A educação

“A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo ” (Mandela).
Fiquei a observar, demoradamente, 5 imagens que o DN publicou hoje (16/12). Surrealista: crianças de um colonato na Cisjordânia assistem a uma aula sentadas nos destroços após a demolição das suas habitações pelos militares. É uma dúzia de rapazinhos com um grande livro sobre as pernas, que lêem algo em coro com o professor sentado numa cadeira. A escola não deixou de «abrir as portas» face ao ocorrido. A educação não pode esperar…
” É uma forma de vida” – disse ontem o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, numa conferência. Defendeu ainda que “a maior aposta deve ser na educação”, “o nervo fundamental de qualquer política cultural. É do trabalho que fizermos hoje nas escolas que depende a criação de públicos (…)”.
Palavras bonitas de um escritor que se vê nos sapatos de político e é obrigado a dizer que “temos de nos habituar à realidade”: não há dinheiro.
Corta-se no número de professores, no número de disciplinas, no número de escolas, nos financiamentos (as universidades perderam milhões – reitores avisam que a qualidade pode estar afetada).
Disse ainda com um sorriso: “o trabalho na educação demora tempo a dar frutos mas é essencial”.
Corte-se então naquilo que não é essencial e tragam de volta os professores para as escolas onde há tanto trabalho para ser feito.
Respeitem-se, mimem-se os professores para quem a educação é uma vocação e uma forma de vida.
Sem o professor que os chama a virem sentar-se um pouco para estudar, os meninos daquele colonato passariam o dia a remover destroços, ou a procurar as suas galinhas ou correndo riscos enquanto brincam sobre a destruição provocada por quem tem o poder e as armas.

Céu Mota

Comments


  1. Excelente! Subscrevo totalmente!

  2. Pentesileia says:

    Serão os governos o espelho das sociedades? Uma sociedade em que alguns (muitos!) dos seus membros aceitam passivamente a falta de emprego, a espoliação dos seus já fracos recursos e tantos outros atentados aos seus direitos e só reagem, por vezes com violência extrema, se o seu clube perder; uma sociedade que paga mal aos professores mas despende quantias absolutamente imorais em vencimentos de analfabetos que só sabem dar pontapés numa bola; uma sociedade que aprecia programas como “A casa dos Segredos”, só pode ser uma sociedade gravemente enferma. E este governo é, de facto, o espelho desta sociedade.


  3. a qualidade pode estar afetada

    Afetada? Como lê esta palavra? E, bofetada? Como lê? Que grafia distingue agora a leitura distinta destas 2 palavras?
    Está provavelmente a pensar que o meu comentário não tem nada a ver com o seu belo texto? Engana-se.
    Para destruir um povo não é preciso usar armas, basta destruir-lhe a língua*, o suporte de toda a compreensão. É até muito mais eficaz e o resultado muito mais permanente. E, apesar disso, causa muito menos indignação, porque poucos são os que se apercebem dessa destruição.

    * http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2010/11/novilingua.html
    http://www.presseurop.eu/pt/content/article/1034191-poupem-nos-esta-novilingua-europeia

  4. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Aquelas obsevações do agora reduzido a secretário de estado da culturainculta são assustadoras já que nem um chefe de divisão as faria e sendo que mais parece um chefe de economato

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.