jubilação

jubilação
Prof.Doutor Xavier Pina Prata, reconhecido como a figura chave na criação e desenvolvimento, em Portugal, da Terapia Familiar e na Concepção Sistémica da Intervenção Organizacional.
Ainda lembro desse ano de 1982, era o mês de Abril, todos me queriam explicar o que tinha acontecido messe mês, oito anos antes. A ditadura portuguesa tinha sido derrubada. O meu querido amigo Xavier (Pina Prata), que colaborava connosco para podermos ter um Conselho Científico que orientasse ao recentemente fundado ISCTE, em 1979, no edifício que hoje em dia denominamos velho, com uma catrefada de cientistas jovens, ou já doutores ou em vias de o ser, Doutores doutorados éramos apenas três: Mário Murteira, doutorado na Suborne com o comunista italiano Piero Sraffa, fugido da Itália devido à perseguição aos do seu partido, asilou-se em França entendeu que adquiria uma mais-valia aceitando o seu pedido de asilo.
Tinha sido professor de Maria Carrilho, antes de ser socialista e refugiada na Itália pela perseguição aos comunistas portugueses desse tempo, e Maria lutava dentro desse partido para derrubar a ditadura. Teve que fugir e estudou com Sraffa em Milão. A seguir, Piero fugiu para França e Mário Murteira para Paris por ser subversivo contra a ditadura, inserido no MDP-CDE ou Movimento Democrático Português / Comissões Democráticas Eleitorais (Plataforma de antifascistas antes do 25 de Abril, mais tarde tornou-se um partido e concorreu sozinho ou coligado com o PCP por diversas vezes), como a minha querida amiga Miriam Halpern Pereira, que se asilara em Paris, completou o seu doutoramento de Terceiro Ciclo, que nós, os doutores do ISCTE fizemos equivalente a um doutoramento português.
Todo o nosso Conselho Científico era ou tinha sido do PCP, o único grupo político que foi duro com a ditadura, e triunfaram com o apoio dos movimentos do Mário Murteira e Miriam Halpern Pereira, Mário Pinto, da Universidade do Porto, colega que me ajudara a fundar o Conselho Pedagógico do ISCTE e assistia aos Seminários das Quintas Feiras, importado por mim desde a minha Universidade Britânica, que todos sabem qual é. Não queria ser como outro membro do nosso C. C, que apenas sabia falar do seu doutoramento em Oxford….asilada com o seu próprio dinheiro, enquanto eu, como murmurava, era um descosido da Universidade paralela, rival da dela… Rivalidades sem fim…Santo remédio, nunca mais falei com ela, excepto no ano 2002, em que assistiu a uma conferência minha na casa de Eça de Queirós. Assistiu à minha conferência, adorou e a vida virou do avesso….

Eram os tempos em que o hoje jubilado Francisco Xavier de Pina Prata, queria fazer do ISCTE uma Universidade. A fórmula encontrada foi que os empregados, denominados contínuos, por estarem sempre a andar: recados, mobília, projectores, limpar as salas de aula e outros duros trabalhos. A ideia de Pina Prata, era que devíamos ser tratados com respeito pelos empregados, estudantes e colegas, colocando todos os nossos graus antes de nome. Nunca esqueço as palavras do nosso antigo contínuo, José Belinhas, que confiava em mim, para me contar a história de Pina Prata, essa de cumprimentar os docentes com os seus graus antes do nome! Coitado! Que sabia o meu amigo de academia, títulos e outras ervas? Ele precisava um trabalho, e ai estava, entre copo e copo de vinho, que escondia numa despensa, que hoje é a Secção Académica. Levou tamanha surpresa quando reparou que O Senhor Professor Doutor, estava a observá-lo. Teve medo. Mas, passado o tempo, como nada falei, confiou em mim Por hábito britânico, sítio no qual me formei até a Agregação, passava o dia inteiro na nossa casa, chamada Escola pelos mais antigos. Nem que fosse uma premonição: o ISCTE, Também IUL, está dividido em escolas, e dos cinco membros que éramos, fomos formando mais e mais, tantos, que hoje em dia deve reunir uma Comissão Coordenadora do C.C, mas que também não interessa: o poder está dividido entre Reitoria, três Vice-Reitores e uma Comissão Assessora, na que participam antigos Presidentes da Repúblicas, sábios de outras academias, que levam em remuneração pela sua valiosa sabedoria, todo o dinheiro que a nós não é pago.

Belinhas, pois, disse-me a história e o seu problema era que não sabia quem era quem, e que com tanto grau em frente, nem dava tempo para cumprimentar, o seu grave problemas, era muito senhor e bem formado. A minha resposta foi simples: diga bom dia, boa tarde e mais nada. Em parte nenhuma do mundo tem-se observado estas ideias de Pina Prata. Ainda bem que está aposentado!

O nosso C. C de primeiros anos, tinha que pedir Doutores conforme a lei mandava, até que começámos a ser seis, sete, duzentos…O nosso pequeno C. C era uma tropelia: pessoas que não se falavam, ou falavam de política ou dos sucessos da sua vida. A nossa sorte foi a entrada de mentes novas e abertas. Com todo, o C.C. estava muito divido por ideais políticas e não do saber.

Há um livro meu que fala destes assuntos, já publicado como a minha autobiografia: Para sempre tricinco. Allende e eu, que pode ser lido ou em http://biblioteca.iscte.pt/bibliopac.htm, ou em http://www.rcaap.pt ou na minha editora Estrolabio, em http://estrolabio.blogs.sapo.pt/

Como já está todo referido nos livros nomeados, apenas é possível acrescentar que e Jubilação é a Solidão das Solidões…Morremos para a vida social…e para os amigos. Paciência. Ficam a escrita, os júris que integro e as lembranças do passado de uma ida bem mais curta que ao começo!

Parabéns, Francisco Xavier de Pina Prata. Sinto inveja de ti. No meu caso, ninguém reparou. Tu, tiveste uma linda festa…que comemoro. A Jubilação é o fim da vida se não criamos novas ideias e somos activos na vida académica…e nos sentimentos.

O meu pequeno CC, está todo aposentado, com prémios, novos graus e livros dedicados…e delicados

Raúl Iturra, 15 de Abril de 2011

Comments

  1. Mafalda Carvalho says:

    O Professor Pina Prata vai hoje ser enterrado. A sua morte deixará satisfeitos muitos dos medíocres deste país, que nunca foram capazes de lhe chegar nem aos calcanhares.

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