“Trabalhos tenha quem trabalhos me quer dar”

CFBTerminou a primeira fase do campeonato nacional sénior de hóquei em campo, no que aos apurados para o play-off final diz respeito, uma vez que os dois jogos que falta disputar já não vão interferir na classificação final dos quatro primeiros, exactamente aqueles que vão lutar pelo título.

O grande vencedor desta primeira fase é o CF Benfica, que derrotou o campeão nacional, a AD Lousada, e parte em primeiro para a derradeira fase, onde vai encontrar o Sport Club do Porto, que foi quarto.

O segundo classificado, a AD Lousada, vai defrontar o terceiro, o CF União de Lamas. Havendo empate ao fim dos dois primeiros jogos (o primeiro, em casa da equipa mais bem classificada), a negra será jogada em casa do CF Benfica e da AD Lousada, “cabeças-de-série” à partida para o play-off.

Diogo Sequeira, do CF Benfica, e Hélder Gonçalves, do Sport, são os goleadores desta fase, com 13 golos, seguindo-se-lhes, com 12 golos, Ricardo Teixeira e Flávio Pinto, da AD Lousada e do CF União de Lamas, respectivamente.

A fase final tem início a 15/16 de Junho.

O Regulamento de Provas, em vigor para a presente época, ao agrupar o 1.º com o 4.º e o 2.º com o 3.º no play-off final, criou duelos com alguma pimenta nesta próxima e definitiva fase da prova. AD Lousada e CF União de Lamas terão hipótese de recriar duelos intensos, exemplarmente na fase ascensional dos lousadenses, quando estes começavam a desenhar a supremacia na modalidade, sucedendo aos de Santa Maria de Lamas. O Sport vai ter oportunidade de vingar aquilo que considera ter sido uma insensibilidade dos lisboetas, que não acederam ao pedido de adiamento da jornada aquando da organização, por parte dos portuenses, do Europeu Feminino, disputado no Parque da Cidade, ao invés do GD Carris que acedeu a igual pedido da Académica de Espinho, que, na oportunidade, disputava em Atenas o europeu masculino.

Com um fim-de-semana destinado aos jogos adiados, o próximo, entende o Sport que, a par do GD Carris-AA Espinho e do Lisbon Casuals HC-CD Viso, poderia, perfeitamente, disputar-se um CF Benfica-Sport, e tudo ficaria em paz. Assim não entendeu o CF Benfica, e o Sport fez falta de comparência, pressionado pelas obrigações que uma organização internacional obrigava.

À base dos Regulamentos, só os espinhenses tinham argumentos superlativos para o adiamento, uma vez que ambas as provas – a nacional e a internacional – eram do escalão sénior masculino.

No entanto, se o hóquei fosse uma família unida e solidária, os argumentos do Sport tinham argumentos para colher deferimento na boa-vontade do CF Benfica: a organização duma prova internacional mobiliza toda a estrutura dum clube, e, correndo bem, não é só o nome do clube, mas o hóquei português, máxime todo o hóquei e o nome do País, que aproveita os dividendos.

Acresce que, na realidade actual, é prática corrente atletas dum clube serem técnicos doutros escalões noutro clube, sendo tantas vezes árbitros, dirigentes… Acontece que dois atletas da AA de Espinho são os técnicos que estiveram toda a época com a equipa feminina do Sport, mas, por força da confluência de datas das duas provas internacionais, a equipa portuense viu-se privada de Jorge Santos e Márcio Marques, a defender as cores da Académica em Atenas, diminuindo drasticamente as hipóteses de a equipa masculina do Sport ter acompanhamento técnico a Lisboa.

Tudo isto foi explicado aos dirigentes do CF Benfica, mas, decididamente, o bom-senso não prevaleceu, ficando o malgrado, não obstante a equipa lisboeta estar praticamente apurada para a fase final.

Já não sei quem disse que as leis conservam autoridade, não porque sejam justas, mas porque são leis, e nada obrigava os lisboetas a aceder aos desejos dos portuenses. Eu, no entanto, prefiro aqueloutra situação, como contraditório: as leis são duras – ou cegas – para que os homens possam ser magnânimos. E, neste aspecto, o CF Benfica andou mal, e há quem lhe chame uma decisão autista, face ao desconhecimento de como é custosa a organização duma prova internacional.

Pessoalmente, não indo tão longe, confesso, no entanto, que me custa ver pessoas como Sidónio Nobre, que me habituei a respeitar por muitas intervenções em Assembleias Gerais da Federação Portuguesa de Hóquei, e cujo espírito de sacrifício e doação admiro, neste decisão de contornos exacerbados dum clubismo que urge erradicar numa modalidade que a si mesmo se reclama de estatuto familiar nos seus pressupostos competitivos: a família do hóquei!

Pois, mas é nas famílias, esse estatuto que os hoquistas de todas as idades reclamam para a modalidade, que podemos, então, assistir a episódios de certa intolerância.

Só espero que um dia, se o CF Benfica precisar de um favor, as gentes do Sport, elegantes na sua forma e de ver a modalidade, não se sintam tentadas a responder na mesma moeda. Ou, se se sentirem, apenas repliquem com uma luva de pelica branca.

É óbvio que estranhamos que a FPH não tenha avocado este caso, sendo certo que os grandes encómios da Federação Europeia foram colhidos exactamente pela FPH, no jantar oficial da prova internacional organizada pelo Sport, noblesse oblige.

No caso em apreço, parece-me poder inferir que, quando a burocracia nos tira trabalho, até nós somos capazes de agradecer. Aparentemente, a FPH pôde lavar as mãos como Pilatos, só o Conselho de Disciplina teve que deliberar, sancionando a falta de comparência e obrigando o Sport ao pagamento da coima respectiva, de algumas centenas de euros. Sem mexer uma palha, a FPH foi, assim, a única entidade a lucrar com assunto, bendita burocracia!

E, já agora, “trabalhos tenha quem trabalhos me quer dar”…

Comments

  1. Sidónio Nobre says:

    Boa tarde. Caro Armindo de Vasconcelos.
    Não sei o que o leva a tecer este comentário, numa defesa intransigente do Sport CP e num ataque feroz ao CF Benfica e à minha pessoa, mas apenas me pergunto, se o que desejava era salvaguardrassemos os legítimos interesses do Sport CP subestimando os nossos?
    A única data alternativa apresentada pelo Sport CP foi o dia 10 de Junho, data em que não tínhamos alguns atletas importantes da equipa disponíveis, logo não poderíamos aceitar essa data, e nunca nos foi apresentada outra alternativa.
    A FPH manteve-se sempre a leste do problema e não o devia ter feito, pois foi a principal causadora deste problema ao reformular o calendário sem ter em conta os problemas que podia causar aos clubes
    Nunca desejamos que esta situação acontecesse e declinamos qualquer culpa que nos queiram imputar.
    Esta sua opinião para mim deriva talvez que na realidade não tenha tido conhecimento de todos os factos e dos esforço que foram feitos para que isto não acontecesse e felizmente o Sport CP, oficialmente não tem deste caso a sua opinião e pode crer que é essa opinião que para nós tem mais relevância.
    Cumprimentos
    Sidónio Nobre


    • Meu caro amigo,
      Por aquilo que escrevi no post, sabe que é uma honra tê-lo por aqui.
      E, como bem diz, a Federação tem culpas no cartório, e, essa, sim, está debaixo da mira do artigo, sendo certo que o título é direitinho para ela, que foi a única a colher dividendos, até financeiros, da questão, e ficou em grande na foto oficial do Europeu, nas palavras da DT…
      Relativamente ao CFB, e à pessoa do Sidónio Nobre, apenas lamento que não tenha chegado a acordo, até porque, na azáfama, terá passado ao Sport esta data para acerto de calendário e nem a FPH nem o CFB se terão lembrado dela (poderia, perfeitamente, ter dito que a 10 de Junho não, mas…).
      Depois, segundo fui informado, a resposta demorou tempo a chegar, com a crescente pressão da organização internacional.
      No fundo, o que quis dizer é que, numa família, quando alguém está à rasca, todos tentam ajudar, aconselhando, adiantando soluções.
      O que, de todo, não aconteceu. Esse é o ponto.
      E não, não creia que fiz um ataque feroz ao Fofó, clube que muito respeito e cujo esforço em se chegar ao topo da modalidade é um exemplo de persistência.
      Agora, respeitar a história e a luta incessante que é gerir um clube, é uma coisa; outra, bem diferente, é a ausência de um certo bom-senso ou de boa-vontade.
      Um grande abraço, Sidónio Nobre.


  2. Não lamentes nada Armindo, não lamentes nada.
    O Fó-Fó é hoje uma quinta dominada por uma clique de carcamanos que apoderaram há MUITOS anos do clube e que se servem a eles mesmos e a um ex comuna, melhor, comuna em ato de contrição de nome Domingos Venceslau, mais conhecido por Lau: presidente VITALICIO de um outrora prestigiado clube.
    Com o argumento idiota que não há quem queira trabalhar no Clube, nunca foi tomada a atitude inteligente de preparar alguém mais novo que pudesse dirigir e tirar o clube do marasmo em que há anos vive, perdão, vai morrendo.
    Todas as tentativas de alternancia esbarraram SEMPRE numa clique do tipo que “nem morta larga osso”.
    Há muito que localmente se fala em negociatas na permuta de terrenos, jogo ilicito nas instalações do clube, destruição de arquivos, paradeiro e destino de subsidiações, boicote em assembleias gerais entre outros expedientes miseráveis.
    Há muito que a população do Popular Bairro de Lisboa: Benfica, se distanciou desta gente e os ignora.
    Façam a propaganda que fizerem o CFB está moribundo, quase MORTO…
    Não vale dispender qualquer cera com tão ruim defunto…

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