Sindicatos de Professores – o dinheiro

Mesmo dormindo bem tranquilo, não deixo de me preocupar com os tiques que alguns deputados do PSD têm vindo a apresentar em relação aos sindicatos e em especial à FENPROF, que, historicamente, é a única organização sindical de professores que tem conseguido incomodar os diferentes poderes.

Dizem os putos ignorantes que é preciso ir a correr ver quanto custam os sindicatos aos Portugueses e até se atrevem a questionar a permanência do Mário Nogueira à frente da FENPROF. Como já referimos, Mário Nogueira respondeu e bem ao menino, mas vale mesmo a pena esclarecer dois pontos:

– os Dirigentes da FENPROF são eleitos democraticamente pelos sócios dos seus sindicatos (SPN, SPGL, SPRC, SPZS, SPE, SPM, SPRA) e podendo ser criticada a duração dos mandatos ou até a sua  renovação, importa lembrar o que o PSD tem dito sobre Seara e Menezes. E, Mário Nogueira, entra agora no seu terceiro mandato;

– de acordo com a Lei Geral, um Dirigente Sindical tem direito a 4 dias remunerados para o exercício da atividade sindical, seja na Função Pública, seja no Privado, onde muitas vezes o fundo que permite esta prática é gerido de outros modos. Assim, para o MEC é absolutamente igual pagar 4 dias a 5 dirigentes ou pagar 20 dias a um só, certo? Ou seja, os Professores A, B, C, D e E, Dirigentes do Sindicato não usam os seus dias para faltar, que são acumulados de modo a que Mário Nogueira possa exercer a tempo inteiro.

E, como refere Mário Nogueira,

“em termos de despesa é igual, mas tem uma vantagem: é que os alunos de cinco professores não ficam sem aulas, no limite, 40 dias por ano, ou seja, 4 dias por mês ao longo de 10 meses.”

É tudo tão simples e tão transparente: o dinheiro dos sindicatos é o dinheiro que os seus sócios, mensalmente, lhe entregam. Apenas esse.

Será que os Partidos, em especial o PSD e a JSD, podem dizer o mesmo?

Será que o senhor Deputado Hugo, um boy que nunca trabalhou, pode dizer o mesmo?

Comments


  1. Não é verdade que “o dinheiro dos sindicatos é o dinheiro que os seus sócios, mensalmente, lhe entregam. Apenas esse…”, pois os sindicados recebem, além das quotas pagas pelos trabalhadores sindicalizados, quantias significativas do Orçamento de Estado, para participarem na concertação social. Haja rigor, doa a quem doer!


    • An – os sindicatos de Professores não participam na CS. A CGTP e a UGT sim e, essas, não faço a mais pequena ideia se recebem dinheiro. Sugiro que nos mostre elementos para o provar, porque continuo a dizer que não tenho conhecimento. Quanto aos sindicatos da FENPROF, mantenho a 100% tudo o que escrevi. JP


  2. “quantias significativas do Orçamento de Estado, para participarem na concertação social.”

    Quais?Vá lá, indique quais. Venha dai o rigor.
    Eu até sou profissional liberal a recibinho verde, mas fico mesmo chateado, e pois claro que estou chateado, quando vejo energúmenos (ou nas) a falarem do que não sabem ou quando mandam bitaites estarolas ao nível da maior baixeza jotinha.
    Estive a ver o Orçamento de Estado 2013 e o que aparece para sindicatos trata-se de ajudas de custo e pouco mais. Aliás, bem mais chumpam as Confederações Patronais do Orçamento de Estado.

  3. AACM says:

    bla bla bla bla…..mas vamos ao que interessa responder.
    1. O Nogueira recebe salario das quotas do sindicato ou do orcamento de estado ?

    2. Qual o salario mensal do Nogueira ? Tem outros rendimentos ou ajudas de custo ?

    3. A quantos anos nao da aulas ?

    4. Tem progredido na carreira de professor e de que forma foi avaliado ?

    5. Quantos professores existem no sindicato nas mesmas condicoes do Nogueira ?

    6. O Nogueira quantos anos deu aulas, quantos anos tem de sindicato e em que ano se formou ?

    7. Quantos associados pagantes tem o sindicato do Nogueira ?

    Se alguem me puder esclarecer sobre estas questoes legitimas, desde ja o meu muito obrigado.


    • Meu caro AACM, não tenho respostas para todas as suas perguntas, sendo que, algumas delas merecem muita pouca atenção, mas do que sei, aqui vai:
      1. O Mário Nogueira é Professor e recebe o seu salário de Professor pago pelo Ministério da Educação. Não sei em que escalão está, mas poderá ver os vencimentos de todos os docentes: http://www.spn.pt/?aba=27&cat=107&doc=770&mid=115;
      2. Qual é a questão de dar ou não dar aulas? Se é eleito democraticamente e cumpre a lei, qual é a questão? É aos sócios dos sindicatos da FENPROF que compete decidir isso, não? Quase me apetecia perguntar, o menino jotinha que tem aberto a boca, não trabalha há quantos anos?
      3. Não tem progredido porque há muitos anos que as carreiras estão congeladas e porque os sindicalistas a tempo inteiro foram directamente prejudicados por não estarem nas escolas. Isto é, Mário Nogueira, está a perder dinheiro estando a tempo inteiro na FENPROF;
      4. Não faço ideia quantos dirigentes sindicais há, mas esse é um ponto que vale zero – existem os que a lei permite e que acumulam os 4 dias que existem para todos os trabalhadores.
      Sobre o SPRC, não sei.

      Nota: no Congresso em que o Mário Nogueira foi eleito Coordenador da FENPROF apoiei outra candidatura e fiquei durante muitos anos do lado da “oposição interna”, se quiser ver as coisas assim. Isto para lhe dizer, que não tenho nenhuma razão especial para “defender” o MN, até porque o faria certamente pior do que ele próprio.
      Nota2: lamento que este tipo de questão seja discutido em Portugal. É sinal da fraca democracia que temos.
      JP

  4. ARTUR ALMEIDA says:

    TENHO PENA QUE NÃO HAJA CENTENAS DE MILHARES DE NOGUEIRAS. SE UM SÓ INCOMODA TANTO. FAÇAM AS CONTAS

  5. AACM says:

    Caro Joao Paulo…….Em democracia tudo pode e deve ser discutido. As perguntas que coloquei sao legitimas pelo simples facto que sou cidadao e contribuinte Portugues. As suas respostas esclarecem-me pouco, mas obrigado, nao me parece no entanto ( embora legal como me diz ) normal, que um funcionario de um sindicato que defende os seus associados e so por eles eleito, seja remunerado pelo universo dos contribuintes. Sendo assim posso deduzir que so existem sindicatos dos professores porque paga a entidade patronal(todos os Portugueses) ? ou os outros sindicatos de servicos privados tambem funcionam desta maneira ? …..desde ja obrigado se me souber responder.


    • Sim, claro. Podemos discutir tudo, até falar de A quando o país precisa que se fale de B, C, D, E, F,… Mas eu entendo a estratégia claro. Quanto à resposta que solicita: sim, claro. É assim no público e no privado, sendo que alguns contratos colectivos organizam esta questão de outros modos. Mas, repito, no caso da Educação a questão é saber se queremos 5 profs a faltar 5 dias por semana ou um que junte essas faltas todas. De resto, na sociedade que eu defendo, os sindicatos são um pilar fundamental porque o trabalho é estruturante da sociedade. E, sem sindicatos, seria esmagador o poder do capital sobre quem trabalha. Mais uma vez, bem simples. Será isto um custo da Democracia? Sim. É. Um custo que faz sentido. JP


  6. Conversa da treta… para fugir dos actos criminosos que andam a ser praticados pelo governo

    http://soproleve.blogspot.pt/2013/06/requalificacao-docentes-despacho.html

    “REQUALIFICAÇÃO” Docentes – Despacho aprovado em Conselho de Ministros
    Despacho já aprovado pelo Governo. Chamo a atenção para o ponto 3 que coloca a TODOS os professores no “olho da rua”, transferindo essa decisão para os directores.

    Se os professores não perceberem agora, não podem queixar-se no futuro.

    Atenção ao “diploma próprio”. Poderá ser aqui que entra como 1.ª cláusula o resultado da avaliação externa!

    Existem professores que julgam que é lei a ordenação e que só estão em perigo os últimos de cada grupo disciplinar.

    Então… ainda não está pronto para a greve?


  7. Se a carga horária da componente lectiva é de 22 horas temos até ás 35 horas semanais 13 horas sem componente lectiva. Pergunto porque é que a para actividade sindical só se desconta na componente lectiva? Porque é que não é utilizam o “dia livre” para a actividade sindical.


  8. Jms, eu ajudo…
    O trabalho que não é feito pelo professor porque está no desempenho do seu trabalho sindical, coponente não lectiva, terá que ser feito por esse mesmo docente posteriormente. As custas do tempo que devia ser dedicado à familia, também é verdade que isto é algo que a família dos docentes já estão habituados.

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