A “escola” Vale e Azevedo

Detestei a presidência de Vale e Azevedo no Benfica. Aqui, a palavra detestar não é gratuita. Detestei mesmo, odiei, envergonhei-me várias vezes por ver o personagem representar o Benfica com o aplauso dos sócios.

Vale e Azevedo, se estiverem lembrados, inaugurou um estilo então em ascensão e que vingou na sociedade portuguesa, nomeadamente na política, como temos visto: o homem arrogante, vaidoso, que se qualifica a si mesmo como vencedor, capaz de mentir descaradamente em qualquer situação, com lata para dizer uma coisa, fazer o seu contrário e chamar burros aos que diziam que a acção e a promessa não batiam certo. Vale e Azevedo implantou o sem-vergonhismo nos media portugueses, a não admissão de culpas, o ataque rottweilliano e paranóico a quem dele discordasse, o esmagamento retórico dos adversários com base no insulto personalizado e em lógicas absolutamente distorcidas.

A ostentação sem limites, o discurso do luxo e do sucesso por atropelamento de terceiros, o chico-espertismo e pato-bravismo embrulhados em “elegância” e “finesse” eram uma das suas imagens de marca.

Os processos judiciais em que se viu envolvido, cheios de episódios rocambolescos, manobras dilatórias, cartas rogatórias e afins, permitiram-lhe ganhar tempo e depenar mais algumas vítimas que o não seriam se a justiça portuguesa fosse célere e eficaz.

O seu estilo de “dandy torrejano”, ainda lhe permitiu ficar a dever rendas luxuosas em Londres, onde se fazia passar por milionário, e enganar incautos que pensavam lidar com um milionário honesto e bem sucedido. Não fosse a personagem tão sebosa, impada e cheia de si, e teria até certa graça romântica, se romantismo no patego houvesse.

Cabotino, mitómano, mentiroso e, recentemente, “vítima do sistema”, o homem de sucesso, o perfumado vencedor, o empreendedor, o competitivo e superior Vale e Azevedo foi condenado a mais dez anos de choldra, vulgo pildra ou xilindró. Que lhe sirvam para alguma coisa e, se não for pedir muito, que se lhe juntem alguns alunos da sua “escola de sucesso”.

Comments

  1. Amadeu says:

    Excelente definição. Andam por aí muitos muitos, mas sem a ostentação provocadora e não tão rotweillianos, que isso dá muito nas vistas.

  2. Mário Machaqueiro says:

    Por momentos, julguei estar a ler a descrição de uma outra personagem da nossa miséria (moral) tuga: José Sócrates.

  3. nightwishpt says:

    Ainda gostava de saber qual é a diferença entre esse e o Vieira… Só se for ser menos descarado a roubar.


  4. Concordo plenamente consigo . Este indivíduo foi um exemplo
    de como se engana e rouba , imitando os políticos e ou os políticos imitando-o . Já não se sabe quem imita quem , está tudo demasiado sofisticado através do sem-vergonhismo .

  5. lidia drummond says:

    E o que dizer da mulher de confiança de Passos Coelho, Teresa Leal Coelho, sua professora na Universidade Lusiadas, onde dizem ele ter uma licenciatura em economia, com esta e Maria Luis Albuquerque como Professoras. Foi Vice Presidente do Vale e Azevedo e quando Vilarinho entrou mandou fazer uma auditoria e lá estavam os documentos assinados por ela, como directora financeira. Cometeu irregularidades graves, segundo Vilarinho que perdoou!! Ela foi para o Centro Cultural de Belém onde voltou a prevaricar mas aí o Presidente apresentou queixa à justiça. Ela foi condenada, mas ninguém fala do assunto. Vale e Azevedo era um trafulha mas foi ajudado por pessoas como esta, Ribeiro e Castro e tantos outros que por aí andam condenando o importante homem do PSD mas quando o apoiaram nada fizeram. e quando deu para o torto fugiram como ratos.

  6. jcfm says:

    “dandy torreense” era se ele fosse de torres vedras como ele é de Torres Novas o correcto é “dandy torrejano”

  7. Tudoaqui says:

    Espelho meu , espelho meu

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