O pior é já a seguir

Circula uma cópia do despacho de organização do ano lectivo que será publicado amanhã. Primeira leitura: ainda não se aplica a semana de 40h, mantendo-se a carga lectiva, embora haja uma redução de horários já que o trabalho de director de turma deixa de ser ali contabilizado.

Digamos que a greve convocada já surtiu efeito, adiando o pior para o próximo ano lectivo. Mais uma razão para a fazer, que enquanto o pau vai e vem nem sempre folgam as costas.

A propaganda do costume

Os sindicalistas não recebem em dia de greve, até porque o STA não deixa (já agora: a verba revertia para o sindicato).

Façam greve mas longe do meu quintal

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Estando neste momento marcado um dia de greve dos professores ao serviço de vigilância de exames que terá por única consequência atrasar o final da época um dia (e dando muito mais tempo de estudo a quem os vai fazer), temos associações de pais muito preocupadas. Não vi reclamações de uma única associação de estudantes.

Têm as associações de pais a presunção de defenderem os filhos, coisa que desde os meus tempos de associativismo liceal sei não ser bem assim. Neste caso estão unicamente a preocuparem-se com as suas férias, e  não tendo escutado um pio da hotelaria e agências de viagens, não se justifica.

Aguardo um comunicado das associações de pais sobre as consequências práticas do aumento do número de alunos por turma e a constituição dos mega-mega-agrupamentos de escolas, com impacto óbvio da qualidade de ensino, visível já este ano lectivo. Sentado, é claro, para não me cansar muito.

Greve

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Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico

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João Pereira Coutinho leu o livro de Pedro Correia (“Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico”, Guerra & Paz, 159 págs) — cujo lançamento foi aqui anunciado pelo Fernando Moreira de Sá e cujo título foi brutalmente estropiado por Francisco José Viegas — e descreve, na Folha de S. Paulo de hoje, o resultado da aplicação do AO90:

Depois do acordo, surgiram três “escolas” de pensamento.

Existem aqueles que respeitam o novo acordo. Existem aqueles que não respeitam o novo acordo e permanecem fiéis à antiga ortografia.

E depois existem aqueles que estão de acordo com o acordo e em desacordo com o acordo, escrevendo a mesma palavra de duas formas distintas, consoante o estado de espírito –e às vezes na mesma página.

Disse três “escolas”? Peço desculpa. Pensando melhor, existem quatro. Nos últimos tempos, tenho notado que também existem portugueses que escrevem de acordo com um acordo imaginário, que obviamente só existe na cabeça deles

Acrescenta Pereira Coutinho que [Read more…]

Confirmado

Ainda bem.

JJ águia

Não peças desculpa, Ricardo

Não peças desculpa, Ricardo, por lutares pelos teus direitos, pelo teu trabalho e por não quereres deitar pela janela fora vinte anos da tua vida.

Não peças desculpa, Ricardo, por fazeres greve, mesmo que eu duvide que muda alguma coisa, não peças desculpa por quereres que oiçam a tua voz, mesmo se me parece que gritas para uma parede surda e inflexível.

Mas não faças greve apenas por ti, Ricardo, nem apenas pelas tuas filhas (já é muito), nem apenas pelos professores, pelos funcionários públicos, pelos sindicalizados, pelos empregados, pelos desempregados. Faz greve pelo país, pela justiça, pela dignidade cidadã.

Faz greve pelo país que emigra, pelos juros que as tuas filhas vão continuar a pagar depois de deixares de trabalhar, pela falta de trabalho com que os teus alunos se vão confrontar, pelas conquistas civilizacionais das gerações que te antecederam e que agora, subitamente, são postas em causa.

Faz greve pelo país que fecha portas, pelos centros das cidades cheios de lojas falidas, [Read more…]

Poiares e o Diagnósticos a Medo

Gostava de perceber por que motivo os animais do despesismo socialista se empertigam tanto com a análise dos antecedentes ao Resgate, caso essa análise seja proveniente do Governo e da absoluta Cabeça Pensante, Poiares Maduro: «Hoje vivemos um tempo que para muitos é de pessimismo e descrença no futuro que contrasta com o entusiasmo dos anos que precederam a crise financeira». Evidentemente que o optimismo merdificante do socratismo não fez o emprego acontecer nem fez o PIB crescer nem gerou senão estagnação: não passava de um entusiasmo impante e lúbrico, alguns dizem movido a cocaína. Era um optimismo feérico, frenético, tagarela, exibicionista, masturbatório, charlatão. Na verdade, não se tratava de optimismo nem de entusiasmo. Era apenas gula. Cio pelo Poder. Absolutismo democratóide. Autoconvencimento de que mentir compensa e de que mentir muito compensa imensamente. Hoje é diferente. Há pessimismo porque há razões e depressões. Mas ele gera uma espiral depressiva e autofágica: a Esquerda espera tudo do Estado e nada faz por si mesma: o seu discurso é o do fim do mundo. Não não se pretende um optimismo piroso que gera estagnação e produz esterilidade e imobilismo. Só seriedade e honestidade nas contas públicas, cumprimento escrupuloso da palavra dada, sustentam um optimismo enraizado e com razões para prosperar nos anos advenientes. Poiares falava na Grande Conferência JN, Porto, ontem. E foi demasiado vago. [Read more…]

A GREVE dos Professores é pelos alunos

Há momentos em que se colocam alguns valores em causa. Confesso que fico confuso com algum tipo de argumentos e o dicionário é sempre uma boa solução para situar o significado de alguns vocábulos:

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greve

(francês grève)

s. f.
1. Interrupção voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.
Parece-me então consensual que uma greve é uma iniciativa que e voluntária, organizada por quem trabalha e que implica a interrupção das suas funções laborais, certo? E para quê?
Para protestar ou reivindicar.
Pois bem!
O que estão a fazer os Professores?
A fazer uma interrupção nas suas actividades laborais, curiosamente até naquela parte do ano em que boa parte dos ignorantes que comentam o país costumam dizer que estamos de férias. Aliás, se temos 3 meses de férias (Junho, Julho e Agosto), creio que o contador já começou a andar e por isso, realmente, as aulas que tenho para dar hoje  e os testes para corrigir devem ser parte das minhas férias. Não se preocupe sr. Marcelo, que nós não vamos deixar de dar aulas para lutar. Vamos levar as aulas até ao fim, respeitando, assim, integralmente o direito dos alunos à Educação.
E que motivos levam os Professores a iniciar a luta mais dura desde o 25 de Abril?
A permanente vontade de Nuno Crato em despedir Docentes ( pode chamar-se mobilidade, requalificação ou outra coisa qualquer, mas verdadeiramente, o que está em causa é o despedimento de milhares de professores) e o aumento do horário de trabalho para 40 horas.
Ora, não me parece que seja crime defender o posto de trabalho – se os trabalhadores não lutam pela essência da sua condição, vão lutar para???
Diria que, antes pelo contrário,  temos a obrigação de o fazer – até podemos perder e ver o despedimento acontecer, mas que isso aconteça depois de lutar tudo o que for possível.
E, o que vão fazer os Professores? [Read more…]

Da lista dos beneficiários de apoios sociais aos açoites é só um passo

É tudo uma questão de linguagem. Mesmo num país tão pequeno como Portugal há aqueles pequenos detalhes que fazem com que um simples objecto para pendurar roupa seja identificado como cabide numa parte do país e de cruzeta noutra.

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Por isso não fico espantado quando o Governo pretende publicar a lista dos beneficiários de apoios sociais e lhe chama uma forma de promover a transparência e o controlo da despesa. O Terreiro do Paço pode ter jeito para artimanhas linguísticas, como se vê.

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Carris

Roubar 15 milhões nos salários para dar 17 milhões aos bancos.

Estacionamento à la Mesquita Machado

É fartar vilanagem em Braga!