A Reforma da AP e a mentalidade:

Não existe outro caminho.

O nosso país vai ter mesmo de mudar se quiser continuar a existir. Uma mudança imperiosa e obrigatória. Na educação, na economia, no sector público e no sector privado. Estamos perante uma situação de excepção que exige medidas concretas, corajosas e nada populares.

Não sei, sinceramente e pondo de lado as questiúnculas partidárias, se os portugueses estão preparados ou mesmo conscientes da gravidade do momento. Não vou discutir se o modelo de desenvolvimento económico que a Europa, a Troika e os especialistas defendem, se é que defendem algum modelo, é o melhor ou não. Já nem sei se “isto” vai lá com mais impostos ou se não seria melhor procurar puxar pela economia diminuindo a carga fiscal.

Posso estar enganado, redondamente enganado, mas sem uma verdadeira mudança de mentalidades não vamos lá. Reparem neste exemplo. As regras no acesso ao ensino superior não são universais, não são iguais para todos e, espero não estar a ser injusto, cheira a “Chico-espertismo” típico da nossa mentalidade. E o que dizer quando se lê “isto”? Então os portugueses não são todos iguais? Os sacrifícios são só para alguns? Ninguém aprendeu a lição, nem o poder nem a oposição madeirense?

O Governo prepara-se para uma verdadeira revolução no sector público. Durante anos, todos os “Medina Carreiras” deste país clamaram (e bem) contra a “gordura” do Estado. A multiplicação de Institutos Públicos, Empresas Públicas, o crescimento do número de funcionários públicos. Agora que o Governo decide, finalmente, atacar o problema acabando com fundações de duvidosa existência, fundindo institutos públicos e fechando determinadas empresas públicas e lançando uma reforma da Administração Local que é, a meu ver, o princípio do controlo do despesismo, vão começar os sindicatos, as corporações e todos aqueles que defendem “o sistema” a gritar contra. Em casa onde não há pão…

Só com a redução do número de dirigentes a poupança é de 40 milhões. Será que chega? Certamente que todos concordam que não, não chega. É o começo. O princípio da mudança de (como detesto a palavra mas não encontro outra) paradigma.

A Reforma da Administração Local incidirá em quatro campos: no sector empresarial local, na organização do território, na gestão municipal e seu financiamento e, na democracia local. Para a minha geração esta pode ser a primeira grande reforma a que assistimos. Ora, agora que tanto se fala na Madeira e no seu buraco, cheira-me que depois das eleições regionais vamos ter uma surpresa no que toca a buracos e suas dimensões. Uns e outros terão, forçosamente, que ser combatidos. Todos reconhecemos, mesmo quando não concordamos, que o desenvolvimento económico e social na Madeira nos últimos trinta anos foi enorme. Como gigantesco foi o desenvolvimento das nossas vilas, cidades e concelhos. E o Portugal de hoje comparado com o dos anos setenta? A que custo? Quais os custos, reais, de todo este desenvolvimento, de toda esta qualidade de vida incomparável?

A Troika e as recentes intervenções externas respondem. Todos nós, sem excepção, exageramos e agora, cabe à minha geração e as que se seguem, pagar a dura factura. Uma factura pesada, é certo mas, pior seria se nada fosse feito e já.

Enquanto contribuinte, do grupo dos que paga impostos e que ainda agora pagou mais uma batelada de IRS, só posso saudar estas medidas reformistas no tocante à despesa do Estado e aproveitar para pedir mais. Que não falte a coragem.

Mesmo sabendo que a caixa de comentários vai ser inundada pelos “Abrantes” do costume, não posso deixar de sublinhar que Miguel Relvas, mesmo debaixo de intenso fogo, não cedeu e avançou com esta importante reforma. Seria bem mais fácil e cómodo continuar a fazer de conta…

(igualmente publicado no Forte Apache)

Comments


  1. Claro que fazer de conta que a larga maioria desses cargos são necessários e vão ser reabertos noutros sítios já não é fazer de conta… em quantas nomeações já vai esta mudança?

  2. manuel.ferreira says:

    IMPOSTOS INJUSTOS NÃO ======LIBERDADE 2015……Não é necessário fazer o ESTADO mais eficiente—só é urgente reduzi-lo em 65% ( ou seja passar de 750.000 para 250.000 o numero total de funcionários públicos ).. o PAÍS ( qualquer País ) só tem capacidade para pagar os ordenados se o numero total dos trabalhadores públicos forem no máximo 5% da população activa- -e é esse o limite máximo… que deve constar na Constituição .o PAÍS ( qualquer País ) só tem capacidade para ter uma Divida Publica de 33% do PIB sem comprometer o FUTURO, é esse o limite máximo que deve constar na CONSTITUIÇÃO.– TODOS TEMOS O DIREITO E O DEVER CÍVICO DE FUGIR AOS IMPOSTOS INJUSTOS… .POR UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA E DE LEGÍTIMA DEFESA.

  3. lidia sousa says:

    Ontem ouvi em reprise no fim da audição o TORQUEMADA dar uma lição em tom malcriado que é o seu forte a uma deputada que nem sei quem é. Depois veio o Secretário do ordenamento do Território, parece-me ter sido autarca e depois de muita parra pouca uva. qual foi o meu espanto ao ouvi-lo dizer que vai extinguir uma série de pequenas estruturas, para criar uma nova grande estrutura. Perante a resposta de um qualquer que disse que a maior parte dessas pequenas estruturas eram compostas por pessoas que trabalhavam gratuitamente, ele respondeu que isso não interessa nada é preciso é reduzir o numero das pessoas. E assim vai o Mundo do Torquemada e dos seus adjuntos dos blogs, Portugal dos Pequeninos, o padrinho da sua alcunha e do ALFORRECA PASSOS, do Adelino Cunha, do Comuna Antonio Figueira etc. Parece um Combate de Blogs. Peço desculpe se alguém deste blog foi pescado. e da falta de pontuação mas estou sem paciência. Obrigada pela oportunidade, mas o tempo é pouco

  4. Bruno says:

    Ainda não entendi porque a função pública é atacada como o cancro deste país. Basta fazer contas…. Não foram os funcionários públicos que fazem obras e elas sofrem rombos de milhões em relação ao pretendido; não foram eles que trabalham meia dúzia de meses em empresas estatais e saem reformados; não são eles que acumulam salários e pensões e cargos; não constroem aeroportos no meio do nada com erros no asfalto da pista; não são eles que abrem concursos municipais para entrar o do partido; não são eles que fogem ao fisco…. É preciso mais? O mal está nos governantes e enquanto milhares são despedidos, os porcos continuam a governar, mudadndo a cada 4 ou 8 anos.