Richard Swartz: o crescimento não se compra assim

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Fonte: Presseurop

Observação

O título deste ‘post’ e o ‘cartoon’ foram retirados do ‘site’ da Presseurope, com o objectivo de utilizar um lúcido e perspicaz artigo de Richard Swartz, no jornal sueco ‘Dagens Nyheter’, fundado em 1864.

A propósito do artigo

Reproduzo o texto do último parágrafo:

     A questão está em saber de que irá viver uma série de países europeus no futuro, no contexto atual de globalização. Ninguém parece ter uma resposta. Tudo o que se sabe é que vai ser preciso mudar radicalmente de estilo de vida. E que a China, muito mais do que a Alemanha, se encarregará disso.

Com efeito, a enorme dúvida é, de facto, esta, perante a evidente incapacidade dos líderes europeus actuais.

O conteúdo do artigo é consistente e preciso, ao destacar o desmantelamento de economias europeias. Sobretudo no Leste, e no Sul em que nos integramos.

Há uma visão e uma torrente de opiniões limitada aos tempos de Sócrates, no decantar dos disparates do ex-PM, que sempre combati e denunciei. Ainda agora o pastoso monetarista Gaspar, numa reunião do FMI e Banco Mundial em Washington, demonstrou não querer manifestar ou não saber que, a somar a Sócrates, existiram continuados desmandos contra a Economia Portuguesa, desde as políticas de Cavaco Silva, replicadas por Guterres e governos seguintes.

A despesa externa pública e também a privada, que é sempre omitida, foram amontoadas ao longo do tempo por capitulação e interesses em beneficiar construtores civis, grandes operadores de obras públicas e, finalmente, a banca que integrou, desde sempre, todos os consórcios criados, desde o Centro Cultural de Belém à Expo 98, das auto-estradas aos aterros sanitários, dos mercados abastecedores aos estádios do Euro 2004, de hospitais a outras estruturas criadas em regime de PPP… enfim, de tudo o que foi obra, desde um esgoto às abundantes rotundas.

Tudo foi feito desde Cavaco, repito, com intenso recurso a financiamento externo, público e privado, e fomentado pelo ilusório auxílio dos subsídios europeus que, uma vez aplicados, depressa retornavam a bolsos do Centro da Europa para pagamento de serviços, bens de equipamento e outros como veículos de turismo e carga. A facilitação do acesso a crédito atractivo fomentou os negócios.

Como Richard Swartz sublinha no artigo, no Sul da Europa houve um desastroso desmantelamento da economia. No caso de Portugal, e desde 1985, o fenómeno consumou-se através da subsidiada redução da produção agrícola, da venda de licenças de pesca no País que tem a mais extensa ZEE e é o 3.º mundial no consumo ‘per capita’ de peixe, na alienação a capitais estrangeiros da Siderurgia Nacional, de divisões e sociedades do grupo CUF, da Covina, da Sorefame e de muitas outras que, paralisadas, deixaram de ser o esteio da economia nacional; a par da destruição de uma poderosa Marinha Mercante – Companhia Colonial de Navegação, Companhia Nacional de Navegação, Sociedade Geral e Empresa Insulana de Navegação – extinta com a voraz insanidade com que, no presente, o governo se propõe nacionalizar a ANA e a TAP.

Richard Swartz, repito, colocou o dedo na ferida. Alheio à mexeriquice do luso pátio politiqueiro, aborda com precisão os erros cometidos no Sul da Europa. O diagnóstico assenta-nos como uma luva. E agora qual será a terapia? Pergunta ele e pergunto eu.

Comments


  1. Caro Carlos, é impressão minha ou o seu texto não terminou? […] a outras estruturas criadas em regime de ???

  2. Carlos Fonseca says:

    Cara Isabel, houve, de facto, aqui um fenómeno que não consigo explicar. Ao que suponho, inadvertidamente, o ‘post’ foi fublicado ainda a meio de estar redigido. “Erro do sistema”, como é usual dizer-se…:)
    Tenho tido alguns problemas com a Internet no local onde me encontro na Cova da Beira. Na próxima semana, estarei no Alentejo e pode ser que fique tudo mais calmo.


  3. “Fanicos” das tecnologias informáticas! 🙂 Muito obrigada pela explicação, caro Carlos, e agora sim, parece-me completo o texto.

  4. kalidas says:

    Na minha opinião, somos desde o governo de Cavaco Silva uns meros, teóricos, somos uns empíricos, uns experiencialistas. Foi o experimentalismo da construção do barco de pesca, primeiro a remos depois à vela, ao longo da costa e depois cada vez mais ao largo, que nos lançou na aventura das Descobertas Fomos, pelo nosso próprio pé. Quem quer vai, quem não quer manda. Há uma grande diferença entre teoria e prática, entre experimentalismo e experiencialismo. A experiência se não passar a ciência é tempo perdido; é conversa da treta. Na década de 70, exportava a Plessey, a Sicasal, a Metalurgia Duarte Ferreira, acabou tudo com Cavaco Silva. O homem que instituiu os direitos adquiridos e pôs o Estado a comer tudo.Quem não vai pelo seu pé, não pode escolher caminho, será empurrado para a espiral, e só tem um destino: o buraco negro, que a figura mostra. Mas deve ter um rica morte, pelo menos à primeira vista é o que dá a entender.

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