MEC vai negociar vinculação dos Professores?

O Ministro da Educação falou, está falado!

Apesar de ninguém lhe ter perguntado nada, o ex-comentador repetiu vezes sem conta a vontade política de vincular professores, isto é, vai “meter nos quadros” os professores que trabalham há muitos anos a contrato.

Confesso que não acredito muito (nada!) nas palavras de Nuno Crato – penso, aliás, nos milhares de docentes dos quadros que ainda estão sem horário.

Mas por economia de tempo, vamos assumir que desta vez as palavras são coerentes com a intenção e o Governo pretende mesmo “meter nos quadros” alguns professores – da última vez foram pouco mais de trezentos, mas isto poderá servir para a FNE fazer o frete do costume.

Com Nuno Crato a educação passou a viver sobre uma matriz – a do despedimento. Se o ano passado foram uns milhares, este ano não lhe fica atrás. Estão hoje em casa alguns milhares de professores com muitos anos de serviço: há dois anos estavam no sistema mais de 38 mil contratados. Este ano, nem 10 mil estão a trabalhar.

E aqui surge a primeira interrogação: o MEC vai considerar apenas os docentes que estão em funções no presente ano lectivo? Ou vai ter em atenção os muitos milhares que estão desempregados?

E do ponto de vista operacional, o MEC vai obrigar a que os candidatos fiquem colocados num quadro que contemple todo o país? Ou, pelo contrário, vai limitar a dimensão geográfica? Vai recorrer aos quadros de Agrupamento hoje existentes, ou vai criar um quadro único nacional que contemple esta vinculação excepcional?

Por outro lado há uma dimensão que é preciso considerar: há docentes contratados com muitos anos de serviço que só o são porque nunca quiseram concorrer para efectivar longe de casa. Como é que Nuno Crato vai resolver esta possível injustiça entre os Professores dos Quadros que aceitaram ir para longe e os Contratados que foram ficando mais perto e agora até poderão ficar efectivos mais perto?

Está lançado o debate. A FENPROF apresentou uma proposta. Os próximos tempos prometem!

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