O hipócrita

Trilha-se o anterior caminho mas Sócrates agora diz: “Greve dos professores é justificada”.

O que realmente importa

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“Os professores estão muito divididos”

O título deste texto corresponde a uma afirmação de Nuno Crato, em mais uma tentativa de intoxicar a opinião pública e de semear a dúvida entre os professores.

A grande maioria das reuniões de avaliação marcadas para a semana passada não se realizou. A manifestação de ontem levou a Lisboa 80 000 professores, num universo de 100 000 profissionais.

A notícia de que os professores estão muito divididos é, portanto, manifestamente exagerada.

Nuno Crato utiliza tudo o que possa servir para demonizar os professores. Para isso, cultiva, com grande habilidade, as declarações e os silêncios.

Assim, não hesitou em afirmar que os professores transformaram os alunos em reféns e apelou a que não fizessem greve aos exames, depois de ter falhado a exigência dos serviços mínimos.

No que se refere aos silêncios, hoje, na SIC, recusou-se a dizer o que poderá acontecer aos alunos que possam ser impedidos de fazer exame, amanhã, em consequência da greve. Com esta atitude, tenta amedrontar os professores mais hesitantes, ao mesmo tempo que mantém os pais e os alunos sob tensão, lançando-os, mais uma vez, contra os professores. Bastaria que tivesse afirmado que os alunos que não fizerem exames não serão prejudicados, mas isso seria contrário ao maquiavelismo que norteia a sua actuação. [Read more…]

Nuno Crato, a dama de lata

nuno thatcher

Por entre a pura e madura mentira, a Nuno Crato coube a tarefa governativa de partir a espinha aos professores, o maior corpo profissional da função pública. A ideia é simples: derrotados estes não haverá mais resistência à minimalização do estado e  abertura do ensino, da saúde e não só às maravilhas do mercado e das negociatas à sombra do governos.

Chegamos a um ponto em que se estica a corda, cantando uma vitória de Pirro antecipada: com uns 5000 professores, de todos os graus de ensino, a maior parte dos exames vão-se realizar amanhã, desvalorizando uma greve que nesse caso chegaria aos 95% de adesão.

O problema desta gente é que toma os outros por parvos, ou seja, coloca-os ao seu nível. E como se pensa acima da lei (é significativo que vários comentadores tenham passado à descarada defesa da proibição das greves), imagina que tudo lhes é permitido. Chega a meter dó o esforço que se faz por encontrar “provas” de que esta greve prejudica os alunos, como se um exame adiado fosse um problema para quem arranja mais tempo para estudar. [Read more…]

Natação Obrigatória

Com esta coisa da mudança para as Ilhas há uma ferramenta que se tornará indispensável. Deixo aqui as instruções, em versão musical…

via Natação Obrigatória.

Um país “à medida” das nossas possibilidades

Plano Infalível do Gaspar para nos pôr a viver de acordo com as nossas possibilidades

Carta da APRE

A todos os professores

Estamos convosco

Meus amigos:

Amanhã, de olhos postos em vós, estamos convosco – nós, aposentados; nós, funcionários públicos; nós, quantos tememos pelo que vem a seguir; e nós, todos os outros, os que bem sabemos os males que nos espreitam: os que vemos como os direitos e a Lei, feita para nos defender a todos, tem sido letra morta – e já se chegou ao ponto de nos virem publicamente ameaçar de que logo a seguir hão-de tratar de a pôr a jeito.
Este é o ponto, meus amigos – o cerne da questão. Do que se trata aqui é de se estar a semear o terror no que era terreno sagrado, pelo preço de sangue que custou.
Em Democracia, ninguém pode impor unilateralmente – e ninguém é obrigado a aceitar – condições de trabalho impróprias. Ninguém pode aumentar arbitrariamente – e ninguém é obrigado a aceitar – horários, só para poder depois despedir mais gente. Ninguém pode mandar às malvas a própria decisão do colégio arbitral que solicitou e integrou (queria-a, sim, que foi quem a requereu – mas só se fosse a seu favor…). Ninguém pode, por ter errado todo o tempo, por não ter conseguido fazer o que lhe competia, e por não ter sido capaz de controlar o défice, apesar de tudo aquilo a que sujeitou o povo – para quem só deve trabalhar e a quem só deve o mandato – violar tão declaradamente as regras que suportam a sua própria legitimidade. Ninguém pode, finalmente, mudar o nome das coisas. [Read more…]

Natureza da “democracia”

Nuestra democracia viene de una reforma y no de una ruptura con la dictadura”, diz o jornalista espanhol Carlos Elordi. A nossa também, mas ninguém fala disso.

1984

Um filme de  Michael Radford, baseado na obra de George Orwell.

Legendado em português. Ficha IMDB.

Pode obter gratuitamente o livro aqui.

É fazer as contas

Se há cinco anos foram mais de 120 mil os professores que se manifestaram (…) ontem estiveram cerca de 80 mil (…) em 2008 eram cerca de 140 mil professores e hoje são pouco mais de 100 mil. in Correntes

Até podem fazer um gráfico, mas não se esqueçam das parcelas.

Do direito à futilidade

Ó Maria João, se eu mandasse, nunca me passaria pela cabeça retirar-lhe o direito a ser fútil e a julgar-se engraçada e educada, actividades que consegue praticar com grande autonomia. Já percebi, de qualquer modo, que, para si, discutir Política e Educação corresponde a comentar o verniz das unhas ou as camisolas da Catarina Martins e a fazer associações simplistas entre partidos e regimes políticos ou a chamar políticas socialistas à corrupção do Estado. Diante de si, estarei sempre em desvantagem, porque não tenho competências de “fashion adviser” que me permitam debater consigo, por exemplo, a Educação, esse tema que passa, sobretudo, pelo comentário à barba de três dias ou ao corte dos fatos de Nuno Crato. Ainda me lembrei de voltar a falar do conteúdo do texto da Inês Gonçalves, mas – lá está – não estou apto a escrever sobre as tendências da moda para este ano.

Também eu, Maria João, sou um ferocíssimo defensor do direito de todos nós à futilidade. É graças a essa prática continuada da futilidade que sou capaz de me divertir a ler o que escreve, porque é importante, também, lermos textos que não nos ensinem nada de importante, tal como é fundamental para o meu equilíbrio emocional ouvir os dislates de personagens como uma Paula Bobone ou um Cláudio Ramos. A Maria João é, no fundo, o gloss com que me mimo para não estar sempre sisudo a pensar em coisas importantes. [Read more…]

Sétima Revisão da Troika: documentos traduzidos para português

Introdução

AVISO: Este trabalho ainda não foi revisto. Penso no entanto que é importante este material estar o mais cedo possível disponível para discussão. Agradeço que deixem um comentário caso encontrem gralhas ou omissões.

Esta é a tradução dos documentos publicados pelo FMI no dia 12 de Junho (PDF). Como é normal, tanto para este governo como para o anterior, a tradução destes documentos para português parece não ser considerada urgente. A menos que, naturalmente, haja alguma pressão dos meios de comunicação social. A página do governo onde se encontram os documentos das sucessivas revisões da Troika contém traduções para os memorandos relevantes, infelizmente essas traduções costumam aparecer três a cinco meses depois de serem publicados os originais, ou seja quando já não são necessários, quando são irrelevantes.

Assim, mais uma vez, a tradução destes documentos recai sobre os ombros dos próprios cidadãos. Estes documentos são talvez mais importantes que o próprio Orçamento de Estado dado que são eles que, em última análise, ditam as políticas, estabelecem os objectivos e, de uma forma geral, norteiam a acção dos governos.

Do comunicado à imprensa do FMI, podemos ler: [Read more…]