comida de lixo

caixote de lixo

A indignidade causada ao povo, pelos depositários da nossa Soberania.   

COMIDA DE LIXO

É um caixote de lixo. É o prato desses que nada têm para comer. É o sítio onde todo o povo que não tem dinheiro procura a sua alimentação, pessoas que, ainda que tivessem alimentos, não têm dispensas onde os guardar. É o caixote de lixo. O armário do desamparado. Comida podre que ajuda a manter a vida em solidariedade com os solitários sem trabalho, sem amparo, sem cunha para procurar alternativas de criar bens ou lugares para trabalhar e ganhar a sua vida. Lugares tão divididos entre a população, que ninguém tem oportunidade de uma vaga para laborar.

Em 1775, na Grã-Bretanha, Adam Smith provou a necessidade de partilhar a actividade organizando-se locais de oferta para os que nada tinham, do que não se tinha, mas sabia-se construir e vender por um valor definido pela população capaz de organizar uma actividade de artesanato por ela determinada: uma procura do que não se tinha e não se sabia construir, mas que se podia vender/comprar, que ele denominou valor trabalho. O caixote do lixo, hoje em dia, tem um nome: Portugal e as suas crises financeiras e políticas.

Esta não é uma hipótese, é toda a síntese da teoria liberal, do que desde esse dia passou a denominar-se Economia. Economia de acumulação de lucro, Economia de procurar trabalho produtivo e remunerado (antes de se entrar em depressão ou em suicídio), para obter um ordenado já bem dividido entre a solidariedade da família e dos vizinhos e assim fugir ao caixote de lixo. Muitas ideias ocorreram entre as de Smith e o dia em que Émile Durkheim – espantado pelos delitos da Comuna de Paris, da guerra Franco Prussiana, leitor dos sucessores de Grachus Babeuf (fundador da Comuna para Governar Paris), como Karl Marx (seu orientador) e Marcel Mauss com as suas ideias socialistas – funda a Ciência da Sociologia.

Socialismo ou Sociologia? Acabou por ser Sociologia, o nome da Ciência que explica a interacção social, isto é, a procura de alternativas, de construção de ideias para a formação e a capacidade do grupo. Não foi em vão que em 1893, Durkheim acaba a sua tese de Doutoramento, orientada por Tönnies, que veio a ser publicada no mesmo ano, onde debate com o liberalismo e relembra a existência da divisão do trabalho, apenas que esta é social, o que o inspirador Smith se tinha esquecido de dizer, por andar a pensar na sua divindade que, de forma invisível, ajudava os desvalidos. Por outras palavras, o trabalho está dividido em capacidades e espaço para se ter um lugar remunerado e assim fugir ao caixote do lixo e às depressões.

O caixote do lixo não é apenas a solidariedade para comer a comida do pobre. É partilhar o que se sabe, dentro de uma casa denominada escola, na qual toda a criança aprende a subordinar-se às regras legais definidas pelo caixote do lixo. Subordinação que permite, ou não, o entendimento da vida em sociedade, dentro do Direito, da Ordem Social e da Paz.

Durkheim debate com Smith e salienta as ideias de Marx, colaborou com a queda dos Czares da Rússia e fez parte do Parlamento Menchevique, anterior ao parlamento leninista, ou Duma, conjuntamente com Mauss, fundador de l’Humanité. Ambos colaboraram com o seu estudante Vladimir Lenin, sociólogo que organizou um governo sem a tirania de quem, anteriormente, o presidiu durante longos e pesados anos.

O caixote do lixo é um processo baseado na estrutura do entendimento da divisão social do trabalho e da procura de vagas para produzir, comer e ter uma certa folga nos curtos dias da nossa vida.

Caixote do lixo, é a falta de comemorar a nossa liberdade, espalhando entre todos o pouco que se possui. Como actualmente, na nossa Republica de Portugal, que acaba de comemorar os seus cem anos de existência, sempre a acudir ao caixote do lixo, pelo desgoverno que o caracteriza. Caixote do lixo governado pelos ricos e sofrido pela maioria do povo português…

O nosso país está em falência e os outros governos da Europa não só não colaboram, como não confiam nos nossos soberanos, que têm tido essa habilidade de organizar o caixote… que alimenta o povo de hoje, como antes de ser República.

Acreditei neles, mas, nestes dias, têm-me ensinado uma larga e cumprida desconfiança da arte de governar, que, pela negativa, os que dizem defender o povo, usam os marmelos caros pagos pelo Estado, e os «defendidos», andam a pé, de bicicleta, de transportes públicos, são poucos, não têm força, mas continuam a tentar afastar esse caixote e criar uma República sem lixo…

Raúl Iturra

Comments

  1. pedro roxo martins says:

    Cristo e os cristãos estão do lado destes irmãos. uma santa e feliz pascoa para o professor e família.

    • Raul Iturra says:

      Caro Pedro Roxo, tenho a impressão de termos falado antes! O Pedro é um homem de fé. Eu, não. Escrevo estes resultados das minhas análises para desafiar um governo que não sabe governar. Mas, é evidente que sou cristão, por ter nascido no ocidente e, no meu ver, o cristianismo é a lógica de cultura. Tenho publicado 30 páginas no blogue procure por favor, o no livro editado por D. Rodrigues: Em nome de Deus. A religião nas sociedades contemporâneas Afrontamento, Porto
      Obrigado pelo seu comentário!
      Raúl Iturra
      lautaro@netcabo.pt

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