O Estado a que isto chegou…

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Também eu estou solidário com os trabalhadores da Livraria Sá da Costa. E além destes com a manicure do cabeleireiro do bairro onde cresci, do senhor que tirava imperiais no café e servia os clientes à mesa enquanto jogavam uma partida de sueca ou dominó, ou até com a senhora que se dava ares de importante, atrás do balcão da loja de utilidades domésticas. Não são os únicos. Sucedem-se aos olhos do transeunte, lojas com vidros a precisar uma lavagem urgente, onde apenas se vislumbra por trás da sujidade o anúncio com rosto e telefone do empregado da imobiliária, anunciando uma excelente oportunidade que pelos vistos ninguém pretende aproveitar. Dirão alguns que a culpa é do capitalismo. Outros mais exacerbados em Portugal responsabilizam a troika.

A meu ver todos erram o alvo. O problema é mesmo o Estado que não se regenera e vai colecionando vítimas, enquanto existir dinheiro para extorquir aos contribuintes, sejam eles pessoas individuais ou colectivas, para quê reduzir despesa? No entanto não tenho ilusões. Sei que a maioria discorda da minha opinião. Para muitos o ideal será mesmo um burocrata decidir quais os negócios que têm interesse público e mesmo que financeiramente inviáveis, garantir o seu financiamento através do dinheiro extorquido ao contribuinte, encerrando os restantes,  garantindo o rendimento a quem lá trabalhava. A falência é reservada apenas ao proprietário, porque em Portugal não gostamos de investidores, capitalistas, mesmo a taberna do bairro terá um patrão e Portugal não gosta de patrões. A isto chamo socialismo! Portugal é um país sociologicamente socialista. Também por isso é um país empobrecido. Cada vez mais sem esperança no futuro. Talvez mesmo sem futuro.

Comments

  1. Amadeu says:

    Este caso não tem nada a ver com impostos.
    No caso específico da Livraria Sá da Costa, assim como nos casos de muitas outras livrarias e editores , o “problema” não será principalmente a “internet” e o predomínio das grandes superfícies comerciais ?
    Quem mais compra livros de consulta ? Quantos passaram a ler os jornais na net ?
    O ano passado precisei de um livro ilustrado sobre insectos. Bem palmilhei a Baixa de Lisboa e as Avenidas Novas. Sobre o tema, só encontrei livros manhosos para crianças. Tive que me resignar à Amazon. A Amazon acabou com os nichos de vendas de livros no comércio tradicional.
    Há uns anos, um amigo meu publicava uns magníficos livros de cidades portuguesas vistas do céu. Antes do Google Earth eram magníficos. Agora …
    Neste caso, não estamos pior, estamos diferentes. Com mais vantagens que desvantagens.

  2. Realmente é caso para dizer a que estado isto chegou .

    As livrarias acabam porque não podem ter stocks por-
    que não há compradores , porque não há dinheiro , por-
    que há crise e também os impostos cresceram sobre os
    livros ou será que alguém já se esqueceu disto .

    Interessa destruir tudo e todos , para outros se lançarem
    nos mesmos negócios que ajudaram a derrocar . .

    Eu , como muita boa gente , não dispenso um bom livro ,
    desde que exista no mercado . Só em última instância re-
    correria à NET , que também tem as suas vantagens ,
    caso contrário não estávamos aqui a dialogar uns com
    os outros .

    Não é só a Internet que deu cabo do negócio dos livros e
    de outros negócios , mas sim os políticos todos feitos com
    os tipos ( para não dizer gajos ou pior ) das negociatas.

  3. nightwishpt says:

    Pois, deve ser por isso que só pagam uns enquanto os outros estão cada vez mais ricos…

    • Concordo plenamente consigo . Isto é pior do que salve-se
      quem puder e do vale tudo para deitar abaixo uns e outros
      enriquecerem cada vez mais com a destruição de mais
      alguns ..

      Ainda sou do tempo em que uma livraria era negócio cre-
      dível , respeitável e salutar .

      Agora só os Leya , sem leia , e sem lei , é que podem ler ,
      isto é negocoar leitura , como querem e lhes apetece i

  4. adelinoferreira says:

    sr Almeida, o seu post é aquilo a que se pode chamar
    populismo.Ora diga-me lá qual a diferença entre
    troica e capitalismo, como tem o cuidado de separar?
    Sabe, ainda há uns 10 anos, tudo que vê fechado
    estava aberto (comercio/industria,serviços e até
    agricultura. E sabe porque tudo isso fechou? eu
    explico-lhe: Portugal e Europa adoptaram politicas
    de capitalismo SELVAGEM/neoliberalismo para
    dar de COMER aos grandes grupos económicos e
    financeiros.Saberá por acaso que apesar da crise
    que Portugal atravessa, esses mesmos exploradores
    nunca ganharam tanto dinheiro como agora?!

    enquanto classe média e os mais pobres foram
    dizimados!
    dar de COMER aos grandes grupos económicos e
    finznceiros. Saberá por acaso que apesar da
    dar de COMER aos grandes grupos económicos e finan-
    ceiros.Saberá por acaso que apesar da grace crise que
    Portugal atravessa

  5. Sílvia says:

    “O problema é mesmo o Estado que não se regenera e vai colecionando vítimas, enquanto existir dinheiro para extorquir aos contribuintes, sejam eles pessoas individuais ou colectivas, para quê reduzir despesa?”
    Acho que ninguém discorda de si, nisto. O que os portugueses podem discordar é que despesa do estado se deve reduzir, o que é que o estado deve assegurar, etc.

  6. fernando says:

    o grande problema hoje, é que o negócio tem que dar lucro imediato. os tais investidores querem comer tudo, querem o dinheiro a que têm direito legítimo do investimento, mas também querem o dinheiro do trabalho, querem reduzir a pó pequenos comércios, salve-se quem puder e sem escrúpulos nenhuns.

    está enganado, antigamente o patrão tinha orgulho no seu negócio, ía-se construindo o património, a empresa e geralmente quando era de família era um orgulho e esses patrões eram e são respeitados.

    o comendador Rui Nabeiro é disso um exemplo no nosso país, porque não foi em cantigas ,não pôs a empresa na bolsa , tem conseguido segurar as rédeas, porque tem orgulho no que construíu e não foi concerteza no lucro da especulação.

    • Luis says:

      O comendador Rui Nabeiro (CRN) não foi bem escolhido como exemplo. Cada vez que vejo o sr. CRN lembro-me sempre do contrabando e consequente fuga aos impostos, porque será? Haverá alguém parecido com ele que seja ou tenha sido contrabandista?

      • Em parte concordo que este exemplo talvez não tenha sido muito feliz . Apesar dos contras , creio que o Sr Nabeiro
        tem sido um exemplo bom para o País .

        Não se pode sr perfeito em tudo . Não o conheço pessoal-
        mente , pelo que sei e ouvi , tornei-me seu admirador ,ape-
        sar de em tempos , por causa do contrabando e do fisco ,
        ter sido um crítico .

        Se todos os empresários fossem como ele , talvez este
        País não estivesse tão mau .

        ó quis deixa a minha opinião , sem discordar da sua e sem
        ficar vinculado a nada .

        O que desejo é felicidade , saúde e sorte a toda a gente .

        Todavia , não sou seguidista de ninguém .

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