«Vimos por este meio solicitar que à Região do Alto Douro Vinhateiro seja retirada de imediato a classificação de Património da Humanidade»

Carta enviada hoje por Correio para os responsáveis da UNESCO e do ICOMOS. Enviado também por mail para todos os membros das duas instituições. Enviado pelo Facebook para todos os apaixonados pelo Douro em Portugal e no Mundo*

Dear Sirs,

In 2001, UNESCO classified the Alto Douro Wine Region in northern Portugal, as a World Heritage Site.
In February 2011, the construction of a hydroelectric dam near the mouth of the River Tua, Dam Foz-Tua began, after the project was approved by the Government of Portugal. This dam will destroy all the Tua Valley and its railway and it will cause irreparable losses with regards to the natural, cultural and human heritage of that area and all the Alto Douro Wine Region, classified as World Heritage by UNESCO.
In December 2011, the Government of Portugal, through the Secretary of State for Culture, announced that the construction of the dam wouldn’t be suspended.
Therefore, we hereby request that the classification of heritage site is removed immediately from the Alto Douro Wine Region, since such a classification is not compatible with a landscape marked by a pile of concrete that destroys one of the most important natural regions of Europe.
If it doesn’t happen, UNESCO itself is in question, since it accepts that a landscape is totally garbled after being classified as a World Heritage Site.

Yours Sincerely,

Attachements:

Before: Tua Valley and its Railway – video and photos
Now: Works at Tua Valley
After: Dam Foz-Tua

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TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS

Exmos. Senhores,

Em 2001, a UNESCO classificou a Região do Douro, no norte de Portugal, como Património da Humanidade.

Em Fevereiro de 2011, depois da aprovação do projecto pelo Governo de Portugal, iniciou-se a construção de uma Barragem Hidroeléctrica junto à foz do Rio Tua, a Barragem de Foz-Tua, que vai fazer desaparecer todo o Vale do Tua e a respectiva linha ferroviária e provocar perdas irreparáveis no que toca ao património natural, cultural e humano dessa zona e de toda a região do Douro, classificada pela UNESCO como Património Mundial.

Em Dezembro de 2011, o Governo de Portugal, através do Secretário de Estado da Cultura, anunciou que não vai suspender a construção da Barragem.

Assim sendo, vimos por este meio solicitar que à Região do Douro seja retirada de imediato a classificação de Património da Humanidade, visto que tal classificação não é compatível com uma paisagem marcada por um monte de betão que destrói uma das mais importantes regiões naturais da Europa.

Se assim não acontecer, é a própria UNESCO que fica em causa, pois aceita que uma paisagem seja totalmente adulterada depois de ser classificada como Património da Humanidade.

Melhores cumprimentos,

 

* O Douro que nós amamos – o Douro das paisagens, das gentes, da natureza – não é aquele que nos querem impor: um Douro feito de betão, de turbinas e de lagos artificiais. Aquilo que propomos pode ser polémico, mas não haverá muito mais a fazer. Num país em condições, o Douro continuaria a ser Património da Humanidade e o Vale do Tua teria, ele mesmo, a sua própria classificação.
E porque ainda vamos a tempo, é altura de espalhar esta mensagem por todo o mundo e tornar o Tua uma questão com exposição internacional. Todos os que a leram têm nas suas mãos a oportunidade de fazer algo pela região que todos amamos. Vamos a isso?

Comments


  1. Isto nem a brincar.
    Todos os Portugueses se devem bater por todos os meios pela CONSERVAÇÃO do Douro Vinhateiro e manutenção da classificação pela UNESCO.
    Não se consegue isso fazendo “queixinhas” na UNESCO, pois essa entidade já fez o que podia, recomendações ao Governo Português. É necessário sim pressionar o Governo, que teoricamente responde perante os eleitores, para que suspenda e reveja todo o processo do Tua!

    • Ricardo Santos Pinto says:

      O objectivo é esse, José Pinto, suspender a construção da Barragem para manter a classificação de Património da Humanidade.
      E não, a UNESCO ainda não fez tudo o que podia. Se a UNESCO disser claramente que retira a classificação ao Douro se a Barragem for construída, o Governo vai ter de tomar uma decisão. Para já, a UNESCO fez apenas umas recomendações ligeiras.


      • Pressione-se o Governo!
        A UNESCO fez recomendações ao Governo para que este actue (ou não) de forma a conservar a classificação. A UNESCO não “manda” em Portugal.
        A nossa pressão deve ser direccionada ao nosso governo, com firmeza, repetidamente, até conseguirmos o nosso objectivo.

        • Ricardo Santos Pinto says:

          A UNESCO não manda em Portugal, mas manda na lista do Património Classificado. E se já ameaçou 2 vezes que tirava a classificação e tirou mesmo (na Alemanha e na Jordânia), agora pode fazer o mesmo.
          Claro que se deve continuar a pressionar o Governo, mas é o que se tem feito nos últimos anos com os resultados conhecidos. Basta ver o que disse, ainda hoje, o Secretário de Estado da Cultura.

      • Dario Silva says:

        A Unesco Portugal há já anos que vem sendo informada por escrito do processo de afogamento do Tua em curso.
        Por que não respondem? – Boa pergunta…

      • Rui Taborda says:

        Querem energia ter energia para gastar mas são contra as barragens que é uma forma barata e limpa da produzir, as outras ou estragam a paisagem ou produzem lixo radioactivo ou dão cabo do ozono.

        Querem desenvolvimento mas sabendo que, normalmente, uma barragem contribui para o desenvolvimento não a querem.

        Obviamente que devemos proteger e conservar a paisagem e têm de ser visto e acautelados os impactos desta barragem que vai ocupar, com as suas águas, uma percentagem muito pequena daquilo que é o Douro.

        Haja um pouco de bom senso! Sermos nós a pedir para a classificação ser retirada é, no mínimo, irresponsável.


        • Genericamente tem razão no que diz. No entanto o diabo está nos detalhes.

          Informe-se, por favor, sobre os benefícios desta barragem e como esta vai ser utilizada. Peço-lhe que se informe, veja por exemplo este vídeo.


        • Uma barragem contribui para o desenvolvimento (local), é isso?
          Então concerteza sabe que a maioria dos actuais 150 postos de trabalhos ligados às grandes barragens do Douro estão no Porto, certo? Alguns na Régua… a maioria no Porto.
          E todos a debitar impostos em Lisboa.

          E tem sido assim nas últimas seis décadas.

  2. kirk says:

    Acho esta petição uma palermice do género, “como o governo se anda a portar mal assentem umas palmadas aos portugueses especialmente os do Douro”.
    Se o proponente da petição se sente culpado de alguma coisa é lá com ele. Eu não assino merdas destas que objectivamente atiram para cima de mim parte da responsabilidade do que o governo anda fazer. Eu nem sequer votei neles.
    Imagino as pessoas da UNESCO quando receberem a carta a comentarem: “estes gajos não batem bem!”
    K

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Isto não é uma petição. É uma atitude em nome individual.

      • kirk says:

        Desculpe, tem razão.
        Mas ainda no que respeita á sua carta, acho que a subtileza que se encontra por detrás do que escreveu pode ser incompreendida, pelo que é preferivel ser-se claro. E o que se pode concluir é que Vc tem uma genuina vontade de que seja retirado ao Douro a classificação de Patrimonio da Humanidade. Desde que a UNESCO não o faça, eu estou-me borrifando se o governo pára ou não a barragem. É preciso é que o Douro continue a ser um pólo de enriquecimento da economia regional, mesmo que seja ao preço de uma barragem.
        Espero que este pragmatismo não seja mal interpretado.
        K


        • Está-se a borrifar para que o Vale do Tua seja ou não destruído. Por mim, estou esclarecido.
          Quanto ao Douro, é só ver o que tenho escrito sobre o assunto.

          • kirk says:

            Interprete como quiser
            Ainda prefiro o Douro como Patrimonio da Humanidade, mesmo com barragem.
            Esclareçamos uma coisa: o esforço deve ser dirigido, dentro do nosso país, no sentido de impedir o governo de construir a barragem.
            Se as UNESCO achar por bem ameaçar o governo de que retirará esse Patrimonio ao Douro se aquele prosseguir com a construção da barragem, óptimo; mas não vou ser eu a dizer-lhes que o façam.
            K

          • Dario Silva says:

            Oh Kirk,

            Explique-me uma coisa: essa barragem do Tua serve para quê?

  3. Tiro ao Alvo says:

    Já estamos no tempo de fazer queixinhas? Eu, por mim, acho que nos devíamos ir queixar ao…não digo, adivinha.


  4. Não interpreto como quero. As palavras são suas: «eu estou-me borrifando se o governo pára ou não a barragem».
    Infelizmente, não é por causa da minha carta que a UNESCO vai fazer seja o que for.


    • Na minha forma de ver, a barragem é uma coisa e a classificação UNESCO outra muito diferente, mas estão indissociáveis pois uma interfere com a outra e não se poderá ter ambas.
      Se o governo obrigue a EDP a alterar o projecto da barragem e retirar as obras para fora do perímetro classificado pela UNESCO, acatando as recomendações, pelo menos um problema ficaria acautelado.
      Claro que eu pessoalmente continuarei a ser contra a tal barragem, mas nunca a em nenhuma circunstância defendo que se peça a desclassificação do ADV, isso é uma catástrofe de enormes proporções para o nosso país.
      Além disso, é uma iniciativa que pode dar armas aos defensores da barragem, pois para eles a classificação e o património nada valem, nem percebem o que está em causa aqui.

  5. Tiro ao Alvo says:

    “Infelizmente, não é por causa da minha carta que a UNESCO vai fazer seja o que for”.

    Se sabe que é assim, por que tomou a iniciativa? É só para chatear? Olhe que os tipos da Unesco não se chateiam com pouco.

  6. Não ao PREC de direita says:

    Capitão Kirk e afins, voçês ainda acreditam em milagres? Querem que vos explique o proposito da carta? É assim tão dificil compreender, que para se chegar a redigir documentos como estes,é porque já se fez tudo e mais alguma coisa, com demonstrações cabais, dos mais variados técnicos das mais diversas áreas cientificas, que atestam a inocuidade das vantagens (e a gravidade das consequências) que nos querem propor com a construção da “obra prima”?
    Quem não vai fazer nada é este mais do que comprometido governo do pilim!
    E sim, esta é uma forma, quiçá a melhor, de pressionar o governo, colocando a UNESCO a encostar à parede, viegas, ministra dos paredões de betão virtuais e companhia limitada – simplificando a questão: fazem a barragem, perdem o galardão, e acabam-se estes discursos de paninhos quentes asquerosos, de supostas medidas de redução de impacto ambiental pró EDP(como se fosse possível minimizar algo ferido de morte).

  7. Tiro ao Alvo says:

    Esta malta que anda por aqui, militantemente, a lutar contra a construção das barragens, é composta, penso eu, por dois grandes grupos. Um, o mais numeroso, é constituído por gente de boa-fé, amiga da natureza, que tem receio de que estejamos nós, a geração actual, a destruir irremediavelmente este planeta, a comprometer, de forma egoísta, a vida das gerações vindouras (a este grupo se aboletaram também alguns extremistas, daqueles que só matam uma pulga às escondidas, por que acham que tudo que é natural é bom e tudo que é pequenino tem graça…).Outro grupo, bem pequeno, é constituído por gente que anda a tirar proveito desta causa, em si nobre, quer para alcançar notoriedade, quer mesmo para obter privilégios e sinecuras, algumas bem rendosas, nomeadamente em viagens, ou, dito por outras palavras, anda muita gente a defender a “paisagem” como forma de alcançar o “poder”. A qualquer preço.
    No caso da barragem do Tua, esta gente está-se nas tintas para que a dita barragem ocupe muito menos de 1% da área protegida do Douro e que o impacto na paisagem será pouco significativo, podendo, até, servir de atracção, como lembrou o Dr. Cadilhe; e que o abandono da obra só trará desvantagens, não sendo desprezível o valor já investido, pelo contrário: já está ali enterrado muito dinheiro e repor a paisagem custaria quase outro tanto.
    Uma coisa tenho como certa, se gente desta tivesse poder ao logo dos tempos, nunca o “Douro Vinhateiro” existiria e, muito menos, poderia ser considerado património da humanidade, uma vez que todos aqueles montes foram rasgados pela mão do homem, umas vezes com ajuda de máquinas, outras a tiro e, em muitas outras, à força de braços. Já vivi o tempo suficiente para ouvir gente indignada contra a plantação de vinha no Douro, acusando os promotores de andarem a esventrar a natureza, como esta gente anda agora a fazer, uma parte, penso eu, de forma interesseira.
    Concluindo: basta de nos andarem a atirar areia para os olhos!

    • Nuno Duarte says:

      Já agora em que grupo se incluí a si próprio? posso dar uma sugestão? juiz em causa própria, ou talvez no grupo dos iluminados e donos da razão. No entanto confunde as questões, é diferente trabalhar com e trabalhar contra a natureza, não existem dúvidas quanto à natureza desta barragem, ou então argumente quanto aos fabulosos benefícios deste empreendimento turístico, perdão energético, contrapondo a informação que o autor deste blogue apresenta (impacte, custo, produção energética – que curiosamente está na razão dos tais 1% de que fala para o total de energia produzia nacional). Confesse lá, também gosta de atirar areia para os olhos não é?

  8. Zuruspa says:

    Gostei MUITO desta iniciativa!

    E sim, a UNESCO retirou a classificaçäo ao vale do Elbe perto de Dresden por lá fazerem uma ponte que descaracteriza o meio envolvente. O que näo fará a uma barragem que descaracteriza e ainda provocará mudanças edafoclimáticas (que também fazem perigar a produçäo do Vinho do Porto).

    Mas pronto, a Alemanha “só” tem mais de 30 sítios Patrimóno Mundial (30 acessíveis por comboio), mais um menos um näo lhes faz falta. Nem a Alemanha apregoa que “o turismo é um dos activos mais importantes do país”.

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