Assim cantamos e escrevemos
nas cartas e nas paredes.
Porque nem vida nem sonhos
cabem nas malhas das redes
que o inimigo nos lança.
Temos coisas na lembrança
que cantamos tantas vezes.
Ao ponto de ser mais branca
uma canção sobre os meses
que uma pomba em pleno voo.
Velha canção que eu entoo
vinda não se sabe donde.
Até que um dia em seu voo
descubro um verso que esconde
raiva e amor misturados.
Como se fossem recados
de um preso em sua prisão
ou dos gaiatos roubados
de sangue, sonhos e pão
sem alegria, cantando.
Porque o canto anda contando
a quem tem sangue nas veias
como se destrói o mando
e se assaltam as ameias
de quem nos quer sitiar.
E por ser dito a cantar
não é menos verdadeiro.
Andam pombas a voar
no coração guerrilheiro
que pela Paz, faz a guerra.
Homem que nunca se enterra
nem no chão nem na lembrança
nem quando a arma se emperra
e a bala sai rosa-esperança
pelo cano do poema.
Manuel Correia







Sentir “Abril” hoje é tão importante, e a democratização da sociedade pode estar em causa com as interferências dos governos na gestão da internet. E como vivemos numa sociedade global, é importante conhecer o mundo global, e essa foi uma das razões para a criação da revista Raia Diplomática…
Nenhuma revolução para conquistar a liberdade havia sido feita no mundo com flores da mão e na boca das espingardas – foi um dia tão bonito e as ruas e a cidade na RUA – Tenho uma fotografia tão bela de um velhote já mesmo velho na avª da Liberdade, encostado a uma árvore, com um cravo ao peito acompanhado do seu talvez único amigo e familiar – o seu cão, ele também com cravo na coleira que era lindo de se ver pelo menos – Depois a explosão de graffitis só alusivos à libertação de abril que fotografei por toda a cidade – Depois então, a “contaminação” da Revolução de Veludo de VaclavHavel que mais tarde veio “tratar-se” no sol algarvio -.Depois, depois, não mais revoluções pacíficas que, como em 2012, foram tentadas na Primavera Árabe – Só canhões e tiros e mortes e repressões e cargas policiais e empobrecimento dos povos – Um novo nazismo que paira no ar – poluído – de todas as formas – Hoje fui a uma conferência dada por uma “grega” que falou da “tragédia grega” – Creio que falava de mais paises e ouví-a como se falara do meu país, tal é o decalque que entendi das suas palavras