Estado da Educação: um balanço

No Público de ontem, é possível ler-se um balanço sobre a Educação. Há contributos de gente de todos os partidos representados na Assembleia, para além de declarações de Ana Maria Bettencourt, Mário Nogueira e Paulo Guinote, entre outros.

Ainda não li tudo, mas deixo aqui alguns comentários àquilo que o deputado Bravo Nico, do PS, considera terem sido as grandes mudanças:

A maior requalificação de sempre no parque escolar, materializada através da construção de centenas de Centros Escolares (que substituíram a rede atomizada e inorgânica das antigas escolas primárias) e da completa requalificação do universo de Escolas Secundárias.

O outro lado da questão é o acentuar da desertificação do interior, para além da escuridão que são os negócios da Parque Escolar.

Também de relevar o significativo investimento na infra-estrutura tecnológica nas escolas e nos equipamentos de aprendizagem (caso do Magalhães);

Temos, aqui, o habitual exercício de provincianismo que confunde manobras de relações públicas (distribuição acéfala de tecnologia) com melhorias educativas. Qual será o destino dos Magalhães?

A aposta no ensino profissional, ao nível do ensino secundário, aproximando Portugal dos índices da OCDE;

Seria importante analisar seriamente de que modo o ensino profissional se transforma, por vezes, numa manobra de criar sucesso artificialmente.

O alargamento da escolaridade obrigatória para os 12 anos e a universalização do pré-escolar para as crianças de 5 anos;

O alargamento da escolaridade obrigatória constitui mais uma manobra de propaganda. Será posta no terreno à custa de muita cosmética estatística.

A aposta na qualificação dos adultos, através da consolidação da Iniciativa Novas Oportunidades, processo que recolocou, até ao momento, cerca de 1,5 milhões de portugueses em percursos formais de qualificação académica e profissional. Não há, na história da educação portuguesa, um movimento de magnitude equivalente.

Chamar às Novas Oportunidades um percurso formal de qualificação académica não deixa de ser uma boa piada. Uma ideia generosa transformada num embuste.

Inversão da tendência dos resultados do desempenho dos estudantes portugueses, facto evidenciado pelo último Relatório PISA, da OCDE. Portugal sobe, de forma significativa, relativamente ao seu histórico e aproxima-se de países com sistemas educativos mais performantes.

Foi mais um momento de festa socrática, mais propaganda, mais um aproveitamento de números que não iludem uma iliteracia e uma incultura que a escola não tem conseguido combater. Terminar com uma palavra como “performantes” será uma maneira de trazer mais perfume à propaganda.

 

O dono, já se sabe, é José Sócrates. A voz obediente de Bravo Nico pode ser conhecida, também, aqui, performando sempre muito.

Um comentário em “Estado da Educação: um balanço”

  1. Só uma pergunta:
    Se era para fazer um balanço sobre a educação não seria desejável que os doutos jornalistas levantassem o dito da cadeira e em vez de enviarem mails para o grupos parlamentares fossem às escolas saber a opinião, não arregimentada, de quem lá trabalha?

    A resposta a esta pergunta explica as diversas ‘vozes do dono’ que diariamente nos entram em casa!

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