Marcha Global pela Marijuana

Nada como uma crise para fazer as grandes reformas. A guerra da droga, sobretudo no campo de batalha marijuana, é das mais velhas e estúpidas guerras que os humanos travam.

E se estamos em tempo de crise económica vejam a poupança que se pode fazer nos custos da  repressão dos traficantes se acabarmos  com os traficantes. E o que se pode ganhar em impostos, a juntar aos do álcool e tabaco.

E já agora, descubra como a canabis foi proibida:

A marcha, é este sábado, em várias cidades portuguesas, em centenas pelo mundo fora.

Comments

  1. Rodrigo Costa says:

    … Pela parte que me toca, eu sou a favor de todas as marchas. Sejam pela marijuana, pelo axixe, pela coca, pela heroína, pelo álcool, peldo tabaco… Sou a favor de tudo que leve a rapaziada a entrar em órbita ou, pelo menos, a adiar as coisas importantes em que deveriam pensar. Como dizia, há uns anos, um polícia envolvido na caça ao tráfico, “eu acho que em vez de os perseguir, aumentava-lhes a dose”.

    Muito sinceramente, sou pouco dado a proibições. Fui a favor do aborto e sou a favor da eutanásia, porque acho que cada qual deve poder optar por viver do modo como entende e morrer do modo como acha nais agradável.

    Na questão do aborto, dir-se-á que o próprio não tem a possibilidade de escolher; eu digo, no entanto, que, muitos pais, deveriam —por absurdo, adianto— responder pela vida atribulada de muitos filhos. Por absurdo, porque nenhuns serão os pais que esperam o pior; há sempre aquela senhora a que chamam esperança, que, a todo o momento e ferindo as perspectivas da realidade, liberte as pessoas do sufoco e lhe dê aquele futuro radioso por que, sem razão racional ou aparente, se esperava que acontecesse…

    Mas há, como tem sido bom de ver, quem não não consiga ver no meio do escuro, e à cautela, se previna contra a definitiva ausência de luz. E eu acho preferível estrangular um embrião ou um feto, do que dar vida a um ser que venha a sufocar entre porcos e palhaços.

    Sobre a eutanásia, o mesmo. Mais: começo a inclinar-me para a ideia de que as pessoas deveriam ter direito ao suicídio; que deveriam ter direito a serem assistidas no suicídio, na sua vontade de irem embora, no pleno uso do direito de discordar dos moldes de existência, assentes na falsidade e na emboscada; nas dissimulações; na venda de esperanças e realidades a que poucos têm o acesso; e sem que os que não o tendo não não o tenham, necessariamente, por incompetência, mas por não pertencerem ao clã ou aos clãs certos; por teimarem na isenção e na fé nos valores; vivendom entre a esperança e a realidade que a ridiculariza; porque, todos os dias, há um acéfalo que se ergue, que se junta a outros acéfalos, e, em conjunto, pervertem e viciam as regras do jogo.

    Quanto às drogas… elas são, segundo o meu entendimento, a partir da informação directa e indirectamente recolhida, o primeiro passo para o suicídio. Primeiro, mental, depois, físico. Então, a minha pergunta é: por quê, morrer às pinguinhas? Por quê, buscar a anestesia e descurar o pensamento?…

    Meus caros, quem não assume, para si mesmo, as lacunas afectivas, pode ficar seguro de que não as preenche pelo uso do tabaco, do álcool ou de qualquer outra droga. Qualquer destes meios não serve para mais do que embalar as frustrações, mantendo-as vivas, de cada vez que uma passa, uma golada, um comprimido, um sniff ou um chuto, roubam tempo ao tempo de pensar, deixando, apenas, todos os atrasos trazidos pela ressaca…

    Acho muito mais corajoso e digno o suicídio. De forma inequívoca, sem meias-palavras, suicidando-se, alguém diz, com clareza, que já não pode mais e / ou não concorda com isto.

    Quem quer estar vivo; quem quer dizer ou gritar que existe e tem direitos que lhe não são reconhecidos, o que deve fazer é marchar, sim, mas não ao encontro dos “analgésicos”, dos entorpecentes; antes, ao encontro do que são razoáveis direitos.

    Meus caros, garanto-vos, desde já, que a tarefa é mais árdua, se não tiverem religião, partido ou algum tipo de clã que vos proteja, porque, só, uma pessoa não pode fazer uso do corporativismo; tem que assistir aos cortejos de covardes que, a sós, não existem.

    Marchem… que já de há muito, eu ouço as cardas.

  2. Artur says:

    A esquerda continua a recrutar os seus discipulos nas franjas da sociedade, tal como outrora os pregadores de Cristo o faziam junto dos deserdados e azarados por nascimento. Todavia não sei qual é que será pior, a promessa da vida eterna para os humildes e crentes, se a apologia de uma substancia quimica que nada mais é que uma masturbação cerebral.
    Depois vêm com o argumento da poupança no combate ao tráfico…como se fosse essa a verdadeira razão que os leva a desejarem a liberalização do consumo.
    Para quando um marcha contra a estupidez dos ideários da esquerda actual? (a esquerda está de facto a precisar de uma revolução interna, pois da cabeça dos seus actuais doutrinadores já não sai nada que se aproveite).


    • Olha prá direita a defender os bio-combustíveis em vez de alimentos, os trapos de algodão e plástico ao invés do raio do cânhamo, está tudo bem como está e não podia estar melhor.
      Enfim, o costume.

      • Artur says:

        Os trapos de algodão e os plásticos dão de comer a muita gente. E o raio do canhamo se fosse plantado em larga escala para substituir o algodão, depressa se tornaria também um inimigo da esquerda, por um lado porque seria tão nefasto para a biodiversidade tal como o são hoje as culturas intensivas para gerar combustivel, e porque depressa os terriveis capitalistas se encarregariam de enriquecer à conta do canhamo e da exploração dos trabalhadores.