As mais-valias urbanistícas

A família Silva tem um terreno, agrícola, herdado, comprado, não interessa. De repente por alma e graça de um município que decide alterar o PDM, não interessa agora sem com ou sem razão, o terreno passa a solo urbano, passível de levar com umas casinhas em cima.

O que valia x passa a valer 10 vezes mais (estou  a ser muito moderado).

Sorte grande? Não, umas das maiores injustiças da nossa legislação sobre solos.

Dei propositadamente um exemplo pacato. Podia, e todos os nós os conhecemos, dar outros, em que o terreno mudou de mãos pouco tempo antes de o PDM ser alterado. Podia fazer assim a história da destruição do nosso património natural, do facto de termos muito mais casas do que gente para as habitar (e esperemos pelos resultados do censos), de todos assistirmos a um crescimento urbano desenfreado e louco, de assim se explicarem fortunas espantosas e o grosso da corrupção autárquica (já alguém foi condenado por um cambalacho destes?). Podia, mas não vale a pena. Limito-me a apontar, com o exemplo dado, uma fonte de receitas para o estado, mais que justa e urgente. Uma luta que tem sido desenvolvida pelo meu conterrâneo Pedro Bingre, um perigoso militante do… PS.

E agora procurem lá uma proposta para resolver esta vergonha no programa da troika, ou se quiserem, nos programas do PP/PS/PSD.

Imagem roubada ao Pastel de Vouzela

Comments

  1. Carlos Fonseca says:

    Uma lição de economia de elevada qualidade. Tenho dúvidas de que o Sócrates esteja interessado em compreende-la, mas o mesmo digo de Passos Coelho e Paulo Portas.
    No PS existe gente com sabedoria e honesta. Pena estar em minoria.

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