“Não serei exaustivo…”,

diz ele.
Às tantas, após o que pareceram horas do seu mais chato e pernóstico discurso da época – o que não é dizer pouco – Paulo Portas afirmou: …”não serei exaustivo, mas…” e continuou.

Continuou. Interminável, irrelevante, demagógico, beato. Os canais noticiosos, abjectamente servis, transmitiram, integralmente e em directo – da sede do CDS, com direito a sigla no canto superior direito, onde costuma estar sinalizado o carácter violento ou pornográfico de um conteúdo – esta imensa homilia. E, no momento em que vos escrevo, continuam a transmitir. E o homem vai-nos garantindo que o CDS é a porção de paraíso do governo. Vem-me à memória aquela frase de Russel: “Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso de tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso”.

Acerca dos *fatos, só mais uma ou outra coisa

Relativamente ao comentário do senhor embaixador Francisco Seixas da Costa, deixo aqui algumas nótulas.

É inadmissível que responsáveis políticos pela criação, promoção e execução do AO90 veiculem inexactidões em relação ao âmbito da supressão consonântica preceituada na base IV e nada me leva a pensar noutro motivo para tal, a não ser ignorância. Acerca disto, creio, estamos de acordo.

Apesar de, em meu entender, os responsáveis políticos não serem obrigados a conhecer, de forma aprofundada, os aspectos técnicos dos diplomas que criam, promovem e executam, não é aceitável o fomento de fugas para a frente, depois quer da emissão de pareceres extremamente críticos, quer do reconhecimento por responsáveis pelo dossier em apreço das imprecisões, dos erros e das ambiguidades («Só num ponto concordamos, em parte, com os termos do Manifesto-Petição quando declara que o Acordo não tem condições para servir de base a uma proposta normativa, contendo imprecisões, erros e ambigüidades»).

Por exemplo, uma das ilações que um leigo atento — ou um especialista distraído — terá tirado de determinadas declarações de Pinto Ribeiro poderá ter sido a de que o ex-ministro da Cultura conhecia tão bem e de forma tão profunda o tema que até se dava ao desplante de rebater a Petição N.º 495/X/3.ª com considerações vagas e com piadas de algibeira (Jornal de Letras, n.º 1010, 17 a 30 de Junho de 2009, p. 15):

Compreendo que as pessoas que lideraram a petição tenham essa posição e que estejam grudadas no purismo. É como se não quisessem que as respectivas mulheres mudem de cortes de cabelo ou os maridos deixem crescer ou cortem a barba.

Aquilo de que se desconfiava acabou por vir à tona, na resposta [Read more…]

Mil milhões de euros

Sorriam, fomos todos roubados.

O povo acordou no Brasil

Dia nacional da fraude nos exames

Às 10h 12m estas alunas já conheciam o conteúdo do exame. Em qualquer parte do mundo a quebra de confidencialidade de uma prova chega e sobra para a anular. O rigor e a exigência de Nuno Crato acabam aqui.

via Educar a Educação.

As greves do nosso umbigo

Pari numa maternidade lisboeta em plena greve nacional de médicos. Era primeiro ministro Cavaco Silva de cognome O Palhaço, é da tradição portuguesa eles terem cognomes e se o Afonso II não se queixa e já lá vão uns anos desde que lhe chamam Gordo se este agora não gosta que se faça ainda mais de morto porque com o outro isso parece que resulta.

Naqueles tempos, nos do Palhaço e não nos do Gordo, apesar de estes também serem tempos do Palhaço o que diz muito dele mas muito mais de nós, pari eu e pariram muitas outras, pariram tantas, era primavera, deve ser isso, que não havia mãos a medir e os poucos médicos de serviço ou ao serviço não chegavam para tantas parideiras. E eu pari e ali fiquei, parida, e fiquei, e fiquei, e fiquei tanto que ia ficando para sempre e só não fiquei de vez porque a sepsis que entretanto foi ficando comigo levou duas traulitadas numa sala de operações para onde fui levada dois dias depois assim num rés vés campo de ourique.
Aquela greve prejudicou-me? Pois se calhar sim, se calhar a minha filha mais velha esteve em riscos de nunca ter sabido o que era palmada de mãe e o mundo quase perdeu a enorme vantagem de poder conhecer a minha filha mais nova e se de quando em vez penso neste zig que não foi zag só hoje me voltei a lembrar da puta da greve dos médicos que me ia dando cabo da vida no sentido, sim, nesse, mais literal de todos.
As minhas filhas já não têm aulas e a greve dos professores não afecta grandemente as nossas vidas e deve ser por isso, só pode ser, que concordo com ela e a aceito, tal como aceito todas as outras greves, sejam elas de quem forem e quando forem, mesmo que não concorde com as razões delas ou mesmo que esteja parida no meio delas. Não me prejudicam, nunca fui prejudicada por nenhuma, deve ser isso.

Entretanto no Brasil

Há povo, há esquerda, há luta de classes versão combates de rua. E quem vai à guerra dá e leva.

Sondagens: a queda de um demónio

Voting intentions June 2013

Via Margens de Erro

A última esperança

A luta que os Professores têm vindo a desenvolver no último mês tem sido exemplar em muitos aspectos, nomeadamente ao nível da mobilização da classe que atingiu, em GREVE, dimensões nunca antes atingidas.

Mas, se os professores estão a lutar de forma singular, os boys de serviço continuam a não entender o que está em cima da mesa e que Pacheco Pereira tão bem descreveu esta semana:

O que está em causa para o governo na greve dos professores   é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

No DN, Pedro Tadeu, coloca a questão no ponto certo

O direito à greve foi assim transformado numa inalienável hipocrisia constitucional: um grevista é sempre, a priori, acusado por esta gente de estar a fazer mal ao País. E em qualquer empresa privada quase ninguém faz greve pois arrisca, logo, o desemprego.

Este jogo que parece ter de um lado os Professores e do outro Nuno Crato é bem mais complexo do que a espuma dos dias parece mostrar e todos começam a ter essa percepção. Obviamente, todos (ou quase!) defendem o direito à GREVE, mas nunca aquela em concreto: ou porque é cedo e não é tarde, porque é nos comboios e deveria ser nos aviões, porque é com alunos e deveria ser com os doentes, ou o diabo a quatro[Read more…]

Isenção para quê?

Perceber a greve de ontem pelas capas dos jornais de hoje, é como ler sobre o FCP na Bola ou no Record.

Especialistas e ignorantes

Se por eu mexer em moedas não faz de mim um economista, se por dar uns pontapés na bola não faz de mim um Mourinho e se por jogar o Singstar não faz de mim um cantor porque é que há gente que pensa saber falar de Educação só porque um dia passou pela Escola?

E a greve continua

Visibilidade actual das pautas finais do ano lectivo de 2012-13:

pautaQuantos conselhos de turma por realizar?

Mais normal do que isto não há

A normalidade dos exames.