Privatizar a enfermagem, um excelente negócio

Ainda mais escandaloso do que pagar 3,96€ por hora a um enfermeiro, é o que acabo de ouvir numa rádio: na realidade o estado paga 5€ por hora a uma empresa, esta por sua vez é que fica a ganhar 1,04€ pelo trabalho alheio. Pior ainda, segundo um dirigente sindical o gamanço pode atingir 50% do que é pago pelo estado.

É o capitalismo em todo o seu esplendor. Uns vendem a sua força de trabalho a preço de saldo, outros apropriam-se de uma mais-valia completamente absurda, limitando-se a seleccionar candidatos e a tratar da contabilidade.

Temos por exemplo uma tal de Medicsearch, citada na notícia. Vai-se a ver é pertence à Fly2doc, uma multinacional deste ramo do esclavagismo moderno, pomposamente baptizado de “serviços de consultoria de recursos humanos para a área da Saúde“.

Claro que perante isto só podemos repetir que o nosso mal é estado a mais e privado a menos, que andávamos a viver acima das nossas possibilidades e urge cortar nas gorduras do estado. Haja mais privado, alguém lucrará com isso sem sujar as mãos num único doente.

Comments

  1. jorge fliscorno says:

    A mim o que me choca é alguém com 15 de especialização acabar a ganhar 300€ por mês.

    Quanto aos 20% que essa empresa retém do que recebe do estado, é melhor ver quais são os custos administrativos do estado quando é ele próprio a contratar. Não os conheço mas não me surpreenderia se fossem nesta ordem de grandeza.

    • sergio says:

      e parece-lhe que a solução é ir buscar os custos de contratação ao que deveria ser pago ao enfermeiro?


    • Acabo de ver o administrador da empresa citada queixando-se de ter ficado com uma margem muito baixa. O que estás a esquecer, Jorge, é que o lucro da empresa supera sempre os gastos administrativos do estado. Razão pela qual os hospitais privados custam mais do que os públicos, por exemplo…

      • jorge fliscorno says:

        Eu não iria tão depressa para uma conclusão dessas. Não esquecer toda a estrutura de chefias que é habitual na FP até se chegar ao que de facto faz o trabalho. Isso são custos administrativos (salários, pessoal auxiliar das chefias, regalias profissionais, ….)

        Para mim o que está aqui em causa é mesmo o preço máximo que o estado está a colocar a concurso, levando a uma verdadeira escravatura. Esta existe, sim, mas provocada pelo estado, já que não é a margem de lucro que a empresa tira que levaria a que esses profissionais passassem a ser bem pagos.


        • Chefias? mas essas são as mesmas, estamos a falar de tarefeiros que depois se integram na cadeia hierárquica existente. Ou seja, de falsos recibos verdes contratados através do expediente de se contratar uma empresa. Mais caro para o estado, sempre.

          • jorge fliscorno says:

            Falo dos departamentos de recursos humanos que fazem a gestão de pessoal.


          • Mas esse departamento continua a existir. É que estes enfermeiros não trabalham sozinhos, vão trabalhar com os do quadro…

          • jorge fliscorno says:

            Vamos lá ver. Eu não estou a dizer que vai haver redução de custos porque é uma empresa a contratar. Esses custos vão baixar porque o estado abriu um concurso onde definiu um tecto máximo a pagar.

            O que eu quis sublinhar é que os 20% que essa empresa terá de custo de operação não são superiores (julgo eu) aos custos que haveria se fosse o estado a contratar. Ora se essa empresa está a roubar ao salário do enfermeiro porque fica com esses 20%, pela mesma lógica também o estado está a roubar a esses mesmos enfermeiros valor que poderia ser do salário deles.

            O que me indigna nesta história é que é o próprio estado que está a levar estes profissionais para uma situação miserável. E fá-lo, repito, não por contratar uma empresa mas devido ao vergonhoso tecto máximo que estabeleceu.


          • Aquilo a que chamas custo de operação pode chegar aos 50%. Convenhamos que isso corresponderia a que por cada 2 enfermeiros o estado contratasse um administrativo a ganhar o mesmo. Nem em Portugal…

          • jorge fliscorno says:

            Creio que te referes à notícia da TSF que diz «A Administração Regional de Saúde de Lisboa garante que o valor de referência para subcontratar enfermeiros é 10 euros/hora, mas estes profissionais queixam-se de receber apenas quatro euros por causa da parte cobrada pelas empresas de serviços.»

            Não sei se terei percebido bem. O estado paga 10 euros à empresa e ao trabalhador chegam 4 euros líquidos, será isto? Se assim for, há a descontar a esses 10 euros
            – IRC
            – IRS (retenção na fonte)
            – Segurança social (caso estejam a contrato)
            – Despesa de funcionamento da empresa
            – Lucro da empresa.

            Quanto é que sobra dos 10 euros? Em valores médios, talvez 10 – 10*0.25 – 10*.0.16 – 10*0.11 – ? – ? = 10 – 2.5 – 1.6 – 1.1 – ? – ? = 4.8 – ? – ?.

            Ou seja, depois de impostos, desses 10 euros sobram 4.8.

            Se o estado não contratasse, estes impostos não existiriam e, sim, daria para dois enfermeiros. Mas, novamente, há máfia aqui por parte do estado porque assim, graças ao que vai buscar pelos impostos cobrados, em vez pagar 10 euros por cada enfermeiro, paga 4.8. Menos de metade.

            Há chulice desenfreada, sim senhor, mas é por parte do estado.


          • Trabalham a recibos verdes, donde os descontos são feitos pelos próprios, ou seja, vão sair dos 4 euros que recebem… A empresa limita-se a passar-lhes os recibos, e a ficar com o “excedente”.

          • jorge fliscorno says:

            Bom, ali misturei um pouco as contas porque o IRC incide sobre o lucro. Supondo que as despesas de funcionamento correspondam a 10% da facturação, teria que ser mais ou menos assim:

            Valor tributável = 10 – PagamentoAoEnfermeiro – DespesasFuncionamento = 10 – 4 – 1 = 5
            IRC = 5*0.25=1.125
            Lucro=5-1.125=3.75

            Um lucro de 37.5% é invejável. Mas temos que ver que é o estado, para pagar menos pelo trabalho, que patrocina isto.

  2. MAGRIÇO says:

    Esta roubalheira abominável só é possível porque o estado se demitiu da sua obrigação de proteger o cidadão contra estes abusos dos novos negreiros. Para que serve um estado que tem uma prática de afrontamento e espoliação dos seus cidadãos?

  3. nightwishpt says:

    As agências de consultadoria são praticamente o anti-cristo.


  4. Contratam empresas de prestação para clamarem que dimunuíram o nº de funcionários públicos… Falácia, pois os novos continuam “públicos”, camuflados de “privados”, pois é o Estado que continua a pagar.
    Depois, e o mais grave, alijam responsabilidades. Ao remeterem para as empresas contratadas a responsabilidades pelos fabulosos 4 euros/hora que os enfermeiros poderão auferir, “esquecem-se” que, ainda que as empresas que os sub-contratam nada ganhassem, os enfermeiros nunca ganhariam mais que 5.19 euros/hora. Magistral, não?
    Moral, a tal que vós, neoliberais, tanto apregoais, precisa-se. Ética, aquela que é universal, não pode também ela arredar-se daqui!

  5. maria celeste ramos says:

    JJC-eu também ouvi na TV-falar sobre o que se passa com os enfermeiros (2 julho 2012) – não se pode acreditar senão acreditarei no PCuelho-mas conto-lhe uma coisa- quando trabalhava no GAS 12 anos (Gabinete da àrea de Sines) que foi extinto por “indecêcia”) – as pessoas mais humildes (contínuas e mulhesres da limpeza) recorriam a mim (e só a mim) para falarem em coisas da sua situação profissinal de classe profissional (e não só) – estas senhoras eram funcionária do GAS como eu (assalaridas pelo que fiz a 1ª e única greve na vida para termos quadro e conseguimos) e as que se seguiram pois estam sempre ou a sair (para melhor) ou por promoção, passaram a ser “fornecidas como mercadoria” por uma empresa de bserviços chamada MAN POWER – ou seja, o GAS pagava na altura 40 contos (eu escrevi contos) e elas recebiam creio que 4 – na~sei precisar mas soube
    Eu tinha o mau hábito de ir a Paris 2 vezes/ano e uma vez fui visitar pela 1ª vez na Défense (que já nem recordo se fica perto ou longe do seizième (onde os meus amigos viviam e onde tinha sempre lugar) visirar La Grande Arche – que achei mais do que fantástica – essa janela aberta para o mundo (o complicado é, como deve calcular) a “núvem” ou seja, um pano a meia altura (a altura total é se não me engano de 100 metros” e nas paredes laterais é claro, estavam instaldas todas as multinacionaos do mundo – e no espaço praça em frante os meninos faziam skate que adorava ver ainda aqui havia pouco ou nada
    Claro que há 2 locai da “janela” (tenho um livro com imagens e história ++ etc de Grands Oeuvres Publiques de Paris – fui assim visitar a “cave” fantástica e li o que estava escrito para turista ver e jlá estava a construção pelos portuguses (o projecto é de um escandinavo qualquer que não recordo o nome) e fiquei espantada pelos portugueses (o mesmo com a Pyramie de mão de obra portuguesa e adorei a Prramyde mesmo a lixar o pátio no Louvre) – depois de visitar a cave do sous-sol fui visitar o “toît” e se a vista sobre paris é maravilhosa, o resto não – ou seja, o toît é uma excepcional varanda (quel state bulding que me meteu mêdo) em que o chão é de azulego preto e banco (lageado) mas com o ZODÍACO desenhado em pedra – fantástico – eu que adorei ler astrologia achei inédito ver o zodíaco ali e tinha igualmente escrito MAN POWER – a tal muitinacional ali sediada e contratada para o GAS – e aquele luxo só podia existir sendo empresa sub-contradora das empregads da limpeza do GAS a recebem bem do GAS que pagava um % que gostaria de lebrar mas não consigo – assim o que se passa com os enfermeiros de Portgal a ganhar esse valor de que fala – a empresa contratadora que não sei se dela falaram é que vai com a mão ao POTE e o deagraçado do enfermeiro não vale nada de nada mesmo sendo já até curso tão superior como o de medicina, como sabe – POIS é vivemos nestes Man Power há mutis anos mesmo sem saber mas eles sabem que Portugal é uma “mina” senão não viriam aqui comer os “PIG” – desculpe o palavrão a que não resisto – este PUTEDO pelo que hoje vejo futebol e futebolistas pois sendo o que é e eu não avalizo, é melor ver o SALTO lindo de Ronaldo e os Nénés e os Cardozo e os Messi e os CAsillas do que ver o putedo que também invadiu a TV nos noticiários como esse taco do sr Mendes bem penteadinho que me dá vontade de vomitar como todos – não há um que aprecie esses Ângelos, esses Relvas, esses que nem quero fazer força para me lembrar – e adoro a alegria dos portugeses (e elas) que descontrariam e fazem do futebol uma festa, à falta de melhor – ai esqueci-me de r hoje ao 1º conterto no Pa´ti do S.Carlos – sou mesmo desmemoriada
    Vou mas é alimentar-me para aliementar, também, a raiva que me alimenta e faz funcionar o mau “fígado” – atingiram os enfermeiros + professores – os médicos já é mais difícil – atingiram os FP da minha categoria “lambendo-me” 2 subsídios e aumentando descontos em IRS – teho de comprar “toatre” castellanos porque o maior produtor de tomate que era ribatejo onde nasci já nada produz par dar a frança e castelle a até hoanda e o resto do putedo pelo que tenho de COMER e calar mesmo que os tomates tenham mais químicos do que o que deviam ter – Portugal foi já o maior exportador do mundo de tomate pelado – tão bom como o tomate português só em Marrocos onde comi tomate recheado fantástico – e na Turquia pois é PITÉU mediterrânico (dos PIG) que a UE reclama para eles em clima de merda e agora querem ter as culturas do nosso único e maravilhoso clima mediterrânico – os tipos nunca leram Orlando Ribeiro – Portugal Atlântico e Mediterrânico – não têm a 4ª classe de nada mas têm cirso superir de malvadez e indecência e deslealdade e de incompetência e de PUTICE – perdão pelo palavrão mas consta que D.Sebastião era mais malcriado do que eu e os “reis” e muitos presidentes são em geral (Ricardo coração de Leão) são são LEÔES e eu também, a fazer mais um ano dia 1 de agosto próximo – o ultimo dia de verão e 1º de inverno, conta a lenda e eu nasci em terra de Lendas (Santarém) e adoro a lenda de Santa Iria (Irene-Irina-) a cuja estátua debaixo da Pinte NUNCA a água das inundações ultrapassa os seus pés – a lenda é trssitemente linda
    e adoro as lendas de Lisboa e Vila da Feira e as poucas mais que sei da scalabis e da emérita augusta


  6. Miguel Sousa Tavares-”Com um enfermeiro a ganhar menos que o salário mínimo, o doente não pode exigir” Deixo o link : http://cogitare.forumenfermagem.org/2012/07/miguel-sousa-tavares-com-um-enfermeiro-a-ganhar-menos-que-o-salario-minimo-o-doente-nao-pode-exigir/

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