Carta do Canadá: Eleições e Lições

Que a Grécia esteja  a ser governada por dois partidos que obtiveram um resultado tangencial nas eleições, a Nova Democracia e o Pasok, afigura-se tão grotesco como pôr pirómanos a apagar incêndios. Porque foram eles os grandes responsáveis pelo estado a que o país chegou, já que se alternaram no poder por dezenas de anos. Por acção, omissão,cumplicidade e incompetência, foram eles que institucionalizaram a corrupção, a ausência de reformas estruturais atempadas, a completa vigarice nas contas apresentadas a Bruxelas, o mais relaxado deixa andar no abandono da agricultura e pescas, a estúpida indiferença face ao declínio industrial. Desgraçaram o povo e encheram os bolsos aos bancos, aos milionários armadores, aos especuladores desenfreados. Puseram a Grécia de joelhos, à beira da bancarrota e da perda de soberania, quando celebraram contratos ruinosos na compra de submarinos, navios e material de guerra com que a Alemanha os seduziu. Insulto sem perdão a um povo que pagou a invasão do seu território pelas tropas nazis, durante a Segunda Guerra, por um inenarrável preço de sangue e escravidão. Perfeitos traidores.

No entanto, a Grécia pôde entrar irresponsavelmente na União Europeia, enquanto Portugal só o pôde fazer sem as colónias e promovendo uma revolução. A uns exigiu-se tudo e a outros, nada, o que dá bem a medida da falta de equidade das cúpulas europeias. No entanto, a Nova Democracia e o Pasok chegaram de novo ao poder, por via eleitoral, porque foi indecente e ultrajante a campanha mediática internacional, feita de ameaças, feita de meter medo, pela Alemanha. Feita pela principal interessada na manutenção das suas marionetas ditas governamentais, na Grécia e em todos os países europeus. Enquanto os países do sul se afundam, a Alemanha enriquece mais e mais, incha de tal modo na sua arrogância que os seus nababos tiveram o desplante de sugerir que a Grécia pagasse a dívida vendendo as suas ilhas. Hoje as da Grécia, amanhã as ilhas de Portugal, da Espanha e da Itália, quem sabe – a avaliar pelas obras de arte “adquiridas” durante a guerra e orgulhosamente exibidas nos seus museus, compreende-se que a Alemanha é voraz, é insaciável. Umas vezes invade com tanques, outras vezes com uma cadeira de rodas e negócios de arromba.
Lamentavelmente, uma parte do eleitorado grego deixou-se amedrontar e o resultado està à vista. Para piorar, a Esquerda Radical cometeu um erro trágico: rejeitou o memorando da troika, mas dispôs-se a negociar. Era a quadratura do círculo. Povo milenar é povo que abomina incoerências e tibiezas em  hora de aperto. Por tudo isto, o actual governo grego está ferido de morte. Cai qualquer dia, é uma questão de tempo. E os partidos de esquerda vão ser obrigados a acabar com as suas intermináveis querelas e ziguezagues. Os partidos políticos, ali como noutros países, estão desacreditados.  A revolta será popular e de baixo para cima.
A Alemanha quer ser a potência dominadora de uma Nova Ordem –  velho sonho de Bismark e de Hitler. Mas pode preparar-se para uma longa e tremenda resistência.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Este texto respeita à Grécia ou Portugal ?? até nos submarinos parece haver paralelismo já que até no CM (que não é leitura de intectuais) vem a notícia “FISCO perdoa luvas dos submarinos” – Almirante tinha um milhão de euros na Suiça ++++++++++++ RTP paga um milhão de euros a “gestores” ++++++++ PJ caça rêde de tráfico de remédios ++++++ etc Mas Sara Moreira meio-fundista – conquistou a 1ª medalha para o país nas Europeias de atletismo de Helsínqua – que foi de bronze – estão mesmo a apertar Paulo Bento que sabe “falar” independentemente ao que se passou

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