Leya apela ao voto em branco

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A Leya criou uma sobrecapa para forrar a capa do livro de José Saramago Ensaio sobre a lucidez (Caminho, 2004).

Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%. Receoso e desconfiado, o governo, em vez de se interrogar sobre os motivos que terão os eleitores para votar branco, decide desencadear uma vasta operação policial para descobrir qual o foco infeccioso que está a minar a sua base política e eliminá-lo. E é assim que se desencadeia um processo de ruptura violenta entre o poder político e o povo, cujos interesses aquele deve supostamente servir e não afrontar. Ensaio sobre a Lucidez (…) constitui uma representação realista e dramática da grande questão das democracias no mundo de hoje: serão elas verdadeiramente democráticas? Representarão nelas os cidadãos, os eleitores, um papel real, e não apenas meramente formal?

Comments

  1. Victor Moreira says:

    Vou ler esse livro.

    • Sarah Adamopoulos says:

      Boa ideia 🙂

    • adelinoferreira says:

      Ó Victor, leia esse e os outros: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, O ANO DA
      MORTE DE RICARDO REIS, AS INTERMITENCIAS DA MORTE,
      O HOMEM DUPLICADO, CAIM, A JANGADA DE PEDRA, LEVANTADO
      DO CHÃO, A CAVERNA, A VIAGEM DO ELEFANTE e o EVANGELHO
      SEGUNDO JESUS CRISTO. Pronto, já tem para lêr por muito
      tempo. Mas há mais!

  2. Abel Barreto says:

    Em vez de lerem o livro (que de resto, recomendo), pensem antes em que grupo de patifes (não) vão votar nas próximas eleições legislativas.
    Defendo que deveríamos deixar de participar na partidocracia que nos vendem trasvestida de democracia e que se vote massivamente em branco, para demonstrar que não nos deixamos de interessar pelo processo democrático, mas não com estes actores.


    • Eu gosto de votar. Durante muitos anos, no tempo de Salazar, era este o argumento: os partidos são uns patifes e por isso não valia a pena haver democracia parlamentar. Depois acrescentava-se: “O Salazar é um homem honesto e um pai para nós. Ela vela por nós, não precisamos dos patifes dos partidos”. Agora vêm vocês defender o mesmo acompanhados do Saramago (será sina dos Ss?). Como disse ao princípio, gosto de votar. Podiam então esclarecer-me quais seriam os actores que recomendam?

      • Sarah Adamopoulos says:

        Voto sempre e não defendo o voto em branco, cuja leitura política foi arredada do sistema pelos partidos na sequência da publicação deste livro de Saramago. O post pretendia apontar o dedo ao marketing vale-tudo dos grandes grupos editoriais e levar de novo para o espaço público o debate sobre o voto em branco, ainda envolto em desinformação.

        Quanto aos actores, depende da fita que se quer ver, sendo para mim certo que esta que agora termina a sua carreira não deve ser replicada. É preciso virar à esquerda (http://aventar.eu/2013/07/05/governar-a-esquerda/), mas para isso são necessários compromissos, e aí é que a coisa se estraga, apesar da devastação que pede outro posicionamento por parte das esquerdas


  3. É preciso ter cuidado nos votos por causa dos inúmeros patifes que por aí há disfarçados de santinhos e é preciso relegar a
    partidocracia para outras bandas . .
    Como prova do meu descontentamento não voto , mas se votasse também seria em branco .

  4. Abel Barreto says:

    Obrigado Sarah pelo esclarecimento. A ignorância é muito triste.
    Pondo de parte essa minha atitude de, erradamente, encarar o voto em branco como uma forma de protesto válida e com efeitos práticos, o que me resta?
    A esquerda (que não o PS, porque esse partido se está conotado com a esquerda apenas é por razões históricas), tem levado quase sempre o meu voto. Mas não a vejo capaz de empreender acções que visem estabelecer verdadeiras alternativas de governo.


    • Votar em branco porque não se gosta dos “patifes” que lá estão não é argumento. Se são patifes, tiram-se e substituem-se. Se não há outros, há sempre os que protestam: Associem-se e concorram.


  5. Por mim, só acho hilariante a Leya, de todas as editoras, vir fingir que se importa com o pensamento livre e com a desobediência civil, ela que tem sido um dos maiores instrumentos na normalização do acordo ortográfico, aquele acordo que os portugueses repudiam apesar do abafamento por parte dos meios de comunicação. E a Leya desempenha um papel nesse abafamento.

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