Revoltado*

Como me sinto? REVOLTADO!esmola
Durante longos anos da minha carreira profissional trabalhei longas horas, dei o melhor de mim para a minha entidade empregadora e para o meu país. Como bancário não tive nem usei a segurança social, a minha assistência médica era através dos Sindicatos dos Bancários e a reforma seria através do fundo de pensões constituída pelos bancos. Quando me reformei fechei um acordo com o banco, convicto que o mesmo seria integralmente cumprido por ambas as partes.
A minha revolta nasce porque durante dez anos, que levo de reforma, feitos hoje 31/01, cumpri o acordo, fui-me adaptando aos crescentes aumentos de impostos e aumentos da inflação sem nunca ter tido um aumento de pensão.

Há 10 anos passei a pagar 11% de IRS que foi crescendo até aos 15% que estava a pagar actualmente. Agora olhando o recibo, o Estado com o brutal aumento de impostos, como disse o ministro das finanças, aumentou o IRS para os 18,5%, cobrou uma sobretaxa de IRS que ainda não quantifiquei em percentagem por desconhecer a incidência e cobrou de CES uma taxa de 6,25% – mais de 25% da minha pensão foram para os cofres do estado e a seguir vem o IMI.
Será que vou ter condições de liquidar o empréstimo da casa, os estudos dos filhos, as despesas da casa com o aumento da luz, da água, do gás, do telefone e todas as outras inerentes à vivência do dia a dia?

Será que o governo teve o cuidado de ir ao meu agregado familiar ver quantas pessoas têm de viver com a minha reforma?

Não, limitou-se a taxar tudo e todos e principalmente os reformados que pagam agora mensalmente 3 impostos para sustentar os desvarios dos governantes.
Será explicável aos reformados que tenhamos de fazer sacrifícios brutais para ajudar o país nos 4 mil milhões de euros que temos de arrecadar e depois se injecte num banco privado cerca de mil e cem milhões de euros para tapar mais um buraco feito pela alta finança portuguesa.

Para quando a responsabilização destes senhores

Eu nada contribui para este buraco e ando a pagar?
Claro que estou revoltado.

Claro que não irei votar mais nesta classe politica que apenas servem os seus interesses e o povo não conta.

*texto da autoria de um amigo e publicado no Facebook

Comments


  1. Sim… pedir esmola a quem?

  2. Fernando says:

    Era bancário? Devia ter optado pela profissão de Banqueiro…
    Só que há um problema, ninguém do povo chega a banqueiro, é preciso fazer parte da aristocracia. Talvez até possa chegar a banqueiro, mas para isso é preciso envolver-se numa serie de práticas corruptas, o que torna as coisas muito difíceis para aqueles que têm um mínimo de valores morais…

    “Claro que não irei votar mais nesta classe politica que apenas servem os seus interesses e o povo não conta.”

    Mas para servirem os seus interesses, essa classe política tem que servir interesses maiores, os interesses de quem tem o poder de criar o dinheiro…

  3. Luís says:

    No banco onde trabalhei (privado) o fundo de pensões era gerido por uma empresa gestora autónoma (privada) que só aceitava receber em “cash” as quotizações dos trabalhadores e da entidade patronal. Desta forma acabava o risco dos banqueiros colocarem no fundo de pensões imóveis ou acções hipervalorizados. Quem aplicava esse dinheiro era essa empresa que mensalmente enviava um relatório das aplicações e rentabilidades ao banco e à comissão de trabalhadores. Semestralmente, três elementos da sociedade gestora de pensões, três elementos da Comissão de Trabalhadores conhecedores dos meandros dos fundos de pensões e três elementos dos recursos humanos do banco reuniam-se e discutiam essas aplicações financeiras e suas rentabilidades.
    Por tudo isso tínhamos o nosso fundo de pensões sempre provisionado pelo máximo exigido pelo Banco de Portugal.
    Quando o banco pretendia reformar alguém antecipadamente as contas eram feitas aos anos que lhe faltavam para a reforma e o banco punha lá a massa em “cash”, (se a reforma fosse pedida pelo trabalhador era esse que pagava).
    Quando os trabalhadores que prestaram serviço nas ex-colónias pretenderam que o tempo de serviço militar contasse, (quem tivesse estado em zona 100% operacional tinha o dobro do tempo contado de serviço), não havia abébias para ninguém – tinham de pagar esse tempo em cash para o fundo de pensões e não era pouco – uns pagavam-no às prestações outros pagavam com empréstimo com juros normais.
    Falta dizer que a remuneração da sociedade gestora era de 7,5% dos lucros anuais obtidos pelas aplicações financeiras, mais uma remuneração fixa.
    Durante os muitos anos que por lá trabalhei nunca houve problemas com o nosso fundo de pensões e, nos poucos anos em que havia prejuízo, ele era partilhado pelos trabalhadores, banco e sociedade gestora.
    Este sistema funcionou bem, apenas pela simples razão que era composto por entregas em cash e porque era vigiado de muito perto e com conhecimento de causa pelos principais interessados – bancários e bancos.
    Agora, com a nacionalização do meu fundo de pensões pela quadrilha de gatunos … a insegurança na reforma é total e … seja o que Deus quiser!

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