A evidência científica

Dez longos meses de “evidência científica”.

A dignidade no trabalho

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Esta história da Padaria começou com um directo com cerca de cinco minutos num canal de televisão e uma entrevista num grande jornal. O gestor padeiro, bom conhecedor, pelos vistos, dos meandros jornalísticos, terá achado que a publicidade, pela qual ninguém sabe quanto pagou, ou como pagou, lhe traria fama e proveito.

Foi uma daquelas acções de marketing muito ao gosto dos jovens empreendedores cosmopolitas, que têm do mundo empresarial visões extremamente sofisticadas e inteligentes, que passam quase todas pelo primado da degradação humana e da “coisificação” do homem e da mulher que trabalham.

A verdade, porém, é que as declarações iniciais do padeiro, cheias de desprezo altivo por quem lhe faz a massa, são o retrato verdadeiro de um país feudal, que retrocedeu décadas nos direitos e na dignidade de quem trabalha e está hoje entregue a “empreendedores” a quem faz falta, como pão para a boca, a quarta classe antiga.

 

Imagem retirada da internet

Porto!

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Eu não queria falar sobre o tema. Só quem nunca esteve envolvido na criação de raiz de projectos de marketing territorial se dá ao luxo de falar levianamente. É um trabalho duro, de enorme desgaste e óptimo para ser criticado pelos “bitaiteiros” do costume.

A nova imagem da marca Porto/Cidade não é indiferente. E aqui está um elogio aos seus criadores. Mesmo torcendo o nariz ao ponto final. Luís Paixão Martins, cujos seus sentimentos pela sua Lisboa se equiparam aos nossos sentimentos pelo nosso Porto, aproveitou para escrever sobre o tema puxando a brasa à sua sardinha.

Porque os gostos se discutem, aqui fica o meu: para mim, o Porto é ponto de exclamação e não ponto final. A exclamação das vendedoras do bolhão, dos frequentadores da baixa transformada em “movida Almodóvar”, do cimbalino pedido ao balcão, do Velasquez em dia de bola no Dragão, etc, etc, etc. O ponto de exclamação de sentimentos fortes. De entusiasmo. De arrebatamento. De cólera. Do antes quebrar que torcer.

Porto!

 

(imagem gentilmente palmada ao blog Bibó Porto Carago!

Leya apela ao voto em branco

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A Leya criou uma sobrecapa para forrar a capa do livro de José Saramago Ensaio sobre a lucidez (Caminho, 2004).

Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%. Receoso e desconfiado, o governo, em vez de se interrogar sobre os motivos que terão os eleitores para votar branco, decide desencadear uma vasta operação policial para descobrir qual o foco infeccioso que está a minar a sua base política e eliminá-lo. E é assim que se desencadeia um processo de ruptura violenta entre o poder político e o povo, cujos interesses aquele deve supostamente servir e não afrontar. Ensaio sobre a Lucidez (…) constitui uma representação realista e dramática da grande questão das democracias no mundo de hoje: serão elas verdadeiramente democráticas? Representarão nelas os cidadãos, os eleitores, um papel real, e não apenas meramente formal?

Portugal veste Relâmpago

O Expresso de hoje traz na 1ª página uma notícia que associa uma empresa portuguesa aos atletas jamaicanos que venceram a medalha de ouro em Londres. Na foto, Bolt e os seus dois compatriotas estão vestidos pela P&R Têxteis (Barcelos), fundada há trinta anos. “E em Londres há muitos registos vitoriosos para o álbum de recordações da P&R, como os três lugares na final dos  200 metros homens, o ouro e a prata na final dos 100m, as vitórias nos 5 mil e 10 mil m masculinos ou nas maratonas masculina e feminina.”

As camisolas confeccionadas por esta empresa usa sistemas de colagens ultrassónicas em vez das tradicionais costuras.

 “95% é o peso das exportações nas vendas da P&R”.

Um caso de sucesso e que investe anualmente 5% do seu volume de negócios em inovação e marketing.

Nuno Pinto, o fundador, não é figura conhecida, não escreve artigos nos jornais (convidam-no?), não ocupa tempo de antena nas rádios e televisões. Mas devia. São estes homens que ainda seguram «as pontas».

Parabéns por ter inovado, por ter mudado de estratégia ao longo dos anos (moda) e se ter especializado em desporto de alta competição.

É importante conhecer estes casos que pontuam positivamente este mar de crise que nos envolve.

Um templo para ateus

A Fundação Saramago inaugurou ontem. A presidenta Pilar (assim li no Público) marcou bem ou mal o dia? É que Saramago era um declarado e acérrimo ateu, mas a Fundação com o seu nome abre as portas, precisamente e logo, no Dia de Santo António! Pilar esqueceu-se deste grande pormenor. Saramago não ia gostar…Claro que a simbologia não é importante… Foi uma coincidência.  O que aconteceu foi que a Fundação abriu no dia de aniversário de Fernando Pessoa, issi sim.  Nem se notou nada que fosse dia do santo padroeiro de Lisboa, feriado municipal…

E por falar em ateus e santos…  

Está de passagem pela capital portuguesa, justamente, o filósofo suiço Alain Botton (1969), criado numa família «profundamente ateia» e autor do livro Religião para Ateus (D. Quixote).

Não é que ele anda a falar num templo para ateus?

Mas afinal… Um templo não é casa de Deus / deuses, lugar sagrado, estrutura arquitetónica destinada ao serviço religioso? Será que o ateísmo pretende comparar-se a uma religião, igualar-se a uma? Há aqui uma apropriação de termos e sentidos religiosos que não associamos, de todo, ao ateísmo. O próprio título do seu livro mistura naturezas opostas. Mas não há dúvida-. Ele conseguiu um golpe de marketing: crentes e ateus são atraídos pelo título. 

Pelo pouco que ainda sei sobre o assunto, Botton considera que o ateísmo pode aprender com a religião (“há coisas na religião que o mundo secular devia incorporar“). Talvez seja essa a justificação para a escolha daquele tema.

Talvez eu venha a espreitar o livro. Como crente.

O que as pessoas querem

Na Pública de Domingo vem um artigo sobre a necessidade de figuras públicas terem “public relations digitais” – davam como exemplos jogadores de bola e pessoas do género. Não me vou pronunciar sobre a bondade dos PRs digitais, nem sobre de quem deles tem necessidade, mas a seguinte pérola no fim do artigo fez-me sorrir:

“Henry Ford agora não
conseguiria vender um único
Ford T, pois as pessoas agora
querem carros de outras cores
e feitios e não um produto
que lhes é imposto”, conclui
Fernando Batista
[Pública de 2012-02-12]

Lembrei-me logo dos computadores da Apple, que podem ser de qualquer cor, desde que sejam da cor do alumínio! Ou da grande variedade de configurações que temos para os iphones, ipods e ipads…

Avenida da Liberdade, em Lisboa, trocou os carros por canteiros

ver o vídeo

 

Uma genial acção de marketing, apesar de nada ter a ver com produção nacional e solidariedade, como defendeu Sá Fernandes, já que encontrar frutas e legumes nacionais nas lojas do Belmiro tem sido muitas vezes missão impossível e a solidariedade não precisa de galinhas e Tony Carreira na Avenida da Liberdade. Já  os produtores de leite nacionais não viram a sua autorização de manifestação concedida pelo Governo Civil para poderem distribuir o leite que, dizem eles, as grandes superfícies não lhes compram. Isto da solidariedade não nasce igual para todos. Por outro lado, finalmente percebi para que há tanta autoestrada a desembocar em Lisboa: encher a capital de porcos a troco de 100 mil euros.

Eles vão. E vocês?

http://www.facebook.com/v/196142750413666

Publicidade e marketing infanto-juvenil…

Se o melhor de tudo são as crianças… nãos as explorem nem às famílias!

Das Leis dos Livros:

“LEI DAS PRÁTICAS COMERCIAIS DESLEAIS
 
Práticas comerciais consideradas agressivas em qualquer circunstância
São consideradas agressivas, em qualquer circunstância, as seguintes práticas comerciais:
e) Incluir em anúncio publicitário uma exortação directa às crianças no sentido de comprarem ou convencerem os pais ou outros adultos a comprar-lhes os bens ou serviços anunciados…”

“CÓDIGO DA PUBLICIDADE
Restrições ao conteúdo da publicidade

Artigo 14.º
Menores

1 – A publicidade especialmente dirigida a menores deve ter sempre em conta a sua vulnerabilidade psicológica, abstendo-se, nomeadamente, de:
a) Incitar directamente os menores, explorando a sua inexperiência ou credulidade, a adquirir um determinado bem ou serviço;
b) Incitar directamente os menores a persuadirem os seus pais ou terceiros a comprarem os produtos ou serviços em questão;
c) Conter elementos susceptíveis de fazerem perigar a sua integridade física ou moral, bem como a sua saúde ou segurança, nomeadamente através de cenas de pornografia ou do incitamento à violência;
d) Explorar a confiança especial que os menores depositam nos seus pais, tutores ou professores.
2 – Os menores só podem ser intervenientes principais nas mensagens publicitárias em que se verifique existir uma relação directa entre eles e o produto ou serviço veiculado.”

Há que tornar a posições veementes em torno do marketing e da publicidade infanto-juvenil! Que enxameiam o mercado de consumo e atingem as crianças e os jovens nas suas fragilidades mais frisantes!
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O que faz pela vida é que está preso?

A operação Face Oculta ainda vai no começo e já tem uma particularidade. O único arguido preso é o "civil", o que tinha que fazer pela vida, tinha que facturar, pagar salários.

 

Como diz o seu advogado " eram operações de marketing", tentava abordar quem tinha poder de decisão,  quem podia facilitar os negócios da sua empresa.

 

Se estas "operações de marketing" fossem feitas junto de empresas privadas, o sucateiro de Ovar teria cometido algum crime? Certamente que não! Almoçar e fazer negócios é o que fazem todos os empresários, tentam vender os seus serviços, os seus produtos, não conheço outra maneira de fazer negócios, chegam mesmo ao desplante de entrarem em nossa casa pela televisão, com conversa de "encher", tentam aliciar-nos com  umas miúdas giras, com descontos , com mentiras sobre os produtos.

 

E alguém vai preso?

 

Então, este empresário que andava a contactar gente que lhe podia abrir portas para facturar e pagar salários, está preso porquê ? Porque pagava a gente que é governante e a gestores de empresas do Estado, assim viciando as regras a que o sector Estado está sujeito! Mas se pagava alguem terá recebido ! Se viciou as regras do Estado como o faria não estando lá "dentro"? Por intrepostas pessoas que estavam lá "dentro" e que tinham acesso aos comandos.

 

Então porque razão pode ele fugir e os outros, com uma carga de culpa muito maior, não podem fugir?

 

Então e os outros ?