Ocultismos

‘If the euro fails, Europe fails. We have an historical obligation to protect by all means Europe’s unification process begun by our forefathers after centuries of hatred and bloodshed.’ Angela Merkel, Chanceler da Alemanha

Merkel tem razão, mas sabe que este desfecho parece ser inevitável. Enquanto a “Europa” foi uma Comunidade Económica, todos procuravam construir, produzir e vender. A União é uma realidade bastante díspar, presa a pressupostos meramente políticos sob supervisão dos “mercados”, ou seja, a garantia de uma casta. Estes “mercados” derrubaram os primeiros-ministros da Irlanda, Grécia e agora, de Itália. A interrogação lógica será quanto à real solidez das democracias e ao sistema de legitimização desse mesmo poder. Qualquer um dos primeiros-ministros acima mencionados – Sócrates foi inapelavelmente derrubado pelo voto -, chegou ao governo pela clara vontade dos eleitores. Com ou sem maioria absoluta, o exercício do poder executivo era perfeitamente insofismável. Quando alguns parecem enervar-se quando em alguns destes posts se menciona a falácia da “República” – precisamente a dos Presidentes eleitos por 23% dos eleitores e sua escolha prévia pelas direcções partidárias e empresariais, vulgo “mercados” – , este é sem dúvida, um aspecto muito mais relevante a ter em conta. Se aos “mercados” ligarmos gente do calibre de um Murdoch – que tentou derrubar a forma de representação do Estado na Grã-Bretanha e na Austrália, com tudo o que isso significa -, então estamos perante algo de imprevisto.

Há que dar-lhe remédio.