Economia da felicidade

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Há uns dias, em França, no âmbito das 13ª edição das Rencontres économiques d’Aix-en-Provence, o Cercle des économistes promoveu uma iniciativa que teve por base um programa chamado Inventez 2020, la parole aux étudiants (Inventem 2020, a palavra aos estudantes). O programa, participado por centenas de jovens oriundos de toda a França, desafiou-os a escrever um texto de reflexão prospectiva sobre o estado do Mundo em 2020 – nele pondo as suas perplexidades, expectativas e desejos. Seleccionados os cem melhores textos, o Cercle des économistes convidou os seus autores a subir a uma tribuna para dar conta das ideias neles contidas.

O que disseram? Que querem viver num mundo mais compreensível e mais feliz. A felicidade – variável desprezada pela generalidade dos empregadores – é o que os move, e estão certos. Crescimento? Sim, claro, disseram todos, mas antes de tudo o mais um crescimento que faça inflectir o caminho danado do capitalismo financeiro, produtor de grande número de pessoas infelizes em toda a parte. Competitividade? Naturalmente, pois assim se processa a guerra económica entre os mercados, mas a esse enorme poder – que actualmente domina sobre a política – é preciso contrapor responsabilidade. E para tal, é preciso aliar outras variáveis aos números, de modo a poder desenvolver modelos económicos cuja finalidade vise a maximização do bem-estar social. “Queremos uma economia da felicidade e não apenas do crescimento”, disseram.

Conscientes como talvez nenhuma outra geração precedente do mundo em que vivem, os jovens compreendem que foram educados numa sociedade de consumo que lhe deu até mesmo o que talvez não precisassem – smartphones, consolas de jogos, etc. –, enquanto viam os pais agarrados aos comprimidos para adormecer e para acordar, permanentemente stressados, e por todas essas razões e escolhas de vida, incapazes de ser tranquilamente felizes, existindo antes e para além do conforto. E foi a ver os pais dominados por uma panóplia de falsas necessidades que muitos acordaram para a vida, perguntando-se se ela seria apenas isso – a escravidão do trabalho, os modelos de vida que condicionam as famílias, a frustração permanente que caminha lado a lado com a ganância. E tudo isso enquanto parte considerável do Mundo existe sem condições mínimas de dignidade humana.

“É quando nos comparamos a alguns países em vias de desenvolvimento que tomamos consciência da nossa sorte. Mas também do nosso azar, e por vezes da nossa superficialidade. (…) Não nos sentimos livres. (…) Por isso, muitos de nós interessam-se cada vez mais pelos modelos associativos, pelo trabalho humanitário, pelo empreendedorismo social. Porque queremos dar um sentido à nossa vida.” Aí têm: jovens conscientes, capazes de analisar com espírito crítico as escolhas de vida dos pais e nada interessados em replicá-las. Mais aqui.

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