Crato é um mágico da matemática

Ou não! jp20

Eu explico.

No sábado passado mais de quarenta mil professores ( somos cerca de 100 mil hoje nas escolas) estiveram nas ruas de Lisboa. Foi consensual entre todos que a média etária dos presentes se aproximava mais dos limites superiores do que dos limites inferiores.

Não é estranha a essa situação a instabilidade que o famoso relatório do FMI colocou em todos os docentes – afinal são uns largos milhares os que têm a porta da rua aberta.

Assim é quase impossível encontrar uma explicação para o concurso extraordinário – como é que o governo abre um concurso para vincular professores aos quadros, quando está a pensar despedir os que já estão nos quadros?

Claro que os professores mais novos, até porque estando desempregados, não lhes falta tempo, olham apenas para a folha que está à frente do nariz e sem ver a floresta toda não irão entender o que está em cima da mesa.

Aumentar o horário de trabalho lectivo dos professores dos quadros tem uma consequência imediata  – a extinção dos professores contratados. Será que não conseguem entender isto? E destes 600 haverá uma parte que vai imediatamente para horário zero e daí à mobilidade…

AH! O Crato… Era para falar nele, mas esqueci-me… Longe da vista, longe do coração, que é como quem diz – quem é o Ministro da Educação e Ciência?

Comments

  1. luis says:

    É quase impossível encontrar justificação para o concurso? Está a falar a sério? Conhece a precariedade dos contratados? Ou ao seu gabinete de sindicalista isso não chega? Está a cair a máscara ao SPN e finalmente assume-se como sindicato dos professores dos quadros? Finalmente assume que os contratados são uma raça inferior que só serve para negociatas que beneficiem os do quadro? Ou está com medo que destes 600 que vão vincular, muitos tenham graduação superior e quem vá para mobilidade sejam os que já são efectivos? Já ouviu falar em unidade de classe?


    • Luís, não entendi. Os comentários… um pouco laterais… Mas eu questionei o processo, nada mais que isso…
      Repare que isto é pouco mais que propaganda – obviamente nada tenho contra quem vai entrar no quadro e quero lá saber se tem mais ou menos, por favor…
      Então com mais de 11 mil docentes contratados nas escolas, o seu aplauso é para um processo que vai meter 600 nos quadros, uma espécie de cortina de fumo, para o que aí vem?

      Já fez contas? Por cada 3 colegas q passem de 14 para 22, teremos um horário a menos. Acho que o deve e o haver vai ser maior ou menor que 600?

      Qt aos contratados, questionei a forma como não lutam, como se demitem de participar. Acho q tenho o direito de o pensar… Acho… Olhe, sem grandes resultados, é verdade, confesso! Mas ando nisto há 16 anos, vi muita gente e muitos colegas… Mas vou continuar! Consciente que faço uma luta que não é só minha, que não é fundamentalmente minha!
      JP

      • luis says:

        O seu texto dá a entender que está resigando com as medidas do MEC e que é contra qualquer vinculação (justa) de contratados. Eu não aplaudo este concurso, isto são migalhas. Obviamente, o objectivo do MEC é despedir professores e os primeiros a ser afectados foram os contratados. Quanto a não lutar, muitos já desistiram, outros não vêm resultados da luta e sentem-se abandonados pelos sindicatos. Nesta altura a união é indispensável. Por isso, apelo à união de todos, e não a este estado de espírito que se vê por ai, em que cada um se preocupa consigo. O corpo docente das nossas escolas está a envelhecer a olhos vistos e isso terá repercussões no futuro da Escola Pública. Acredite, que muitos contratados já não confiam nos sindicatos, sentem-se completamente abandonados por estes. Penso que os sindicatos deviam questionar-se porque é que isto acontece.

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