A lindíssima voz de um professor

Crónica de uma greve lavrada em português suave – Manuel Fontão

De regresso ao Estado Novo?

Prepotências, métodos tortuosos e embustes deste governo não se afastam dos padrões de dirigismo e das acções políticas características do Estado Novo. O mais grave e inquietante da citada postura é notório na comunicação, em certas deliberações e eventos de iniciativa da coligação governativa. O fenómeno intensifica-se a um ritmo progressivo. Sinto-me a viver o período do maior desassossego antidemocrático do regime pós-25 de Abril, PREC incluído.

Gaspar justifica a quebra do PIB com a chuva. Quem nos governa ousa desrespeitar as deliberações do Tribunal Constitucional e a lei em vigor ao tempo do acórdão, pagando fora do prazo subsídios de férias da função pública. Começou por invocar uma falsa insuficiência de meios.

Vencidos no campo das relações laborais e do direito à greve dos professores, a despeito de contrariarem o Colégio Arbitral que reprovou a hipótese de requisição civil, recorrem ao Júri Nacional de Exames para requisitar administrativamente a presença de todos os professores nas escolas, na próxima 2.ª feira, dia 17, a fim de fazerem a vigilância dos exames.

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Solidário com Cavaco

Estando eu em greve, é natural que me sinta ainda mais solidário com todos aqueles que desejem exercer esse mesmo direito. Como todos sabem, Cavaco Silva está em greve no que respeita às suas funções como Presidente da República, desde que o actual governo tomou posse. Não sei se o faz por não concordar com as reduções que a sua parca reforma sofreu, mas não me passa pela cabeça que qualquer outro cidadão, incluindo o Presidente da República, possa ter menos direitos do que eu.

É por isso que me vejo obrigado a concordar com a multa aplicada a um cidadão que mandou Cavaco Silva trabalhar, desrespeitando, assim, o direito à greve do mais alto funcionário público da nação.

Fico, entretanto, à espera que Passos Coelho e Nuno Crato sofram um castigo semelhante, uma vez que, nos últimos tempos, têm dirigido aos professores a mesma mensagem indecorosa. Faça-se justiça!

Cavaco em baixa

Honra do Presidente da República, afinal, vale pouco em tribunal!

Para isso, mais valia estarem quietos. Os juízes!

GREVE GERAL de Todos os Professores

Maria de Lurdes foi um marco! Como ela nunca haverá…

Ups! Calma! Correcção, afinal há e para pior.

Então agora o tribunal diz que não há serviço mínimos e suas excelências mandam um mero serviço técnico assumir uma ordem política que o Ministro teve receio em assumir?

A ordem é simples: todos os professores de todos os sectores de ensino estão convocados para ir vigiar o exame do 12º de Português, isto é, os educadores de infância de um Agrupamento vão ser chamados para estar na escola Grande, ficando, por isso, os mais pequenos em casa.

Não se trata de qualquer tipo de limitação: não são serviços mínimos e não se trata de uma requisição. É apenas uma oportunidade, agora alargada a todos, de participar na GREVE

A convocatória do MEC é Geral, mas a que convocou a GREVE também é. Segunda-feira, sem medos e sem qualquer tipo de limitações formais, é a nossa vez de ir a EXAME!

Ou fazemos ou não fazemos. Mas, pelo que vou vendo, vamos mesmo fazer!

Quanto a Nuno Crato, percebo a vontade de ganhar na secretaria, mas a sua história está escrita e agora é de tombo em tombo até à queda final! E aposto que é antes das férias!

auxiliar de previsões

bordagua1

Querem guerra, vamos à guerra!

Fazendo troça do Colégio Arbitral que não decretou serviços mínimos, Governo convoca todos os professores para o serviço de exames.

Pediu o impossível

Um português foi condenado por gritar a Cavaco Silva “Vai trabalhar“. Cavaco Silva não foi.

Sacanas sem lei

Eles julgam-se acima de toda e qualquer lei. Sonham que ainda vivem no Estado Novo e que todos os poderes estão concentrados nas suas mãos, até o poder judicial. O Tribunal Constitucional manda pagar os subsídios, mas eles mandam o Tribunal Constitucional à merda. A Comissão Arbitral impede os serviços mínimos na Educação, mas eles não aceitam. No Porto, o Tribunal suspende candidaturas autárquicas, mas eles continuam a fazer campanha como se nada fosse e já avisaram que vão concorrer em qualquer circunstância.
Sequestrado o Presidente da República, que não se chateia com essas coisas, e chantageado o parceiro de coligação, perderam toda a vergonha e até já brincam com os seus patéticos falhanços em tudo o que é previsões. São sacanas sem lei, porque a sua única lei é a de um poder reles e putrefacto que vai ter de cair mais cedo ou mais tarde.
DEMISS~1

Até o Álvaro se desmanchou à gargalhada

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=zXG4R-uTbkA]

O deputado Bruno Dias actualiza a ciência económica na Assembleia da República através do Borda d’Àgua. Um contributo de Vítor Gaspar para o conhecimento humano.

O MEC foi para a reforma, o Rui Rocha está no activo

A última vez que li tão bem explicadinho o ser português foi na década de 80, e mais não digo. Leiam.

Adelino Calado, um capataz ao serviço de qualquer ministro

O primeiro  capacho de serviço, que convocou todos os professores do agrupamento de escolas  onde é director para o serviço de exames na próxima 2ª feira, tem cadastro: já era um modelo na aplicação das avaliações à moda de Maria de Lurdes Rodrigues. Um exemplo a seguir, do director amigo dos autarcas

e apoiante óbvio do candidato do PSD que o manterá no lugar. Que sirva de uma vez por todas de exemplo para os que acreditaram na política de destruição da escola pública de Sócrates: o objectivo era este, colocar à frente das escolas boys de qualquer idade, desde que servis perante o poder político. Conseguiram. Não fosse isso e Nuno Crato não era ministro desde o ano passado.

informação via Contra-Reaccionário

Os sindicatos de professores andam a dormir?

Num momento em que a greve dos professores está no auge e o ministro da Educação acaba de esticar a corda, num caminho sem retorno, os sindicatos parecem ter adormecido na luta. Se esta já está extremada da parte do Governo, cumpre aos sindicatos fazer o mesmo.
Não é pedir mais negociações suplementares. Já se percebeu que o Governo nada tem para oferecer. Não é deixar que os prazos para novos pré-avisos se esgotem.
A partir do dia 24 de Junho, não haverá greves, pelo menos até agora – e já não há muito tempo para fazer o pré-aviso. E depois? Correrá tudo normalmente como se nada tivesse acontecido? Meia dúzia de dias de atraso, é isso que querem? E ficamo-nos por aqui?
Deixei de ser sindicalizado em 2008, no dia em que a Fenprof assinou o Memorando da Traição com a Ministra da Educação, a prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues. Estava disposto a dar uma segunda oportunidade aos sindicatos, mas infelizmente não vejo sinais assim tão positivos.
Era agora, com greves próximas dos 100% diariamente, que os sindicatos tinham de mostrar a sua força. E o que fazem? Abandonam a luta?

Greve as avaliações: mais esclarecimentos

Os professores estão a ser muito afirmativos na concretização da GREVE às avaliações – os números apontam para adesões muito próximas dos 100% e, obviamente, com esta realidade a confusão nas escolas está instalada.

Na próxima semana temos o exame de Português (6º e 9º) e as escolas não sabem quem são os alunos que podem ou não ir a exame, o que equivale a dizer que os alunos e as famílias também não. Apesar disso, continuo a ficar surpreendido com algumas Direcções que teimam em estar do lado errado da história. Será que o comportamento vergonhoso no tempo de Maria de Lurdes não foi suficiente?

Estou a falar de duas coisas: da remarcação das reuniões e do desconto no salário dos Professores que aderirem à GREVE. [Read more…]

Capatazes à solta

O primeiro chama-se Calado. Parabéns Maria de Lurdes Rodrigues, capachos a dirigirem escolas resultou.

Os Contribuintes São Bastante Burros

dummiesDepois de uma incursão no Serviço de Finanças de Braga e de uma reclamação, eis que chega hoje a obrigatória resposta à mesma. Mas valera que não gastassem papel porque “desculpas” inventam-se, não se escrevem. A minha resposta à resposta fala assim…:

“Sr. Chefe de Divisão Manuel Joaquim Rodrigues,
No que concerne a minha anterior reclamação, em livro amarelo e presencialmente, entendo que o sr. Chefe de Divisão queira, de forma clara, encobrir a incompetência e insensibilidade de alguns dos trabalhadores dessa repartição pública. Aliás, nem esperava outro comportamento.
No entanto, e para memória futura, quero reforçar tudo o que anteriormente disse e escrevi: a funcionária a quem eu e a minha esposa nos dirigimos foi claramente informada de que não havia senhas prioritárias disponíveis.
Essa reclamação – que a funcionária terá interpretado como desprovida de contexto – não aconteceu “porque sim”; antes, aconteceu porque não existiam… senhas prioritárias e elas eram obviamente necessárias. Ou porque outra razão seria feito o reparo?
Mais acresce que nos fazíamos acompanhar de um carrinho de bébé. Daí eu assumir que só um director equivocado na profissão e um funcionário incompetente não consigam associar um carrinho de bébé + falta de senhas prioritárias… à necessidade de alguém prioritário sendo prioritariamente atendido, tal como define a Lei.
Lei essa que essa repartição não cumpriu, nem ao segundo apelo.
Mais acresce que o senhor director, que poderá já não estar lembrado, foi chamado à sala por um outro funcionário, foi prontamente informado da falta de senhas e… recolheu aos seus aposentos, num comportamento cobarde, ineficaz, indesculpável e parolo.
Eu esperava algo mais dos funcionários mas, sobretudo, esperava algo mais do seu director.
Pese embora o amargo que a situação causou, estou certíssimo de que o sr. Director deste serviço de Finanças vai, a todo o custo, pugnar para que outra vergonhosa situação de incumprimento da Lei não ocorra à sua frente, com a sua cumplicidade, (…)”.
E porque na vida todos falhamos, criou-se a palavra “desculpa“. Não aparece uma única vez na resposta das Finanças.
Peço desculpa eu por ter incomodado…

A propósito da greve dos professores,

Passos Coelho, naquele seu estilo altaneiro e paternalista a que jamais nos habituaremos, afirmou e reafirmou que os professores não têm o direito de lançar o caos na vida das famílias, fazendo com que deixem de saber com o que contar no futuro. Pergunto: alguma família sabe com o que contar desde que o Governo de Passos Coelho subiu ao poder?

Governo apoia a greve dos professores

Não pagar o subsídio de férias este mês foi uma ideia genial, ao nível do mau perder quanto aos serviços mínimos, mantendo os exames marcados para 2ª feira.

Com ministros assim os professores nem precisam de sindicatos (de passagem, a relação entre o grupo profissional e o sindicalismo foi muito bem explicada pelo Paulo Guinote, no decorrer da imensa carga de porrada que ontem deu na SICN a um tal de Couto dos Santos, em tempos ministro cavaquista e de cuja existência nem me recordava, é ver o vídeo, continua mentiroso e demonstrando uma inteligência ligeiramente superior à das formigas).

Hoje nas escolas os indecisos perdiam a indecisão, os que ontem não iam fazer greve passaram a indecisos, e algures num universo de 100 000 professores devem existir, muito algures, firmes apoiantes de Nuno Crato, do Passos Coelho e do meteorologista Gaspar mas em rigorosa clandestinidade, que a vergonha quando nasce por vezes é para todos.

É isto a meritocracia, a nata da direita no governo, a coisinha mais incompetente que me foi dado até hoje ver. Abençoada pátria que tais filhosdaputa tem.

Somos todos merda nenhuma

Chateia-me esta coisa de, de cada vez que há uma luta mais mediatizada, temos de ser todos isto ou aquilo. Ontem, a Comissão de Trabalhadores da RTP, que respeito e saúdo, fez publicar um comunicado com o título “Somos todos gregos”. Depois de sermos todos tunisinos, egípcios, ucranianos, bielorrussos e mais alguns, somos agora gregos e turcos, com mais ou menos @, com mais ou menos x. Ora, eu não preciso de ser grego para estar solidário com a luta dos gregos, que é, quer queiramos quer não, igual à nossa. Ou dos turcos, com objectivos ligeiramente diferentes. É a moda das Primaveras e das revoluções coloridas que me chateia. [Read more…]

Importante votação no Parlamento: resolver os problemas do DRM

Hoje votam-se dois  importantes projectos de lei no que respeita conteúdos digitais.  Procuram corrigir a inacreditável situação de não se poder exercer o direito de cópia privada quando há DRM envolvidos, sob pena de prisão até um ano. Traduzindo, quem compra uma obra tem o direito de a copiar para fins privados. Seja um DVD, seja um livro, é um direito que assiste ao comprador e este até paga um imposto para o poder fazer (esse mesmo imposto que a SPA procura sorrateiramente aumentar exponencialmente). Desta forma pretende-se dar a possibilidade de manter um DVD  livre de riscos ou até passar uma obra que se tenha comprado de um formato para outro, com fins de uso pessoal (por exemplo, passar um CD para mp3). Mas quem o fizer, para isso tendo que anular as protecções de DRM que as editoras colocam em livros digitais, CD e DVD, por exemplo, estará a incorrer numa pena de prisão (ver artigos 218.º e 219.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos – obrigado SPA). Até a tentativa  é punida por lei! Mais exemplos no DRMPT (1, 2, 3).

O que os projectos de lei do BE e do PCP vêm fazer é anular esta penalização, por forma a que se possa, de facto, exercer o direito de cópia privada sem ser à margem da lei (projecto de lei do BE; projecto de lei do PCP). É importante que estes projectos de lei sejam aprovados pois estes artigos 218.º e 219.º existem sob o pretexto da luta anti-pirataria mas em nada para isso contribuem e, por outro lado, limitam seriamente o uso legal das obras compradas.

Recurso do MEC não tem eficácia

Nuno Crato apostou tudo nos serviços mínimos e perdeu. O Colégio Arbitral foi muito claro e até deixou uma sugestão:

– não há serviços mínimos;

– sugeriu que o MEC fizesse a data do exame deslizar para dia 20.

Ora, perante esta decisão, Nuno Crato decide avançar em frente, fazendo de conta, que nada aconteceu – se não surpreendia esta postura nas reuniões de negociação, onde o MEC não ouve nada nem ninguém, já é menos compreensível que siga a mesma lógica na relação com os tribunais.

Nuno Crato poderia ter colocado os alunos à frente dos seus interesses e adiado o exame para dia 20, mas preferiu continuar a guerra. Isto é, os problemas que acontecerem na segunda-feira são uma opção e uma escolha de Nuno Crato.

Mas, vamos imaginar que Nuno Crato até sabe o que está a fazer, digamos que, num momento criativo deste post.

Aqui vai:

– 4ª feira, 12 de junho: Nuno Crato recorre da decisão.

– 5ª feira, 13 de junho: feriado em Lisboa.

– 6ª feira, 14 de junho: o Colégio analisa tudo a correr e envia para a FENPROF.

– 2ª feira, 17 de junho: dia de exame.

Ou seja, não há qualquer tipo de eficácia na decisão de recorrer o que equivale a dizer que Nuno Crato decidiu que os alunos não vão poder realizar o exame na próxima segunda-feira.

E, nem coloco a questão da legalidade. É desnecessária.

Quanto aos Professores, é só continuar a lutar sempre acima dos 99%!