O meu voto

Depois de seis anos de campanha eleitoral, em quem votar? No que me toca, já lá irei mas antes gostaria de explicar esta da campanha eleitoral dos seis anos. Para tal, socorro-me do recorrente anúncio do sucesso frustrado, sendo o grande feito das contas públicas o último acto desta tragédia. Em Fevereiro, o governo lançou aos quatro ventos a ideia de termos um tal sucesso ao nível da execução orçamental que havia um excedente orçamental. A comunicação social nem questionou os dados embrulhados em celofane que, certamente, as assessorias de imprensa prepararam. Apresentei  na altura as minhas dúvidas e, há dias, vi-as confirmadas quando a Unidade Técnica de Apoio Orçamental nos informou que apenas se tinha adiado o pagamento de contas.

O efeito de megafone da comunicação social, repetindo o discurso governativo sem o analisar, foi o maior aliado dos governos socráticos. Chegou ao ponto de, em diversas ocasiões, Sócrates se dirigir aos portugueses dizendo “senhores jornalistas” em vez de “portuguesas e portugueses”. Um mundo de encenações mediáticas, como as crianças dos Magalhães no CCB, o teleponto e as mega produções audiovisuais foram uma constante que tiveram o apogeu na campanha eleitoral “legislativas 2009”. E prolongaram-se para o presente mandato e campanha eleitoral. Ao olharmos para o tom dos discursos desta campanha observamos que não diferem significativamente de qualquer acto oficial anterior e isto deve-se à constatação de termos vivido um estado de permanente campanha eleitoral nos últimos seis anos.

Pela segunda eleição consecutiva para a AR não votarei PS. Sim, batam-me, contribuí para a maioria que nos lixou absolutamente. Mas uma coisa é certa. Depois de ver no que o PS se transformou e de ver todos os seus outros dirigentes trocarem a ideologia pela cadeira do poder, não hão-de ver o meu voto tão cedo. Portanto, PS está para mim riscado. Fácil.

Esta eleição será a primeira na qual votarei PSD. Faço-o por exclusão de partes e certo de que em breve estarei a fazer bonecadas sobre o PSD, tal como as que tenho feito com o PS. Sim, tenho genes de contra-poder. Acontece que, olhando para o panorama político, opto por que partido? A mim não me interessam as questões de direita vs. esquerda mas sim se estamos perante boas ou más medidas para os portugueses e, consequentemente, para o país. Neste contexto, coloco BE, CDS e PCP (ou devo dizer CDU?) ao mesmo nível de escolha. Acontece que prefiro mensagens políticas que não tenham sido simplificadas, digamos assim, para capturar o voto. Por isso, fica logo de fora o BE com a sua estratégia de, por exemplo,  mandar culpas para o FMI quando são os parceiros europeus nos estão a lixar. Portas? Outro hábil comunicador e disso tive seis anos. Gosto da postura de Jerónimo e da sua política quanto à produção nacional. Mas a negação da bancarrota a que chegámos e a constatação de não haver alternativa que não passe por satisfazer os compromissos assumidos também excluíram este partido. E os pequenos? Ouvi os seus tempos de antena e chegou-me.

Sou engenheiro de formação e de atitude, pelo tenho consciência da inexistência do  perfeito. Entre o bom e o óptimo, escolho o possível.

Nota: já tinha deixado umas luzes no post do Pedro, apesar de nessa altura estar ainda nos indecisos.

Comments

  1. Pedro M says:

    E pronto, que se mudem as moscas

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  1. […] PSD? Na verdade, arrependo-me de ter precisado de votar PSD, o que é algo diferente. Foi o que expliquei na altura […]

  2. […] quatro anos e meio escrevi umas linhas e agora, ao reler, até parece que estava a falar da presente campanha […]

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