Num instante tudo muda

Ao folhear o Público de hoje, fui atraída pela frase “O futebol como coreografia da vida” do deputado do PS, Francisco Assis, que escreve às quintas naquele diário. “Gosto de futebol como jogo, paixão, estratégia, coreografia e vida. Está lá quase tudo”.

Refere-se, sobretudo, ao desempate por grandes penalidades, comentando de forma curiosa e muito interessante (parabéns): “Já não há mais jogo, só penáltis. O estádio pára. O tempo desaparece. Estamos perante a tirania da geometria pura. De um lado um marcador, de outro um guarda-redes. Esquecemo-nos que são homens, de certa forma deixaram de o ser. Solidão absoluta envolta numa multidão muda e expectante. Não é imaginável uma situação mais cruel. Pura existência individual confrontada com o destino. (…) Curiosa metáfora de tantas vidas. Contudo, num instante tudo mudou. (…) Um “golo é muito mais do que um golo. É arte, paradoxalmente imprevisibilidade e dir-se-á que foi feita justiça. Provavelmente foi o génio que triunfou. Seria reconfortante pensar que as duas coisas andam a par. Fiquemos satisfeitos por admitir que por vezes elas não se contrariam. Já não é pouca coisa.(…)”

A vida feita de instantes de arte, justiça, injustiça, génio, crueldade, azar… Feita de instantes de glória e de falhanços.

Também penso que há muitos momentos em que estamos completamente sós: nós e o problema, «o marcador» e o «guarda-redes». Não podemos contar com mais ninguém. E ninguém pode resolver «a coisa» por nós. «A multidão» não pode fazer nada. Tudo está nas nossas mãos. É também o «agora ou nunca» do instante.

Abolir as grandes penalidades? Há quem defenda isso. Afinal já «não é jogo»…

Tal como a selecção portuguesa, ganhamos umas, perdemos outras. Olhemos para a frente, chegará outra oportunidade!

Comments

  1. Atento says:

    Parece que sim, num instante tudo muda.
    Então você já faz postes sobre futebol? Já percebe alguma coisa? Já gosta?
    Ganhamos? Perdemos? No plural? Próxima oportunidade? Então já não é um escândalo o dinheiro que se gasta em hotéis e não sei que mais?
    Há gente que não tem um pingo de vergonha!!!


    • Você é mesmo atento!! E o que tem uma coisa a ver com a outra?

    • Maria do Céu Mota says:

      Ainda para Atento: o que me interessa neste post é evidenciar a metáfora que Francisco Assis concebe entre o futebol e a vida, nomeadamente no que diz respeito às grandes penalidade. Achei-a curiosa.


  2. Desculpe Céu, mas tenho que meter a colherada!

    É que esse Atento não atenta em nada! Não percebeu patavina do que a Céu tão bem transmitiu, ficou totalmente aquém da analogia, mas acha-se no direito, com grande parangona, de ser tão imbecilmente mal educado!

    Realmente, há gente que não tem um pingo de vergonha!

    Desculpe Céu, mais uma vez… é que hoje estou sem paciência para a mediocridade…


  3. Ó caro Atento, “postes” só mesmo os das balizas!

    Se quiser referir-se a “post”, palavra inglesa que significa, neste contexto, “mensagem”, use ou a palavra inglesa ou a palavra portuguesa mas evite, por favor, fazer a mixórdia que fez ao usar “postes”!

    Não é por nada, mas é visualmente chocante!

  4. maria celeste ramos says:

    Pois é – a grande capacidade de nunca dizer nada – o que acontece para quem nada tem dentro – e quanto aos “postes” plural de pos – que interessante – não posta nada coitadinho e ainda ao menos se não soubesse escrever e o plural em inglês podia ao menos dizer algo interessante – mas não – só deu “postes-postas” de um peixinho que já desapareceu de Portugal para se preferir a “pescada” castellana – que vazio se instalou – tantos comentadores só “postas de pescada” (de Vigo ??) – mas não admira pois que o ministro da educação que dá pelo nome de Crato não tem mais capacidade que o “atento” deste post – tudo tem explicação


  5. O Público não se desfolha, folheia-se…
    E ‘poste’ está muito bem. Porque não?

    • Maria do Céu Mota says:

      Ups!Obrigada!Já corrigi. O meu texto saiu hoje no Público, e não corrigiram a palavra…


    • “Poste” significando mensagem (e “postar” significando publicar mensagem), estará muito bem para quem gosta de ir polvilhando a língua portuguesa com estrangeirismos da moda…

      Não gosto. Sou purista no que à língua toca.

      E a língua portuguesa tem tantas palavras, tantas e tão belas… Não é bem mais bonito dizer “fiz uma pesquisa no Google” do que “googlei”? Ou “acabei de publicar uma mensagem no meu blogue” do que “acabei de postar no meu blogue”?

      Enfim! Qualquer dia, com tantas “aquisições”, em vez de língua portuguesa, temos uma salada luso-hispano-brasileira-anglo-francesa com uma pitada de russo!

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