Meu Coração Desiludido e Amargo

Portugal, como eu te amo! Na minha loucura por ti cheguei a pensar que quem quer que viesse a ser Governo depois de Governos de Festa e Saque, faria as coisas diferentemente e mesmo quem no passado te devastou não teria vida fácil. Mas não. Nenhuma das esperanças se fez Verdade. O próximo ano será o ano da nossa catástrofe porque quer este Governo-Máfia quer a Oposição-Máfia não imaginam outras saídas senão impostos sobre impostos, condenando-nos à retracção e depressão económicas. Não há coragem para se romper com as Fundações Estado-Dependentes e isentas em Fisco, mas há coragem para nos assassinar devagarinho. Do ponto de vista político, da sensibilidade e da visão meramente humanas, Relvas está para o míldio como o Borges para o carcinoma: falham clamorosamente no plano humano, desumanizam a política, tal como Sócrates fizera com o mesmo brilhozinho sacana nos olhos. O Povo Português está absolutamente só. Olha e não vê senão capatazes ao serviço dos que já têm dinheiro, dos que muito podem, dos que há muito mandam. A desfaçatez de um Governo é não querer passar de capataz zeloso que vai além-obediência à Troyka e ao Diabo, se o Diabo for credor. Em face de tudo isto, as ruas terão de encher-se sempre, todos os dias, a todas as horas, mas não só para contestar o circunstancialismo falhado em que consiste o Governo Passos, mas para mudar os fundamentos mesmos deste Regime. O Regime é anti-cidadão e contumaz nessa sanha. O Regime é a quinta rendosa que os Rendeiro, os Dias Loureiro, os Soares e os Cavaco, os Mexia, os Alegre, os beneficiários das PPP e todo o friso de repetidos, useiros e vezeiros, frequentam vagamente, ignorando o pardieiro Portugal onde os outros, nós, agonizam. Estou desiludido porque ousei iludir-me. Sofro. Amargo. Não há responsabilização. Não há equidade. Só há corrupção e a níveis astronómicos. Não se pode tolerar mais um Regime menos digno que uma tirania africana qualquer.

Comments

  1. atilia says:

    Comovida com o seu texto e perante o descalabro que se aproxima, resta-me agradecer-lhe que o tenha escrito. Trespassa nele a tristeza que todos nós sentimos, e , o pior é que rodeados que estamos de parasitas, incompetentes e irresponsáveis começamos a ficar desalentados e não sei se ainda teremos forças para lutar e correr com eles. O povo português é lutador e isso dá-nos alguma esperança. Não nos podemos resignar e temos de reagir contra estes agiotas e traidores……..


  2. Eu resolvi o problema de Portugal e o meu, emigrei. E para não voltar.

  3. Maquiavel says:

    Desiludido?
    Com os mesmos gajos que destruíram a agricultura e pescas, e ferrovia de 1985 a 1995, para importar 50% do que come, e cobrir o país de alcaträo para estar vazio?
    Com os mesmos gajos que puseram o país de tanga em 2003-2005, quando a economia europeia recuperava?

    Continuar a insistir no erro e esperar que ele dê resultados diferentes… isso é que é, no mínimo, ilusäo!

    • António M. C. Carvalho says:

      A minha ilusão foi o de pensar que não “eram os mesmos”… e, principalmente, que era impossível serem piores do que os que nos tinham governado até 1911 !

  4. António M. C. Carvalho says:

    Habituei-me a lê-lo, não aqui no Aventar onde caí de para-quedas só há poucos dias, mas onde calhava e a simpatizar com o que escrevia, o que sempre acontece quando pensamos da mesma maneira.
    Já foram “postos” neste blog alguns escritos meus, se tiver curiosidade poderá certamente encontrá-los. Creio que há um desanimo, nada oportuno, nos que acreditaram ser possível vencer a crise socrática sem graves e dolorosas convulsões sociais.
    Vamos, talvez pela última vez, acreditar em milagres (embora eu seja agnóstico…). .
    Rapaz de quase 84 anos, gostaria de bater à porta de S. Pedro mais animado do que agora estou, mas para isso será preciso que “homens de boa vontade” se unam e combatam as máfias que nos têm governado nos ultimos anos sem confiar demasiado na capacidade política do “povo trabalhador” que o “sistema” manteve na sua maioria ignorante e futebolisticamente alienado.

    Plenamente de acordo consigo. É preciso “mudar os fundamentos mesmos deste Regime”. Como ? Quando ? O “porquê” é obvio…
    Creio que ainda há quem não esteja comprometido com essa podridão, Julgo conhecer alguns, mas só pelo que dizem ou escrevem, pessoalmente sei de poucos dispostos a lutar…
    Mas o Palavrosavrvs com certeza que conhecerá muitos mais !.
    Unidos venceremos… a Bem da Nação !!!.

    • Goncalo says:

      Cada vez mais se percebe que a “crise socrática” foi uma construção de quem quis, por tudo, agarrar o pote. O nosso problema é eminentemente político e não financeiro. Quanto mais olharmos para a falsa raíz do problema, mas continuaremos a persistir na solução errada. É claro que temos sido governados por asnos desde, pelo menos, o D. João II, não o duvido, mas seria de esperar que hoje já se começasse a fazer luz nestas cabecinhas:

      Mais de um ano depois, o melhor que se conseguiu foi uma redução da despesa à custa do corte extraordinário de salários da F.P. e das pensões (90% do conseguido) + um défice que cresceu durante um ano que durante as quimeras mais megalómanas do outro + desemprego a roçar os 16% e a crescer + uma governação total e obviamente insensível à estrutura social, economica e historica do país.

      Tanto vos venderam que o outro era o diabo, que se alçou ao poder quem vem dar dinheirinho a ganhar às nossas custas. Golden Share da PT, privatização da EDP e da REN aos chineses, privatização da TAP e da ANA aos colombianos, venda da RTP aos angolanos… e agoram começam já a preparar-se para pôr o dentinho nesse grande bife do lombo (que justifica tudo e mais alguma coisa) chamado CGD e que constitui, para seu governo, 30% da exprssão bancária em portugal. Isto vale tudo e mais um par de botas. Bem lhes valeu o investimento em comentadores, em jornais, em processozinhos cozinhados e escolhidos a dedo, em envenenar com generalidades pseudo-liberais uma população onde os níveis de literacia financeira (e literacia tout court) são paupérrimos.

      Ui, o que eu ouvi clamar pela Troika. Pela “limpeza” disto tudo. Agora é que ia ser… uma espécie de libertação pelo fogo das inteligências incorruptas estrangeiras. Vinham ajudar, a juros de 4% – quando o BCE financia bancos a 1% – a pôr isto nos eixos.

      Agora é isto que temos. E esse “a bem da nação” diz tudo.


  5. O seu texto espelha bem a amargura e a contrição de quem acreditou que depois do tempo socrático tinham emergido os eleitos do povo com a inspiração do Olimpo. Ainda resistiu muito, admiro-lhe a perseverança e a boa vontade que lhe permitiu ir tão longe na sua fé. Mas com gente tão ferina (António Borges na sombra a conduzir a venda do País e à exaustão os Portugueses) a confiança definha e fatalmente se desvanece.
    Como leitor assíduo do Aventar, tenho notado a sua ausência. Seja bem-vindo, se me é permitido dizê-lo, os seus textos polémicos quando políticos, geram sempre grandes e interessantes controvérsias. Quando marcados pelo humanismo também geram sempre muitos comentários, mas consensuais, que traduzem o prazer de quem os lê.


  6. O interessante é que governando bem ou mal e parce que
    é mais frequentemente mal, quando saem, o eu levam atrás de si garantido como reforma e de onde sai esse dinheiro ?’ qunto descontraram só de “trabalhar” tão poucos anos ?’ Fazendo contas a todas as reformas dos eleitos, quanto soma, de onde em o dinheiro para eles e porqe não chega para nóas apenas um aumento de 50% da inflacção como era “habitual” – não tarda que o OE seja apenas para as reformas deles – se calhar já é- Porque qurem ender os bens de raís que restam – para pagar as reformas deles e os buracos ?? não sei do todo OE de onde sai isto e aquilo e aqueloutro – dizem não somos produtivos ?? e a pavra que mais me irrita não somos competitivos ?? como no futebil ?? De onde vem todo o dinehiro de toas as reformas dos mandatados ?? e suas cortes ??


  7. Também eu pensava que pior do que o parisiense seria impossível, embora poucas esperanças depositasse nesta garotada.
    Mas tenho alguma esperança: “ouvem-se já os clamores”. Os portugueses, finalmente, acordaram. Só falta aparecer Alguém…

    • Maquiavel says:

      Um “Alguém”? Está a pedir um “Salvador da Pátria”?
      48 anos de “salvaçäo” näo lhe chegaram?

      Espantoso como os tugas berram “os políticos säo todos iguais” e “abaixo os partidos” e “só falta aparecer Alguém”… mas depois falam muito da Islândia. É mesmo de 3.o ou 4.o mundo.
      Na Isländia continuaram a haver partidos, continuaram a haver eleiçöes, e a ninguém, mas mesmo ninguém ocorreu a bafienta ideia de acabar com partidos. Apenas e só, sem escarcéu, acorreram às urnas na eleiçäo seguinte e escolheram partidos e políticos diferentes dos que os arruinaram–dos 13 pontos percentuais perdidos pelos liberais, 7 foram para o “Bloco de Esquerda” islandês, que faz agora parte do governo que voltou a meter o país nos eixos sem delapidar o Estado Social, näo obstante a intervençäo do FMI.
      E mais ainda, meteram os tais políticos que os arruinaram na prisäo.

      Enquanto isso, em Portugal uns berram por outro fascismo, e outros querem “democracias directas sem políticos” num país que ainda nem evolui para saber como funciona uma democracia parlamentar.

      • António M. C. Carvalho says:

        Maquiavel
        Permita-me uma correcção. Há pelo menos um “poeta ainda não-morto” que deseja outra solução: que se mantenham os partidos, mas sem a exclusividade de actores políticos.
        O país ainda não sabe como funciona uma democracia parlamentar porque os partidos não deixaram e porque a Constituição é ela mesmo inconstitucional. Se tiver oportunidade pode ler o livrito do Dr. Armando Moreno “UMA CONSTITUIÇÃO ANTICONSTITUCIONAL” da Editorial Notícias. de 1996.

      • Goncalo says:

        Tem muita razão no que diz… mas na Islândia não se prenderam políticos, como diz. Foi julgado o ex-PM não lhe foram imputadas quaisquer responsabilidades criminais. É engraçado como este pequeno pormenor (não sei se o diz por ignorância ou por má fé) consegue contradizer totalmente todo o seu restante discurso. Com o qual, diga-se mais uma vez, até concordo totalmente.


      • Maquiavel, não, não espero nem quero que venha um “Salvador da Pátria”. Já me chegou um!. O que eu penso é que os partidos (com assento na assembleia) são todos muito bem comportados e não vejo lá ninguém com eles no sítio. Até o BE se foi acomodando e hoje pouco se distingue dos outros. Honra seja feita a Miguel Portas que na UE se levantou contra as mordomias dos deputados, coisa que por cá não tenho visto. Os privilégios da classe política são intocáveis.
        Agora vêm com a moção de censura… dá vontade de rir.
        Como é que isto se pode resolver?
        Não sei. Sei é que a maioria de nós já não confia nestes gajos.

  8. Amadeu says:

    Bem vindo ao clube dos poetas tristes.

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