Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros

Inês Gonçalves

Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.

Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.

As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida aí a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro! [Read more…]

PSP – umas vezes a violentar, outras a contestar


Sempre senti aversão a fardas. É coisa antiga. Desde a pré-adolescência, quando aos 10 anos me obrigaram a envergar a farda da Mocidade Portuguesa, com o célebre ‘S’ – de Salazar – no cinto. Sucedeu no, então, Liceu Nacional Gil Vicente em Lisboa, hoje designado Escola Secundária.

De todas as filtragens da vida, retenho um particular asco à PSP. Ainda no passado dia 31 de Maio, na manifestação de Lisboa contra a ‘troika’ e o governo, observei atentamente a postura e ar ameaçador da maioria dos agentes do PSP.  Em grupos alinhados, vigiavam a populaça. Não lhes deram motivos para intervir. Alguns pareceram-me frustrados.

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Proença na abertura da Taça das Confederações

Vantagem para os de azul. Brasil? Japão?

«Bella Ciao» na Praça Taksim

De canto de trabalho rural a hino da resistência partigiana, «Bella Ciao» já conheceu versões em dezenas de línguas e tornou-se um hino dos povos oprimidos.  Na noite passada, ao piano de  Yiğit Özatalay e David Martello juntaram-se as vozes dos cidadãos  turcos que, com máscaras de gás e armaduras improvisadas, têm dançado no centro de uma praça em chamas.

Una mattina mi son svegliato / o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao! / Una mattina mi son svegliato,  /e ho trovato l’invasor.

Quem prejudica os alunos?

No sector da educação por exemplo, a racionalização da rede de escolas e a convergência de indicadores chave, nomeadamente a dimensão das turmas, para próximo de níveis de referência, estará no centro das nossas reformas”

Está assim, preto no branco, no sétimo relatório das potências ocupantes, vulgo troika. São as reformas deles. É uma tendência que vem de anos anteriores, e como só um idiota defenderá a bondade da ideia, mas já que até funciona nalguns países devidamente acompanhada por castigos corporais, resta isto:

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Ou seja, o regresso da vara, da palmatória ou da menina de 5 olhos. Veja vídeos demonstrando o sucesso desta modalidade de ensino na Coreia do Sul,

Chico Buarque poderá ser processado

Fernando Pessoa vai processar Nuno Lopes

Portas, o tempo está a contar

Governo tem até 15 de Julho para encontrar substituto para a TSU dos pensionistas.

Greve às avaliações alargada até ao dia 28 de Junho

Desta vez, os sindicatos estão de parabéns! Em Junho não há notas para ninguém…

Futebol em gráfico

O que é nacional é bom? Pensando algumas situações por trás dos resultados, parece-me que sim.

Sétima Avaliação

Está disponível no site do FMI o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras da sétima avaliação (PDF, inglês).

Poiares Maduro Satiriza a Narrativa

O saco de estrume com hálito a cocaína em que se resume alguma da bloga socratista não perdoa um ataque, manso que seja, ao seu feroz deus manso e Mega-Burlão, Sócrates. Por isso não perdoa ao Ministro, intelectual e académico, Poiares Maduro, braço-direito do Primeiro-ministro. Já por aqui alertei Poiares Maduro para a necessidade de subir o tom e terçar com dureza e frieza cortantes o discurso que diagnostica a Corrupção do Regime e a Corrupção inerente à pré-bancarrota socratista. Esta gente é tóxica e imoral e, por se inchar de orgulho intelectual e superioridade de Esquerda-na-Cabeça-Deles, dá-lhe para chamar palhaços aos outros, enquanto perpetuam o circo de esterco narrativo e imoral que é a sua pseudo-Esquerda Corrupta, neta do soarismo, filha do socratismo. Nada mais irritante para esse lastro imoral que alguma inteligência, algum sentido de humor, alguma capacidade de ironia e sarcasmo, procedendo à sátira para cima das merdas, problemas e atentados ao nosso futuro que as legislaturas anteriores pariram. Penso mesmo que se há ponto fraco na constelação baça socratista é precisamente a incapacidade para o humor, para o auto-ridículo, o que explica a extinção injusta e imediata do Contra-Informação, mal tal gentalha se viu Poder. À falta de argumentos e de alguma pedra para atirar ao jovem Ministro, esses cães da retórica pela retórica resolvem esquadrinhar a biografia de Luís Miguel Poiares Pessoa Maduro como se, pela biografia, resolvessem o problema que os antagoniza: Poiares tem eficácia comunicacional, pode espetar perfeitamente o punhal da sátira e da verdade bem fundo, rasgando as tripas maricas da tralha. Atacam-no porque Poiares ridicularizou o conceito de «narrativa política» com que o Playboy Parisiense se armou na tentativa de reescrita e branqueamento de actos e comportamentos passados bem documentados nos seus efeitos, não passíveis de reconstrução facial. [Read more…]

Jardim vale o triplo do Tribunal Constitucional

O acórdão do Tribunal Constitucional valeu um aumento da despesa pública de 1.300 milhões de euros – resta saber se, em vez de aumento da despesa, não deverá considerar-se diminuição de cobrança de impostos.

A maior parte dos juízes ainda foram benevolentes com o governo, ao considerar a constitucionalidade da ‘CES – Contribuição Extraordinária de Solidariedade’. Juízes vencidos, cinco ao todo, consideraram que a medida estava ferida de ilegalidade constitucional.

Se medidos em relação aos desvarios do meteorologista Gaspar em termos de execução orçamental e de agravamento das contas públicas, os tão propalados 1.300 milhões é valor de pouca monta.

Por outro lado, se acrescentarmos aos citados desvarios a ilegalidade do governo do boçal Alberto João Jardim, avaliada pelo Tribunal de Contas em 3,85 mil milhões de euros de dívidas da RAM, os governantes ilhéus triplicaram praticamente o valor do TC.

A lamúria ininterrupta de Passos, Gaspar e Portas acerca do acórdão do TC não passa de mero instrumento de manipulação da opinião pública. É, de facto, de enorme falta de decoro enfatizar o penoso dever de pagar subsídios de 1,3 mil milhões e omitir as trapalhadas do grosseiro Jardim que lesou o governo central em 3,85 mil milhões de euros.

À porrada

Agora Vítor Cunha glorifica o ensino de ditaduras (e/ou) onde se aplicam castigos corporais aos alunos. Diz que fica mais barato.

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia…

fernando pessoa

http://bit.ly/k6TWP

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas—a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.
AC

Agora somos nós ou eles

Passos+Coelho+e+Nuno+Crato
«Quantas artes quantas manhas que sabe fazer nosso amo» – a frase de Gil Vicente, recordada numa caixa de comentários do Umbigo, aplica-se por inteiro à última façanha do Ministério.
Não há serviços mínimos nem hipótese de requisição civil? Não há problema, passam a existir serviços máximos. Convocam-se todos os professores do agrupamento e, mesmo que a adesão à greve seja de 90%, os 10% que comparecerem hão-de ser suficientes para garantir a sua realização. Não interessa que sejam professores da disciplina em exame, ou que tenham filhos a fazer exame, ou que não tenham tido sequer a formação habitual para vigilantes, ou que sejam educadores de infância a vigiar 12.º ano. O que interessa é que, no fim, o ministro possa dizer que tudo decorreu dentro da normalidade e que parta para a fase seguinte, a da vingança contra os que ousaram afrontar o seu poder. Tem sido sempre assim com este Governo.
Tudo o que agora se pede é um dia de greve. Apenas um. Se para alguns dois dias já serão demais, então pede-se apenas um. E esse dia é na segunda-feira, dia 17. É essa a nossa luta.
É por isso que chegou a hora da decisão. Um falhanço na greve de dia 17 irá pôr em causa as restantes greves às avaliações e daí à desmobilização geral será um pequeno passo. Uma vitória do ministro no dia 17 irá significar para milhares de professores a mobilidade, ou seja, o despedimento já no próximo ano lectivo.
Ao invés, uma vitória dos professores é o princípio do fim de um ministro e de um Governo arrogante que teima em ignorar a lei e fazer tábua-rasa de todo e qualquer princípio ético.
Agora somos nós ou eles.

Serralves em Festa

serralves em festa
Foto de Egídio Santos

Vai trabalhar, malandro!!

O Povo é quem mais ordena
Aqui (para utilizadores de Facebook) faz-se um novo protesto contra mais uma injustiça.

Era uma vez um país com vocação marítima…

portugal-bacalhau

O dia é de sardinhas mas a dieta tem sido outra, com muitos a comer do mesmo.

833

Número aproximado de portugueses que mandaram o “malandro” do Cavaco Silva “ir trabalhar”,  na sua página do Facebook. Ainda não foi.

Parabéns, Fernando António!

Fernando Pessoa

José de Almada Negreiros
Retrato de Fernando Pessoa
1964
http://bit.ly/12nBNaf

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis