entendermos a temática que aqui abordamos, a ser tratadas em primeiro lugar.

Não foi em vão que Freud em 1905[16] definiu os sentimentos dos pequenos a partir da sua visão dos adultos. Freud era um Pater Famílias [17], de acordo com a sua teoria. Comportamento e ideais que mudou mais tarde como resultado das pesquisas que desenvolveu entre crianças e seus pais, especialmente os masculinos. Na nota de rodapé que o autor acrescentou aos seus ensaios em 1915, afirma “É essencial entender que as noções de masculino e feminino parecem ser não problemáticas na conversa do dia-a-dia. No entanto, têm três sentidos diferentes. O primeiro, define o ser como activo ou passivo na interacção social; o segundo sentido, é biológico; o terceiro, fisiológico… Dos três sentidos, o primeiro é o mais importante para o entendimento da psique do ser humano…” (tradução e síntese da minha responsabilidade). Esta nota de Freud é importante para a hipótese que tenho defendido ao longo de vários anos: a criança imita o seu adulto modelo, que normalmente são as figuras da mãe e do pai[18], sem se interessar na fisiologia dessas pessoas, se com óvulo ou com esperma, se com vagina ou com pénis. O que interessa é o comportamento e a emotividade que este – dentro ou fora do lar – desperta no ser humano mais novo. Acrescenta Freud nos ensaios citados, que masculino pode ser quem é activo em objectivos passivos e feminino em objectivos activos ou passivos.

Mais interessantes são os seus comentários sobre a emotividade que descreve ao longo do texto. No seu Século e na sua experiência como médico da burguesia de Viena, tudo o que fosse sentir vergonha, piedade, comiseração, restrição sexual, recato sexual, era feminino. En revanche, toda a iniciativa para gerir, mandar, criar iniciativas sociais, seduzir, dar sermões sobre o comportamento público e, especialmente, como concorrer para sítios de alta hierarquia, investir e lucrar, pareciam-lhe ser hábitos masculinos, não apenas socialmente aceites, mas esperados pelo grupo social. Este discurso de Freud foi-se modificando, ao longo do tempo, no decorrer da mudança de costumes. As alterações mais notáveis são-nos transmitidas pelos seus textos de 1914, 1915 e 1925[19]. Se não fosse esta actualização da sua teoria, estaria hoje desajustada para os costumes actuais. Contudo, depois de ler textos originais e actualizações, não me parece desadequada: a teoria freudiana do inconsciente, transferência, luto e melancolia, complexo de Édipo e outras noções, trabalhou-as uma e outra vez até ao dia da sua morte em 1939, após conclusão do seu livro citado sobre a civilização e os seus descontentamentos, texto que deixa transparecer alguma amargura pelas mudanças de hábitos culturais que o empurravam sempre a alterar o entendimento do inconsciente, tal como sua filha  Anna[20], e  Melanie Klein, dissidente da teoria ortodoxa de Freud (ver Anexo 1).

Tenho observado no meu trabalho de campo e nas entrevistas com crianças, que a feminilidade exprime-se no cuidado dos mais novos, na gestão da casa e, especialmente, em invocar a autoridade do pai como legitima para corrigir o comportamento dos mais novos. A mãe da casa parece ser a pessoa que governa esse dia a dia, como afigura-se corresponder ao pai a sanção final do feito. Ainda, pela minha experiência, diria que a segunda via não é apenas o pai, é também a mãe que trabalha, tem voz e orientação no grupo doméstico, a par e passo do homem do grupo. Ora, no tempo da aprendizagem de Freud, não havia transferência de factos masculinos e femininos entre os dois géneros, como hoje acontece, em consequência da luta feminista e do neo-liberalismo. Por outras palavras, a autonomia da mulher, por causa do seu querer de emancipação e a sua saída de casa para sítios de trabalho, com ou sem hierarquia, parecem ter organizado uma concorrência entre o género masculino e o feminino. Digo parecer ter, porque de facto, tem-me sido referido por pais de grupos domésticos com muitos membros dentro do mesmo, esta ideia: “muito obrigado pelos seus cuidados, senhor Doutor. Antes, era apenas eu quem organizava o trabalho da família toda. Íamos vivendo e mal. Desde que o Senhor Doutor entrou nas nossas vidas, somos muitos mais para trabalhar: a minha mulher, os filhos mais velhos e até os meus pais, que trabalham na horta, um trabalho mais leve para eles, por terem muitos anos”. Porém, a criança tem várias referências para aprender: comportamentos masculinos da mãe e comportamentos femininos do pai. Palavras que, enquanto escrevo, parecem-me antigas, e, no entanto, acabam por ser muito actuais. Pela pesquisa feita ao longo dos anos, tenho apreciado que, em vidas opostas, como na burguesia com muitos bens a gerir e no proletariado, com muitas pessoas a organizar para a produção e a subsistência, continua a existir um chefe de família, legislado no Código Civil Português até 1967[21], revogado em 2008. Apenas no proletariado continua a existir comportamentos de pater familias[22] na parte sentimental da vida, pela necessidade de todos trabalharem fora de casa, sem distinção de género, por causa da subsistência ou sobrevivência material. Há um trabalho de uma excelente socióloga sobre o operariado no Barreiro que põe em causa a afirmação anterior, isto é, a uma determinada altura a mulher abandona a fábrica, não por imitar comportamentos da mulher burguesa, mas porque era economicamente mais vantajoso ficar em casa a tomar conta dos filhos. O que ganhava na fábrica era inferior ao gasto com a educação dos filhos cuidados por outros de fora da casa[23]. Os sentimentos dos grupos domésticos ficam em risco pela distância do dia – a – dia, provocada pela lonjura dos locais de trabalho e pela pouca convivência diária, exceptuando-se os dias de folga. Seja a mãe, ou seja o pai, a pessoa que alimenta o lar e configura a disciplina, o facto é que a criança aprende de um ou de outro os sentimentos que no futuro vai precisar no seu agir social. Ou no seu comportamento amoroso com outros seres humanos. Se é a mãe quem seduz e o pai fica atrapalhado consigo próprio, será este o modelo para o rapaz e para a rapariga na sua vida adulta. É como analisa Melanie Klein[24] quando fala da terapia do pequeno Fritz, o seu cliente, vizinho e sobrinho de Freud: “Onde estava eu antes de nascer? ( …) e a mãe diz que os cachorros crescem no ventre das suas mães…” (A síntese e tradução são minhas das páginas citadas). Ao longo da obra de Klein[25] e de Alice Miller[26], é possível apreciar que, aliás, a infância retira saber emotivo da pessoa que identifica como a mãe ou a figura da mãe. Raramente há questões endereçadas ao pai na cronologia da infância. Estas minhas observações estão deduzidas da noção de cultura social[27], que reserva à mãe o papel de explicar o real emotivo aos mais pequenos. O pai é útil para conferir as dúvidas sobre o que a mãe tenha dito ou exprimido ou, ainda, manifestado perante a criança. É costume na nossa cultura ocidental, oferecer carinho material em beijos e carícias, cantar canções de embalar, mudar fraldas, amamentar ao peito. Tudo o que o pai apenas pode observar, ou porque não lhe foi ensinado, ou porque não está dentro das formas de agir masculinas do seu grupo social. Esta análise é dos tempos de Freud.

Actualmente, começam a verificar-se mudanças relativamente a estas formas de agir. Há jovens pais que embalam, contam histórias, mudam as fraldas e oferecem carinho material em beijos e carícias. Facto que advém do pai ser essa segunda via que colabora ao entender a interacção social, caso esteja presente no lar. Facto comum nos dias do Século XXI. É o que Alice Miller nos faz pensar através do seu livro referido: a criança procura nos adultos respostas do que não sabe, mas, concomitantemente, explora nela própria o saber do bem e do mal para a sua auto estima e conhecimento. Não é em vão que existe uma via oculta no pensamento dos mais novos, como analisa a partir da página 15 do texto citado[28]. Diz Miller.[29] “…na minha obra, especialmente no meu texto Thou shalt not be aware. Society’s Betrayal of the Child…»[30], que em português seria: Não sereis conscientes da verdade. A traição da criança pela sociedade, de 1998[31] (… tenho observado que as experiências traumáticas que acontecem às crianças em idade temprana, e que são reprimidas, normalmente são exprimidas em trabalhos criativos, como pintura, poemas. No entanto, a sociedade, na sua quase totalidade, não está consciente do fenómeno, como os próprios artistas. Também eu não tinha reparado nesta conexão, se não me tivesse confrontado no decorrer do meu próprio desenvolvimento como intelectual, com o como e o porquê dessas crianças que sofrem, podem-se reprimir e, mais tarde exprimir o seu sofrimento em arte….Problemas da minha própria infância orientaram-me para assuntos destas crianças em geral, bem como a novas descoberta dentro deste campo…Cinco anos mais tarde, comecei a pintar e a escrever, livros que não teriam sido possíveis se a pintura não me tivesse libertado dos traumas da minha própria infância, uma liberação interna que o desenhar me dera”[32].

Era-me quase impossível deixar de reproduzir este comentário para entender que criatividade, desenho e escrita, são também resultado de uma frustração emotiva da infância do artista, essa criança a sofrer com as pessoas maiores da sua casa, ou por ser punido sem causa, negligenciado ao pedir carinho, ou, ainda, por ser mimado demais. Mimos que corrompem essa criança ao pensar ou sentir que a vida é fácil, e caso não seja, ai estão os seus adultos para tomar conta do problema e o resolver. Não são palavras de Alice Miller, são ideias derivadas da minha própria experiência com crianças. Tenho observado que crianças mimadas[33], quando adultas, não sabem como e o que fazer das suas vidas, o seu desempenho é sempre díspar. Todas as crianças, quando adultas, se desenharem, não o fazem apenas por divertimento. Esse desenho passara a ser uma ajuda para a cura dessa enfadonha ideia da vida ser fácil. Donde, nestas circunstâncias, desenhar, corresponde a um descongelar de dentro de nós dos sofrimentos causados pela vida ou pelos objectivos procurados, em criança, e não atingidos. Expressão louvada e querida, sem nos darmos conta que se trata de uma resposta para as felonias cometidas com as crianças por qualquer via das denominadas neste texto. Assim, ser-me-ia também impossível deixar de aprofundar a procura de Freud em relação à arte que Miller usa como terapia para os seus pacientes[34]. No livro original (em alemão), publicado em 1979 e em 1983, em inglês, intitulado Thou Shalt Not Be Aware, a autora recorre às noções (de 1905) usadas por Freud sobre sexualidade infantil para chamar à atenção do mundo sobre essa realidade brutal que, se fosse alterada, mudaria de vez, com as formas tradicionais de entender o crescimento dos mais novos. Realidade brutal de impedir a masturbação, de práticas abusivas dos adultos, de falarem com voz forte para os mais novos. Realidade brutal, como está definida no texto citado de 1905[35], que, como anteriormente vimos, se fosse alterada, mudaria as formas tradicionais de ignorar a sexualidade da criança. A obra de Alice Miller abre o jogo da teoria, expondo frontalmente essa forma dolorosa e brutal da verdade, que está por detrás das sempre referidas “fantasias infantis”, esse conceito conveniente e adequado, como gosto de denominar ao que espanta e não tem nome nem perdão ao referir. Miller estuda e analisa casos de infância apresentados nas suas consultas, estuda as histórias que lhe são contadas, estuda a infância de autores através dos seus textos literários, analisa os sonhos dos seus pacientes infantis e dos que retira de diários de vida de autores afamados paralelamente com as suas histórias de vida: Franz Kafka[36], Virginia Woolf[37], Gustave Flaubert[38], e Samuel Beckett[39]. Actualmente, com o novo prefácio de Lloyd de Mause[40] e uma nova introdução da autora, o texto Thou Shalt Not Be Aware[41], continua a ser essencial para o entendimento e o confronto necessários à recuperação de menores abusados e entender a mente dos abusadores de menores. Hoje em dia, delito punido com duras penas pelos efeitos devastadores que causam na infância, especialmente na vi


[1] Melanie Klein é analisada mais em frente e no anexo 1

[2]  A médica psicanalista Karen Horney (1885-1952) enfatizou a preeminência de influências sociais e culturais sobre o desenvolvimento psicossexual, focalizou sua atenção sobre as psicologias divergentes de homens e mulheres e explorou as vicissitudes dos relacionamentos maritais.
       A sua visão de que a repressão e a sublimação de impulsos biológicos não são os determinantes primários do desenvolvimento da personalidade levaram à sua remoção como instrutora no New York Psychoanalytic Institute e a que ela fundasse, em 1941, o American Psychoanalytic Institute. Desenvolveu a teoria da personalidade, que começa por referir: Horney sustentou que o desenvolvimento da personalidade resulta da interacção de forças biológicas e psicossociais que são singulares para cada pessoa. Mais texto, em: http://www.psiquiatriageral.com.br/psicoterapia/karen.html

[3] Alfred Ernest Jones (1 de janeiro de 187911 de fevereiro de 1958) foi um neurologista e psicanalista galês, além de biógrafo oficial de Sigmund Freud. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ernest_Jones. A hipótese do complexo de Édipo, aprofundada por ele, foi rebatida por Bronislaw Malinowski ao comentar o ensaio de Alfred Ernest Jones: “Mother Right and the Sexual Ignorance of Savage, em «International Journal of Psycho­ Analysis », vol. VI, 2e partie, 1925, pp. 109-130, no seu livro de 1927:Sex and repression in savage society,  Routledge and Kegan Paul, Londres. Há versão luso brasileira na editora Vozes, Petrópolis, Brasil1973: Sexo e repressão na sociedade Selvagem. O livro original foi traduzido para o francês e pode ser lido em: http://classiques.uqac.ca/classiques/malinowsli/sexualite_repression/sexualite_repression.doc#partie_3_1 O debate está escrito na Parte III do texto em luso-brasileiro: “Psicanálise e Antropologia”, Capítulo I: “A brecha entre a Psicanálise e a Ciência Social” páginas 129 a 123. O texto em francês, reproduz o debate, a partir da página 83 e seguintes. O debate pode ser consultado em: http://classiques.uqac.ca/classiques/malinowsli/sexualite_repression/sexualite_repression.doc#partie_3_1

[4] O Dicionário de língua portuguesa em linha que me apoia diz: s. m., linguagem usada em situações informais e que se desvia da norma; linguagem peculiar de certas artes, ofícios, actividades; gíria, em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx.

[5] Do Francês, bureaucraties. F., modo de administração em que os assuntos são resolvidos por um conjunto de funcionários sujeitos a uma hierarquia e regulamento rígidos, desempenhando tarefas administrativas e organizativas caracterizadas por extrema racionalização e impessoalidade, e também pela tendência rotineira e pela centralização do poder decisivo; classe dos funcionários públicos, especialmente os funcionários do Estado.

[6] O dicionário que me ajuda a definir, diz: fig., meio, modo de obter ou conseguir qualquer coisa; desígnio; método; sistema, em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

[7] O seio “bom” que amamenta e inicia a relação amorosa com a mãe é o
representante do instinto de vida, sendo também sentido como a primeira manifestação da criatividade. “O seio bom – externo e interno – converte-se no protótipo de todos objectos prestimosos e gratificadores; o seio mau é protótipo de todos os objectos persecutórios internos e externos” (M. Klein)
Caracteriza-se esta posição, pela clivagem (splitting) do objecto (seio) em “bom” e “mau”. O objecto é parcial e dividido (esquizo = divisão). O seio que gratifica é o mesmo seio que frustra; o seio é um objecto clivado em “bom” e mau”. O objecto bom e o mau, adquirem uma autonomia, um em relação
ao outro, separam-se, dividem-se, clivam-se. O objecto bom é “idealizado”,
pode conferir “uma consolação ilimitada, imediata, sem fim” (M. Klein). A sua introspecção defende a criança da angústia persecutória. O objecto mau é um perseguidor aterrorizante; a sua introspecção causa angústias extremas.
A angústia é de natureza persecutória (paranóias) por medo de destruição pelo objecto “mau”. Neste estado, o ego é muito pouco integrado, está clivado. Os objectos (seio) bom e mau darão origem ao super-ego, e às primeiras noções de bem e mal. “Estes primeiros objectos introjectados constituem o núcleo do super-ego” (M. Klein). O texto completo está em: http://groups.msn.com/009u0m3c6278gi/geral.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=3659&all_topics=1. As definições de Klein anteriormente citadas aparecem no seu texto de 1957: Inveja e Gratidão. Estudos das fontes do inconsciente, excertos dessa obra podem ser lidos em: http://cyberdemocracia.blogspot.com/2008/08/melanie-klein-inveja-e-gratido.html, que começa por dizer: “O ciúme teme perder o que possui; a inveja sofre ao ver o outro possuir o que quer para si. O invejoso não suporta a visão da fruição. Sente-se à vontade apenas com o infortúnio dos outros. Assim, todos os esforços para satisfazer um invejoso são infrutíferos. O ciúme é uma paixão nobre ou ignóbil, em função do objecto. No primeiro caso, é emulação aguçada pelo medo. No segundo caso, é voracidade estimulada pelo medo. A inveja é sempre uma paixão vil, arrastando consigo as piores paixões”. Em suporte de papel, está editado pela Imago, Rio de Janeiro, Brasil, Volume 3, pp. 205-267. Comentários em linha no sítio Cybercultura (supra citado), blogue criado por J. Francisco Saraiva de Sousa, Universidade do Porto. Antes de ser artigo da Imago, foi livro: Envy and Gratitude. A Study of Unconscious Sources, Melanie Klein, New York: Basic Books, Inc., 1957, 101 pp. 

O facto dos trabalhos de Melanie Klein serem pouco conhecidos entre nós, levou-me a acrescentei um anexo (1) a este texto, na tentativa de expandir a sua teoria.

[8] Ritos de passagem são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no seio da sua comunidade. Os ritos de passagem podem ter carácter religioso, por exemplo. Cada religião tem os seus ritos, que podem, ou não, ser parecidos com os de outras religiões. O termo foi popularizado pelo antropólogo alemão Arnold van Gennep nacionalizado francês, história de vida em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arnold_Van_Gennep, no início do século vinte. Outras teorias foram desenvolvidas por Mary Douglas e Victor Turner na década de 60, da última centúria. Os ritos de passagem são realizados de diversas formas, dependendo da situação celebrada; desde rituais místicos ou religiosos até à assinatura de papéis (ou ainda os dois conjuntamente), sobre esta matéria, veja-se: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ritos_de_passagem, ou o texto em suporte de papel que tenho comigo: van Gennep, Arnold, (1909, Editora de Émile Nourry), reeditado em 1960 por Mouton & Co e Maison des Sciences de l´Homme: Les rites de passage, Étude Systématique de Rites, com nova reedição, em 1981, por Éditions A. et Jean Picard, Paris, cópia que uso. O texto não está em linha, mas encontra-se comentado em várias entradas da Página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Arnold+van+Gennep+Les+rites+de+passage&meta=. Van Gennep é denominado o Pai da Etnografia Francesa e o seu saber é não apenas respeitado, como tem orientado os trabalhos dos Antropólogos Franceses desde os dias das suas aulas d’Histoire Comparée des Civilizations et d’Ethnographie na Universidade de Neuchâtel, Paris.

[9] Não é fácil citar um comentário de um político Israelita quando nos referimos a Golda Meier: Golda Meir, eleita Primeiro-ministro de Israel (Prime Minister of Israel) em 17 de Março de 1969, após ter exercido os cargos de Ministro do Trabalho e de Ministro de Assuntos Estrangeiros. Descrita como a Dama de Ferro “Iron Lady” da política de Israel (Israeli politics) muitos anos antes desse epíteto ser associado com a Primeira Ministro da Grã-Bretanha, Margaret Thatcher.[2] David Ben-Gurion costumava denomina-la “o melhor homem no governo.”[3] Meir foi a primeira mulher a exercer o cargo de Primeiro-ministro de Israel e a terceira no cargo de Primeiro-ministro, em termos mundiais. Saliente-se, ainda, que foi a primeira mulher votada para o cargo, sem nenhuma intervenção familiar precedente[4] Mulheres Primeiros-ministros antes de Golda Meir foram Sirimavo Bandaranaike do antigo Ceilão (hoje Sri Lanka), filha de um primeiro-ministro e mãe do terceiro Presidente da República de Sri Lanka e Indira Gandhi da India. Meir foi sempre caracterizada como “de forte força de vontade, falar direito, a Avó de cabelos brancos do povo judeu”[3].Governou Israel entre 1969 e 1974. Não foi reeleita devido a um tumor cancerígeno, que a levou ao seu Jardim do Éden em 1978. Foi sepultada no Cemitério dos Grandes, no Monte Herlz, onde estão os corpos dos que têm prestado serviços insignes ao seu país. Local onde cerca de 100 pessoas foram sepultadas, por terem sabido servir a Pátria e a sua família, a começar pelo organizador do Movimento Sionista, Theodor Herzl, morto na Áustria em 1904 por ter fundado o movimento Sionista que, mais tarde, permitiu a criação do Estado de Israel. Retirado do meu saber pessoal e das seguintes fontes na net: http://en.wikipedia.org/wiki/Golda_Meirhttp://www.jewishsf.com/content/2-0-/module/displaystory/story_id/11255/edition_id/216/format/html/displaystory.html.

[10] García Estébanez, Emilio, 1992: ¿Es cristiano ser mujer? La condición servil de la mujer según la Biblia y la Iglesia, Siglo XXI Editores, Madrid. Diz: La mujer es un misterio insondable. Un misterio de grandeza por su capacidad de don, entrega, anhelo de perfección, aprecio y conservación de la vida.
Tu dignidad. 

Digno es lo que tiene valor en sí mismo y por sí mismo. La persona por el simple hecho de ser persona es un ente amable, es decir, a una persona se le respeta, se le aprecia, se le ama, en cuanto es persona; solo por ser persona. Así, tu mujer, por ser persona posees una dignidad única que ha de ser respetada siempre.

¿Cómo eres mujer? 

La mujer tiene la misma dignidad del hombre, más tiene características específicas que hacen de la mujer, mujer. Citemos algunos de estas:

En lo general afirma que la mujer es bondadosa, perseverante, con deseos de ser sostenida y acompañada, con deseos de seguridad y de evitar riesgos, su máximo es amar y sentirse amada…Texto completo em:  http://www.alientodiario.com/2008/03/08/misterio-de-ser-mujer/.

[11] O dicionário que me assiste na escrita define católica ou católico, da seguinte maneira: do Lat.  catholicu < Gr. katholikós, universal s. m.,  aquele que segue a religião de que o papa é chefe; adj., que professa o catolicismo; universal. Esta definição de universal é a que mais me interessa, por pressupor que as actividades de todos sejam distribuídas por igual. Pode-se ler em http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

[12] Do Lat.  Sacramentu s. m.,  juramento; acto religioso, instituído por Deus, para purificação e santificação da alma; rito sensível e simbólico da religião cristã, destinado a consagrar diversas fases da vida dos fiéis; eucaristia: a hóstia consagrada em exposição na custódia; (no pl. ) os últimos sacramentos (confissão, comunhão e extrema-unção). Nenhum destes actos é permitido ser realizado por uma mulher. A Igreja Universal tem uma raiz masculina do princípio ao fim.

[13] É definido assim: êxodo do Lat.  exodu < Gr. éxodos < éxo, para fora + odós, caminho
s. m., saída para fora do país de um grande número de pessoas ou de um povo; emigração;

o segundo livro do Pentateuco, onde se narra a saída dos Hebreus do Egipto (grafado com inicial maiúscula); o fecho das tragédias gregas; farsa do teatro romano, que se representava depois da tragédia. De todas as alternativas, a que mais interessa é ser um livro da Bíblia. Pentateuco do Gr. Pentateuchós s. m., os cinco primeiros livros da Bíblia, informação em http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

[14] Por causa destas ideias escrevi um texto denominado: “Mulher a crescer, Machismo a tremer. A Filiação da criança”, no Jornal A Página da Educação, Nº 94, Ano 9, página 25, Setembro de 2000. Após narrar a história de uma mulher subordinada, o texto comenta em parte: “Trinta anos depois, esta história aparece diferente no meu sentir. Faz-me pensar que o homem procurava amparo na mulher e vice-versa. Homem que não queria ter mais uma outra voz em casa a dizer o que fazer. Homem criado para governar o lar com palavras, sem entender as horas vazias da mulher mãe, da mulher empregada de cozinha, da mulher varredora do chão, lavadora de roupa, aquecer a cama à espera do homem que quer amar. Homem criado para mandar e aparentemente sábio na sua autoridade. Eis a filiação da infância cujo estudo me interessa e absorve. Enquanto penso, sinto a solidão do homem, pai, companheiro, culturalmente autoritário. Machismo, dirá o leitor? Machismo, dirá a leitora? Machismo, digo eu, da mulher e do homem. Mulher a crescer, a entender o mundo além do lar. Homem habituado a ser apenas ele a perceber o mundo fora do lar. Batalha travada faz séculos e ganha hoje em dia pela luta feminina. Feminismo, onde não se dá luta nenhuma pela masculinidade. Ideia esta, a da masculinidade, certa e segura durante séculos e em várias culturas. Até que um dia a economia faz tremer, faz tremer a sociedade e o homem perde a arrogância pelo desamparo no qual fica. Desamparo que o homem sofre por parte da mulher, que entra na economia. Esse domínio definido sempre como masculino. O texto pode ser lido no sítio que, de novo, reitero: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1198.

[15] Mais uma vez remeto para a leitura do Anexo 4.

[16] Freud, Sigmund, 1905 (língua germânica), 1953 (língua inglesa): Three essays on the theory of sexuality, Penguin, New Zealand. Sítio para debate e excertos do texto em http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Sigmund+Freud+Three+essays+on+the+theory+of+sexuality&btnG=Pesquisar&meta=Sobre Freud e sexualidade infantil, ver a imensa nota de rodapé onde estão citados todos os textos que Freud escreveu sobre a temática. No entanto, as suas teorias, especialmente a da sexualidade infantil – relata, pela primeira vez, o processo de desenvolvimento do instinto sexual do ser humano desde a infância até à vida adulta –, foram duramente criticadas pelos intelectuais do Século XX de Viena de Áustria (a tradução é minha).

[17] Sobre Pater Famílias, ver Anexo 2.

[18] É preciso dizer pais em casa, hoje em dia, pela mudança nas formas matrimoniais entre a época de Freud e a nossa. Há divórcio, há separação, há matrimónios de curta duração, há amancebamento de meio-dia que resulta em descendentes. É preciso definir além das teorias freudianas, os contextos históricos das figuras a imitar ou não. Ou violação, estupro, incesto e rapto, no qual Freud, na sua ortodoxia ateia judaica, nem percebeu que havia um mundo além da burguesia com posse e sentimentos de fé.

[19] Freud, Sigmund, (1914, língua germânica) 1925: On narcissism: An Introduction, The Hogarth Press, Londres, Volume IV, sítio para debate e partes do texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Sigmund+Freud+On+Narcissism%3A+An+Introduction&btnG=Pesquisar&meta= ou http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/classiques/freud_sigmund/freud.html; (1915): Instincts and their vicissitudes, The Hogarth Press, Londres. Sítio para contextualização do texto, em: http://www.grtbooks.com/freud.asp?idx=0&yr=1856#instinct. Sítio para debate e textos http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Sigmund+Freud++Instincts+and+their+vicissitudes&btnG=Pesquisar&meta=.

[20] Anna Freud (Viena, Áustria, 3 de dezembro de 1895Londres, 9 de outubro de 1982) foi a sexta filha de Sigmund Freud e Martha Freud. Também psicanalista, focou o seu estudo principalmente no tratamento de crianças. Teve várias divergências com Melanie Klein, psicanalista dissidente das teorias freudianas ortodoxas e fundadora da escola inglesa de psicanálise, a quem recorro na pretensão de entender a mente das crianças. Foi a primeira a dar ênfase ao ego na personalidade, não rejeitando as forças do id e as restrições do superego. Anna Freud concebeu o ego humano com certa funcionalidade pró – activa e independente. Também foi responsável pelo estudo dos mecanismos de defesa, tema que estudou aprofundadamente. Para consulta, veja-se: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ana+Freud&meta=.

[21] Artigo 1877º : Os filhos estão sujeitos ao poder paternal até à maior idade ou emancipação, O Código Civil português vigente foi aprovado a 25 de Novembro de 1966 e entrou em vigor a 1 de Junho de 1967, revogando o anterior Código Civil elaborado pelo Visconde de Seabra e que entrara em vigor um século antes, em 1867. Definia Poder Paternal como direito do pai e Chefe de Família. Encontra-se regulado no livro quarto do Código Civil, ver em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_da_Fam%C3%ADlia. No Código Civil de 1967, continuou, porém, a prevalecer a autoridade masculina, pois o marido permanecia «chefe da família» com poderes absolutos e individuais. A história diz: 1967 – É elaborado um novo Código Civil. Continua a estabelecer que o marido é o chefe da família e que ele tem o poder de tomar as decisões relativas à vida marital e às crianças. Para aprofundar a temática, consulte-se “Evolução dos Direitos das Mulheres em Portugal”, texto completo: http://www.geocities.com/atoleiros/direitomulheres.htm.

No entanto, é-me impossível não reproduzir de imediato, parte deste texto que diz: «1974 – Revolução do 25 de Abril. O regime autocrático é derrubado e substituído por um regime democrático. As mulheres podem aceder pela primeira vez à magistratura, ao serviço diplomático e a certas posições na administração local, que lhes estavam interditas. São abolidas as restrições ao direito ao voto». http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_Civil_Portugu%C3%AAs, ou, em suporte de papel, Editora Almedina, 942 páginas.

Primeira mulher ministra: Maria da Lourdes Pintassilgo, Ministra dos Assuntos Sociais. Maria de Lourdes Ruivo da Silva Matos Pintasilgo[1] (Abrantes, 18 de Janeiro de 1930Lisboa, 10 de Julho de 2004), engenheira e dirigente política portuguesa, foi a única mulher que desempenhou o cargo de primeiro-ministro em Portugal, tendo chefiado o V Governo Constitucional (1979). Foi também a segunda mulher primeiro-ministro em toda a Europa, a seguir a Margaret Thatcher. A sua historia pode-se consultar em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_de_Lourdes_Pintasilgo.

1975 – Primeiras eleições livres. O artigo 24 da Concordata é emendado: os casamentos católicos podem pedir o divórcio civil. A Comissão da Condição Feminina substitui a Comissão criada em 1973;

1976 – É aprovada a licença de maternidade de 90 dias. Os serviços públicos de saúde colocam à disposição consultas de planeamento familiar. É adoptada uma nova Constituição, que consagra a igualdade de mulheres e homens em todos os domínios;

1977 – A Comissão da Condição Feminina fica ligada ao Gabinete do Primeiro-ministro e é dotada de um Conselho Consultivo, onde as ONG’s dos Direitos das Mulheres podem ter assento;

1978 – O Código Civil é revisto segundo a nova lei da família, os cônjuges gozam de direitos iguais. A dependência da esposa em relação ao marido é suprimida;

1979 – Um decreto-lei estabelece a igualdade mulheres/homens no emprego e no trabalho. É criada uma “Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego”, ligada ao Ministério do Trabalho, para supervisionar a aplicação do mencionado decreto-lei;

Primeira mulher nomeada Primeira-ministra: Maria de Lourdes Pintassilgo;

1980 – Primeira mulher nomeada Governadora Civil: Mariana Calhau Perdigão (Évora). Portugal ratifica a “Convenção das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres”;

Apesar de tudo, o poder paternal e ser Chefe da Família, apenas foi modificado no Código Civil de 2008, que passou a estar definido da seguinte forma: Artigo 1901 Nº1: Na constância do património o exercício do poder paternal pertence a ambos os pais. Nº 2: Os pais exercem o poder paternal de comum acordo e, se faltar as questões de particular importância, qualquer deles pode recorrer ao tribunal, que tentará a conciliação; se esta não for possível, o tribunal ouvirá antes de decidir, o filho maior de catorze anos, salvo quando as circunstâncias poderosas o desconhecem.

Artigo 1902: (Actos praticados por um dos pais) -1. Se um dos pais praticar acto que integre o exercício do poder paternal, presume-se que age de acordo com o outro, salvo quando a lei expressamente exija o consentimento de ambos os progenitores ou se trate de acto de particular importância; a falta de acordo não é oponível a terceiro de boa fé. 2. – O terceiro deve recusar-se a intervir no acto praticado por um dos cônjuges quando, nos termos do número anterior, não se presuma o acordo do outro cônjuge ou quando conheça a oposição deste. O Código Civil de 2008 (408 páginas) pode ser consultado em: http://www.verbojuridico.net/download/codigocivil2008.pdf, ou, em suporte de papel, editado por Verbo Jurídico, Coimbra.

[22] Pater famílias (plural: patres familias) era o mais elevado estatuto familiar (status familiae) na Roma Antiga, sempre uma posição masculina. O termo é Latim e significa, literalmente, “pai da família”. A forma é irregular e arcaica, preservando a antiga terminação latina do genitivo em -as (ver Anexo 2).

[23] O estudo foi feito pela Investigadora Auxiliar do ICS, Doutora Ana Nunes de Almeida, em 1987: A fábrica e a família: famílias operárias no Barreiro, Câmara Municipal do Barreiro. Dados sobre a autora, nas entradas Internet da página web: http://www.google.com.br/search?hl=pt-=X&oi=spell&resnum=1&ct=result&cd=1&q=Ana+Nunes+de+Almeida&spell=1. O texto referido pode ser lido em: https://repositorio.iscte.pt/bitstream/10071/985/1/2.pdf, Revista Sociologia, Problemas e Práticas, Nº11, 1992, páginas 27 a 41. O texto encontrado é: “Meio Social, Famílias e Classes Operárias”.

[24] Klein, Mélanie, 1932: Die psychoanalyse dês kindes, traduzido para francês como La psychanalyse des enfants, PUF, 1959, paginas 209 a 273. Sítio para debate e partes de texto, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=M%C3%A9lanie+Klein+La+psychanalyse+des+enfants&btnG=Pesquisar&meta=.

[25]A obra de Klein está referida no Anexo 1, no fim do livro.

[26] Miller, Alice estudou crianças até ser expulsa do Colégio de Psicanalistas. A sua obra é extensa, quer em livros, quer em texto. O seu site é: http://www.naturalchild.com/alice_miller/ ou The Natural Child Project, ao qual me orgulho de pertencer. A sua obra está analisada no Anexo 3 do presente trabalho.

For inquiries, write to naturalchild@naturalchild.orgnization  ou ver naturalchild&ltAT&gtnaturalchild.org  (replace & tat> with the (a) symbol – Shift+2 on your keyboard.

[27] O conceito cultura é muito usado em Antropologia e refere usos e costumes de comportamento dentro do grupo social. A primeira definição de cultura apareceu no livro de Sir Edward Barnett Tylor, de 1881, Anthropology, editado por Macmillan & Co, Londres. Na página 403, & 1, Capítulo XVI, do texto em formato de papel que tenho comigo, diz: “A opinião pública é uma pressão que constringe a todo ser humano a agir segundo o costume, que fornece as regras de comportamento do que deve ser feito ou não na maior parte dos comportamentos da vida”. O conceito é analisado a partir do parágrafo citado e percorre o caminho de 8 páginas, até à 416. Pode-se apreciar que não fala de cultura, mas sim do seu conteúdo. A palavra cultura nos anos de Tylor era usada também para outros objectivos: Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um termo com várias acepções, em diferentes níveis de profundidade e diferente especificidade. São práticas e acções sociais que seguem um padrão determinado no espaço. Se refere a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identifica uma sociedade. Explica e dá sentido à cosmologia social, é a identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período”. Definição que aparece bem mais tarde, após outras fornecidas por Antropólogos e Sociólogos, pelo qual se abandona, dentro destas ciências, o conteúdo da noção de cultivar a terra passando a ser um conceito da Ciência Social. Mais informação em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura. Quanto ao autor: Edward Burnett Tylor (Londres, 2 de outubro de 1832Wellington, 2 de janeiro de 1917) foi um antropólogo britânico, irmão do geólogo Alfred Tylor. Considerado o pai do conceito moderno de cultura, Tylor filia-se à escola evolucionista. Na sua principal obra Primitive Culture (1871), que não tenho comigo, sabemos que fornece uma definição de cultura de quase meia página. O comentário do livro especifica o contributo de Tylor e o conteúdo do conceito: Antropologia – esta ciência entende a cultura como a totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sobre a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura), a cultura seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, aos seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo. Em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura#Principais_conceitos .Tylor, considerado como a cabeça fundadora dos conceitos cultural evolutionism, nos seus trabalhos Primitive Culture e Anthropology, define o contexto científico do estudo da Antropologia, na base das teorias evolucionistas de Charles Darwin. Os dados supra mencionados foram retirados da minha memória e dos seus livros que tenho comigo: Anthropology. An Introduction to the study of man and civilization, 1881, traduzido para a língua lusa como:  Antropología. Uma introdução ao estudo do homem e a sua civilização, Vozes, Petrópolis, 1982, e o texto de 1865: Early History of Mankind and the Development of Civilization, John Murray, Londres, traduzido para a língua lusa como: Pesquisas sobre a história antiga da espécie humana e o desenvolvimento da civilização. Em: http://en.wikipedia.org/wiki/Edward_Burnett_Tylor pode-se consultar texto com a sua biografia.

[28] Miller, Alice, 1995: Pictures of a childhood, “Childhood and creativity”, é parte do Capítulo 4 do seu livro (1981-Suhrkamp Verlag, Frankfurt und Main) (1985-1ª edição em inglês) 2ª versão, 1998: Thou shalt not be aware. Society’s betrayal of the child, Pluto Press, Londres. Em formato de papel, 331 páginas, 1998, Pluto Press. Sítio http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Alice+Miller+Thou+shall+not+be+aware&btnG=Pesquisar&meta= .Este livro explica-nos como a criança tenta sair do desencanto da falta de carinho, utilizando o desenho. É neste texto que Miller partilha com Freud as ideias sobre as origens das fantasias infantis, no prolongado estudo da memória reprimida, feita por Freud e Alice Miller em épocas diferentes. O complexo de Édipo é colocado de parte, razoando Miller que, no tempo em que as crianças são abusadas, os seus sentimentos, tristezas e raivas não têm destino dentro de uma sociedade que estima que o poder paternal exercido sobre eles é um direito natural. As crianças não têm mais alternativas, excepto as de guardar no foro íntimo ou internar no seu inconsciente, o seu desgosto e angústia, criando uma bancada de fantasia material. O livro apresenta-nos uma nova modalidade de analisar como o inconsciente retêm na memória acontecimentos infantis, que magoam o adulto, mais tarde, quem, sem intervenção apropriada, pode gerar doenças emotivas e condutas destrutivas, quer para a pessoa, quer para a vida social. Antes de fechar esta nota de rodapé, parece-me importante definir memória e a sua repressão: Memória é a retenção e recordação de experiências. Uma memória reprimida é a que se diz ser retida na mente inconsciente, onde pode afectar pensamento e acção mesmo se aparentemente se esqueceu a experiência em que a memória se baseia. Retirado do texto sobre Freud: Memória, memória reprimida e falsa memória, em: http://skepdic.com/brazil/memoria.html. Acrescente-se que Freud definiu memória no seu texto, de 1921, Psicologia de grupo e análise do ego, em formato de papel, texto em Obras Completas, volume. XVIII, 1981, Imago, Rio de Janeiro. Em linha: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/essais_de_psychanalyse/Essai_2_psy_collective/psycho_collective.html.

Bem como em Moisés e a Religião monoteísta, (1938) 1990, Guimarães Editores, Lisboa, em formato de papel, 213 páginas. O texto pode ser lido no motor Les Classiques des Sciences Sociales, em: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/moise_et_le_monotheisme/moise_et_monotheisme.html, ou no seu texto de 1889, denominado Livro dos Sonhos ou A interpretação dos Sonhos, editado em três volumes por Pensamento, Lisboa, 1988, Vol. I, 163 páginas, Vol. II, 170 páginas e III, 216 páginas. Textos em linha, como e-livro, que se podem ouvir em: http://navega.blogs.sapo.pt/45873.htm1. Parece-me, ainda, difícil fechar citas sobre memória, sem referir Maurice Halbwachs, discípulo de Durkheim e de Henry Bergson, assassinado pelos nazis no campo de concentração de Buchenwald, a 16 de Maio de 1945, aos 68 anos de idade: http://pt.wikipedia.org/wiki/Maurice_Halbwachs. Este autor trabalhou sobre a memória e deixou-nos um legado de imensas obras, que podem ser lidas no motor de pesquisa Les Classiques en Sciences Social: http://classiques.uqac.ca/classiques/Halbwachs_maurice/halbwachs.html, sendo a mais importante La mémoire collective, póstuma, aparecida em 1947 em Annales de Sociologie, novo nome para L’Année Sociologique, em 1950 como livro editado pela Press Universitaire de France-PUF, que pode ser lido, tal como Marc Bloch, historiador francês, membro da resistência e judeu, executado em 1944, e autor da obra, traduzida para inglês, Feudal Society, http://books.google.com/books?hl=pt-PT&lr=&id=7FwOAAAAQAAJ&oi=fnd&pg=PR11&dq=++Marc+Bloch+La+Soci%C3%A9t%C3%A9+Feudal&ots=R4b8mQMqD1&sig=aBPL4JPLQJ27WEYaUcAm6t5Wenw#PPR5,M1 Bloch pode ser lido em: http://classiques.uqac.ca/classiques/bloch_marc/societe_feodale/societe_feodale.html, Halbwachs em http://classiques.uqac.ca/classiques/Halbwachs_maurice/memoire_collective/memoire_collective.html. Halbwachs defende a ideia da memória não ser individual, mas do grupo social, quer dizer, colectiva: « As nossas recordações existem por serem colectivas, pertencem ao grupo. Esse grupo é o que nos lembra de factos que podem ter sido realizados apenas por nós ou de objectos que têm sido vistos por nós, como indivíduos. Tudo porque na realidade da vida nunca estamos sós….». Esta é a síntese do autor na página 8 do texto na Internet. No mencionado trabalho em linha, com mais capítulos que o original em formato de papel, anteriormente referido, o autor, diz, ainda, que a memória é um facto e um processo colectivo. A existência de uma linguagem de significados comuns, permite ou faz com que os indivíduos possam voltar facilmente ao seu passado de maneira colectiva dando um sentido compartido dos factos que os têm estruturado como uma entidade. A memória histórica é comum para todos os indivíduos; a memória colectiva é múltipla e transforma-se à medida da actualização a que é sujeita pelos comportamentos dos grupos, mesmo sem repararem no que é feito: o passado nunca é semelhante a si próprio. Veja-se: http://classiques.uqac.ca/classiques/Halbwachs_maurice/memoire_collective/memoire_collective.doc, sobretudo o texto em pdf: “Fragmentos da Memória Colectiva”, síntese do livro de Halbwachs, organizado por: Miguel Angel Aguilar D, Universidade Autónoma Metropolitana Iztapalapa, Revista Athenea Digital, Nº 2, Outono de 2002.

[29] A sua obra completa está em linha no sítio: http://www.naturalchild.com/alice_miller/  e a sua página web é: http://www.alice-miller.com/index_en.php.

[30] O texto original, em Alemão, é de 1979, traduzido para inglês, em 1983, como The drama of the gifted child, Virago Press, Londres e para Castelhano: El drama del niño dotado, y la búsqueda del verdadero yo, Tusquets, Barcelona. Em português não encontrei nenhuma edição. O texto Thou shalt not be aware. Society’s betrayal of the child, pode-se ler em:  http://www.amazon.com/gp/reader/0374525439/ref=sib_dp_srch_pop?v=search-inside&keywords=Contents&go.x=6&go.y=11.

[31]  http://www.comprar-livro.com.br/buscas.php?q=Alice+Miller+N%E3o+dever%EDa+tomar+conci%EAncia.+A+trai%E7%E3o+social+da+inf%E2ncia&tipo=2. Não foi sem surpresa, que vi um texto meu, como comentário, com o título: “Lembranças de mãe”, retirado por Alice Miller do periódico A Página da Educação http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=2466, com o qual colaboro e onde escrevi em memória do 92º aniversário da minha Senhora Mãe.

Para entender melhor o que Miller e Freud referem sobre as crianças, nomeadamente quanto aos traumas já na vida adulta, causados pelos distúrbios do vínculo entre os bebés e seus pais, leia-se o texto, infelizmente sem data, denominado Traumas Infantis, traduzido por Mario Quilici, psicanalista, pesquisador independente e activo do desenvolvimento infantil: http://br.geocities.com/psipoint/arquivo_maternagem_traumasinfantis.htm. Para Freud, esses traumas aparecem na idade adulta; dividindo a infância em três períodos: – o primeiro dura até os 4 anos de idade; o segundo dos 4 aos 8, e o terceiro começa entre os 8 e 10, durando até ao início da puberdade. O autor propõe que os desencontros que levam à histeria ocorrem na primeira fase; os que levam à neurose obsessiva, ocorrem na segunda fase e as experiências que produzem a paranóia, enquadram-se na fase final.
Sugere então Freud, que as recordações datadas do primeiro período (dado o limitado desenvolvimento mental da criança) não são traduzidas em imagens verbais, afirmando que “A provocação de uma… cena sexual, não acarreta consequências psíquicas, mas leva à conversão do Id em Ego”. Texto em: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=293, comentado pelo analista brasileiro Tovar Tomaselli, intitulado “As explicação clínica das neuroses na teoria freudiana”, de 27 de Novembro de 2007. Tomaselli partiu das Obras Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago Editora, 24 volumes, recorrendo especialmente aos seguintes textos:
1) “A Hereditariedade e a Etiologia das Neuroses”
2) “Novos Comentários sobre as Psiconeuroses de defesa”
3) ” A Etiologia da Histeria “, referidos em http://www.imagoeditora.com.br/product_info.php?products_id=719&osCsid=27se22ter7aqr5ft3kdjhh6125:

[32] Miller, Alice, 1990: The Untouched Key. Tracing Childhood Trauma in Creativity and Destructiveness., editado por Virago Press, Grã-bretanha, referido em todas as entradas Internet da página web:http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Alice+Miller+Tracing+Childhood+Trauma+in+Creativity+and+Destructiveness.&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=. Traduzido para Castelhano por Tusquets, Barcelona, com o título: La llave perdida, 1991. Lembre-se que Alice Miller, nascida na Polónia na altura do denominado Grande Ditador, fugiu com toda a família para a Suíça. Apesar disso, parte da sua família desapareceu por causa da Gestapo, polícia desse Grande Ditador, como Sir Charles Chaplin o denominou. Embora nunca refira a sua vida de exilada nem a família desaparecida, dedica a sua vida às crianças abusadas pela sociedade, e diz numa entrevista: “ A criança precisa de fantasias para sobreviver, para não sofrer. Queiram acreditar no que o paciente vos diz e não esqueçam que a realidade reprimida é sempre bem pior que a fantasia. Ninguém inventa traumas, ninguém precisa traumas para viver. Os traumas não são inventados, mas também não podem ser negados. Vários de nós pagamos muito caro pela sua negação. É preciso estudar Historia da Infância, para entender o contexto social no qual ela se desenvolve. A terapia deve servir para abrir as confidências do analista, como também as do paciente, para desentupir os sentimentos de toda uma vida. A terapia deve acordar-vos de um prolongado sonho não real. É trágico ir para terapia e encontrar, em vez de apoio, muita confusão. Guardo comigo uma carta de uma mulher anciã de setenta e nove anos que conta «durante quarenta anos da minha vida, tive terapia de psicanálise. Estive com oito analistas; no entanto, apenas quando li o seu livro, não me senti mais culpável do que tinha acontecido comigo. Estava farta apesar de os analistas serem boas pessoas, excelentes pessoas. Queriam-me ajudar, apenas que nunca duvidaram de que os meus pais tinham sido boas pessoas para mim, o que era justamente o meu problema: não o tinham sido» ”. Citado por Miller.

[33] Mimado é uma palavra derivada de mimo. A própria definição diz o que pode acontecer a um adulto se, em criança, pensou que a vida era fácil: acaba por não saber ser adulto. Definição que pode ser consultada em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx. No texto central refiro que ser mimado é uma outra forma de insultar as emoções das crianças, bem como de educar da pior forma possível. Pode haver mimo dentro da disciplina do lar, se a criança entende que há deveres a cumprir e, em compensação, é-lhe dito que o fez bem. Mas, mimar por mimar, pelos pais não saberem orientar os seus descendentes, parece-me que cria um ser humano para quem a palavra blandícia é a mais adequada, porque o mimo afaga o seu desenvolvimento emotivo para a interacção social e faz dos mais novos, crianças de lar ou, como dizemos em Portugal, betinhos, na sua juventude ou na sua vida adulta. Betinho tem sido usado para definir, em calão, o rapaz ou rapariga novos que são descendentes de adultos com posses, vestem roupas de marca e falam de forma lânguida, mole ou voluptuosa. Palavra que passou do calão e foi incorporada no dicionário oficial e define pessoas que não consomem drogas http://www.google.pt/search?hl=pt PT&q=+Cal%C3%A3o+Portugu%C3%AAs%3A+betinho&btnG=Pesquisar&meta=.

Porém, essa forma lânguida de falar, ainda define betinho na conversa do dia-a-dia. Era o que me interessava esclarecer para incrementar a minha pesquisa sobre a mente da criança dentro da mente cultural que me parece ser muito heterogénea, especialmente pela blandícia de vários dos membros da sociedade, que, até propositadamente, usam formas lânguidas de comportamento por considerarem elegante essa blandícia no agir quotidiano. A palavra blandícia, passa a ser um conceito meu para definir comportamentos sociais, parece-me mais adequada que a palavra betinho, que refere outro tipo de comportamento, na redefinição de palavras portuguesas. Defino blandícia como um comportamento causado pela ferida emotiva dos adultos sobre os seus descendentes, com ou sem posses, com ou sem riqueza, para parecerem ser da burguesia, sejam-no ou não. É uma vantagem para a corrida concorrencial da vida no modo de produção capitalista, definido por Marx, e que deriva de antigas formas aristocratas, hoje em dia fora de uso, mas angariadas pelos que desejam transpor degraus da vida de forma ascendente. É parte do saber das crianças, uma fantasia que passa a ser real, sem as ajudar em nada no processo formal da vida. Pessoas com blandícia, não desenham, desenham-se perante os seus congéneres para retirarem uma mais-valia do seu lucro social.

[34] Tenho comigo um texto, resultado dessa sua descoberta de que desenhar faz bem, de 1995 (1986, em língua alemã), versão inglesa: Pictures of a childhood, Virago Press, Londres. É um livro com apenas sessenta e seis desenhos em aguarela e 43 páginas de comentários. O livro, em suporte de papel, tem 178 páginas, na Web pode ser visto em: http://www.amazon.com/Pictures-Childhood-Alice-Miller/dp/0452011582. No comentário refere apenas que esta terapia é resultante da sua própria auto análise e da descoberta de que desenhar não só faz bem, como ainda cura e ajuda o analista a interpretar o que a criança pensa e sente. Por outras palavras, analisa a capacidade de criatividade dos mais novos, para entender como vão ser quando adultos. Acrescentou metodologia de análise às de Freud que, no entanto, fez as suas descobertas através da obra artística. É conhecido o seu texto de 1914, traduzido para inglês em 1927 e, em 1933 para francês, para Gallimard, intitulado: Le Moïse de Michel-Angel, pode ser lido em: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/essais_psychanalyse_appliquee/01_moise_de_michel_ange/moise_de_michel_ange.html, actualmente incorpora as obras completas de Freud, vinte volumes, Imago, Rio de Janeiro. Na página 6 do texto em linha, há uma frase que define a dificuldade desta metodologia: “ Uma predisposição racionalista, ou talvez psicanalista, trava uma luta com as minhas emoções, ao não poder entender porque fico comovido com a obra de arte nem saber o que de ela me entretém ”. Por outras palavras, Freud rejeita essa beleza ao comocionar, explicando-nos que a imagem de Moisés parece um julgamento divino, porque na sua mão direita repousam as Tábuas do Decálogo e toda a imagem é como a de um juiz. Contrariamente é a posição de Miller, como já vimos. No entanto, os dois abalizam não apenas a obra, bem como a comoção que neles causa. Retirado do meu saber e do enlace (ligação ou link em inglês) citado.

[35] Freud, Sigmund, 1905 (em alemão), traduzido no mesmo ano para inglês, com revisão do próprio autor, onde refere e define, o que eram no seu tempo, as aberrações sexuais: homossexualidade, bestialidade, interrupção da sexualidade infantil e outras. Trabalho também traduzido para francês e que pode ser lido em: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/freud.html. O livro que uso é da colecção inglesa: The Pelican Freud Library, começada em 1955. O comentário do texto nº 7 da colecção diz: In his 1905 Three Essays on the Theory of Sexuality Sigmund Freud invented the idea of sexuality is a process independent of an individual’s sex, páginas 45 a 144 (No seu livro de 1905, Três ensaios sobre Sexualidade, Sigmund Freud descobre a ideia da sexualidade ser um processo independente da sexualidade individual. A tradução é da minha responsabilidade). Esta obra pode ser consultada em: http://www.gayhistory.com/rev2/factfiles/ff1905.htm., com versão portuguesa comentada, em: http://www.google.com.br/search?hl=pt-PT&q=Freud+Tr%C3%AAs+ensaios+sobre+a+sexualidade+1905&btnG=Pesquisa.

[37] Virgínia Woolf, (Londres, 25 de Janeiro de 1882Lewes, 28 de Março de 1941) foi uma das mais importantes escritoras britânicas. Estreou-se na literatura em 1915 com o romance (The Voyage Out) e posteriormente realizou uma série de obras notáveis, as quais lhe valeram o título de “a Proust inglesa”. Em 1941, faleceu (suicídio). A história completa pode ser consultada em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Virginia_Woolf.

[38] Gustave Flaubert (nasceu no dia 12 de dezembro de 1821, em Ruão, morreu dia 8 de maio de 1880, em Croisset), escritor francês, é considerado um dos maiores autores ocidentais. Em 1844, com epilepsia, isola-se num local pertencente a seu pai. Em 1856, após cinco anos de trabalho, publica Madame Bovary, o seu romance realista mais conhecido, no qual critica os valores românticos e burgueses da época. http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Flaubert

[39] Samuel Beckett (Dublin, 13 de abril de 1906,  Paris, 22 de dezembro de 1989), dramaturgo e escritor irlandês, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1969, utiliza nas suas obras, traduzidas em mais de trinta línguas, uma imensa riqueza metafórica, privilegiando uma visão pessimista acerca do fenómeno humano. É considerado um dos principais autores do denominado teatro do absurdo. A sua obra mais famosa no Brasil é a peça Esperando Godot. Depois da eclosão da Segunda Grande Guerra, adere, com a sua mulher, à resistência francesa, aquando da invasão de Paris pelo exército nazista, em 1941. Afasta-se da resistência em 1942, quando ambos foram obrigados a fugir de França. Morre em 1989, cinco meses depois da sua esposa, de enfisema pulmonar, contra o qual já lutava há cerca de três anos. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse. História completa em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Beckett.

[40] A introdução de Lloyd de Mause pode ser lida em: http://www.amazon.com/Thou-Shalt-Not-Be-Aware/dp/0374525439, com versão completa em: http://www.amazon.com/gp/reader/0374525439/ref=sib_fs_top?ie=UTF8&p=S00I&checkSum=WcuffE6FYNY7WaBeT5jC%2BVsEsSxsZWF4XWiLXxIMWA4%3D#reader-link, comentando os dois tipos de psicanálise que podem ser usadas no estudo das crianças. Livro difícil de ler, é possível consultar um outro texto sobre a temática em: http://www.psychohistory.com/childhood/writech1.htm, com o título  On Writting Chilhood History, publicado na Revista The Journal of Psychohistory 16 (2) Fall, 1988, texto que comenta os trabalhos de Alice Miller e o trabalho pesado que é escrever sobre crianças. Por isso, em minha opinião, merece uma citação separada.

[41] De Mause diz: “Os textos de Alice Miller sobre a história da vida infantil, são, talvez, os mais conhecidos e procurados no dia de hoje e conhecidos do grande público” (94). Esta nota do texto, refere livros da autora que têm causado um profundo sentimento de saber e emoção no comentador: Alice Miller, Prisoners of Childhood, New York: Basic Books, 1981, ampliado e aumentado com o título: The Drama of the Gifted Child, comigo em versão castelhana: El saber proscrito, Tusquets, Barcelona, 226 página. For Your Own Good:Hidden Cruelty in Child-Rearing and the Roots of Violence, New York: Far-rar/Straus/Giroux, 1983, ou 2ª Edição, Virago Press, Londres, 289 páginas, Thou ShaIt Not Be Aware. Society’s Betrayal of the Child, New York: Farrar/Straus/Giroux, 1984, edição renovada com a introdução referida de Lloyd de Mause, 331 páginas. Largamente documentados e argumentados com paixão, os seus livros referem detalhadamente o abuso emotivo e sexual como a realidade quotidiana de uma grande proporção de crianças, de ontem e de hoje. Textos documentados com base na sua própria prática analítica e das descobertas feitas nas histórias de vida de educadores e analistas. Katharina Rutschky, educadora, Helm Stierlin, psicanalista desencantada com o tipo de análise feita na Alemanha do pós guerra, Florence Rush, analista que escreveu o texto: The best kept secret: sexual abuse of children, 1980, Prentice Hall, 216 páginas, eu próprio e outros. Para além da riqueza das suas fontes clínicas e históricas, a mais rica é a do seu olhar interpretativo, esse do nosso não reconhecer ou negar a realidade da criança abusada. Ela denomina o Primeiro Mandamento para uma criança, imposto sobre ela pelos adultos que a abusam, thou shalt not be aware,ou: não devereis ser conscientes, um não falado mandamento que requer da criança o segredo do sofrimento recebido pelos seus guardadores ou adultos custódios dos mais novos.

Os meus comentários resultam das leituras e análise das seguintes fontes: The truth laid bare in… The History of Childhood, em português: A verdade crua fica despida… na História da Infância, na qual deMause analisa a Obra de Alice Miller,  sítios como: http://en.wikipedia.org/wiki/Katharina_Rutschky ou: The Drama of the Gifted Child: The Search for the True Self, de Alice Miller, New York, HarperCollins, 1996 (3ª edição), 136 páginas, que pode ser consultado em:  http://www.alibris.com/booksearch?qsort=&page=1&matches=87&browse=1&qwork=1811647&full=1 , bem como da minha memória.

 

Leopoldo Mozart, sinfonia dos brinquedos

 

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