Escolher a escola dos filhos

O Governo que (não) nos governa pode ser dividido em dois grupos:laranja-podre

– o dos boys incompetentes e sem qualquer tipo de valor ou pensamento político. Limitam-se a viver à nossa custa – passaram todos pelas jotinhas;

– o dos boys de extrema-direita que sabem muito bem o que têm para fazer e que têm tentado cumprir com eficácia a missão que têm em mãos.

Este último é claramente mais perigoso e Nuno Crato é a prova disso mesmo. Nos últimos dois anos arrumou para canto mais de vinte mil professores e até conseguiu passar a ideia que havia, na Escola Pública, professores a mais. O que ele fez foi simples: acabou com o Estudo Acompanhado, reduziu as horas de algumas disciplinas, etc… Ou seja, diminuiu a resposta da Escola Pública e o apoio aos alunos. E, como sempre, são os mais fracos que vão perder mais.

Mas, a marca ideológica de Nuno Crato, já vincada com o exame da 4ª classe, atinge agora um novo patamar. Numa proposta entregue à FENPROF abre as portas ao cheque-ensino e à liberdade de escolha da escola. Não é uma ideia nova e é mais um passo no caminho que tem vindo a ser trilhado – entregar a Educação ao deus Mercado.

Tenho a certeza que a esmagadora maioria dos eleitores do PSD estarão contra a entrega do serviço público de educação aos colégios, mas neste momento, quem tem o poder laranja está longe de ser do PSD.

Claro que um leitor menos atento (que não passam pelo Aventar, claro) poderia pensar que é excelente a possibilidade de escolher a escola do filho, ainda por cima se lhe for possível optar pelo colégio xpto lá da terra. Mas, seria mesmo uma boa ideia?

Será que o serviço público de educação pode ser prestado pelo ensino particular? Em que condições? O parque escolar das Escolas Públicas é, genericamente, de melhor qualidade que o dos colégios. Mudar para quê e à custa de quê?

E como seria feita a monitorização do serviço prestado pelos privados – através dos exames?

E quem terá que pagar a diferença, uma vez que o ensino nos colégios é mais caro que na escola pública?

E, quando todos os meninos da Pasteleira ou de Aldoar quiserem ir para o Rosário ou para o Efanor, será que conseguem?

Pensemos ainda de outro modo – sempre nos fizeram acreditar que a privatização das funções públicas era uma boa ideia, principalmente, para o consumidor. Só para lembrar alguns exemplos: a Galp e o preço dos combustíveis, a EDP na electricidade, a PT nas comunicações, …

É preciso, é urgente, arrumar com esta gente!

Comments


  1. A Direita vende a ideia de “escolher a escola dos filhos” (uma mentira reconfortante) quando o que aconteceu por todo o lado onde foi implementado o cheque-ensino foi “a escola escolher os filhos” que lá entram. Dos EUA à Suécia.
    Só que a qualidade do Ensino em geral até… baixou!
    Os resultados da Suécia nos testes PISA baixaram para abaixo dos de Portugal (que até subiram) desde que meteram o cheque-escola, e o povo (e näo a massa) já se revoltou, e quer acabar com a marosca. No Norte quer-se Ensino de qualidade e para toda a gente!

    No país com melhores resultados nos testes PISA, a Frinlândia, as poucas escolas privadas têm de aceitar os alunos que lhes säo mandados, e as Univs säo todas Públicas.

    A escola Pública é democrática porque dá igualdade de oportunidades a ricos e pobres, e faz com que os pobres possam almejar a deixar de o ser.
    Ah, pois, é isso que a Direita abomina, entäo dilectos e broncos filhos de papá a serem preteridos por inteligentes filhos de proletários??? C’horroreeee!


  2. para falar com seriedade é necessario ponderar porque uma escola pública que ao contrario de antes da “escolapublicanos sa” tinha as 50 primeiras posiçoes agora inverteu? (Um reitor gestor com poder); tambem porque a escola pública fica mais cara ao contribuinte que o que pagaria na generalidade dos colégios que estão nos primeiros lugares do ranking! só a resposta a isto já chega para perceber porque muitos pais que precisam de recorrer a explicadores extra acham que a medida do investigador Crato é 1ª medida de ministro de educação dum país que se quer melhor. e mais sustentável!


  3. Esperimentem ter de lidar diáriamente com burocracias para poderem ter autorizações para poderem receber de clientes para pagar impostos para pagar os ordenados de quem vos impede de trabalhar? Os serviços públicos estão a preços assustadores e cada vez estão piores fruto da corpratização dos funcionários em protesto contra o governo em greve de zelo, que só prejudica os cidadãos. Venham usufruir dis serviços públicos e voltem a comentar. Mas na realidade, tirem as senhas e sentem-se á espera. Desejo apenas que a comida dos vossos filhos não dependa disso. Cump.

  4. diana says:

    acho muito bem que venha o cheque ensino; que se aplique o sistema sueco e etc, etc. Essa ideia de que a escola privada é para ricos é, num momento em que a oferta é inferior à procura e que as escolas são limitadas, puro mito!
    infelizmente muitos dos que estão na escola privada gostariam de estar em boas escolas públicas mas porque a lei não dá igualdade de oportunidade a todos, acabam, com grande esforço dos pais, por ir para escolas privadas.
    A lei não é justa. Discrimina à partida todas as crianças que estando em idade de admissão ao ensino básico apenas fazem anos no último quadrimestre do ano. Discrimina-as pela não garantia de vaga entrada e pela sua “impossibilidade de escolher a escola preferida.
    Por outro lado, a legislação introduz distorções relevantes que acobertam a fraude. É o caso do critério de residencia, avaliado pela morada do encarregado de educação em vez de avaliado pela morada da criança (um perfeito disparate!).
    A única forma de tornar o sistema justo e dar igualdade de oportunidades a todos é o do sistema sueco. O principio de “o financiamento segue o aluno”. Se um aluno custa 4000 euros por ano, o estado afeta esse montante a criança para que os seus pais escolham a escola que quiserem. As escolas são financiadas consoante a procura que tenham por parte dos alunos. Dessa forma:
    – a qualidade do sistema deverá melhorar significativamente
    e todos terão igualdade de oportunidades no acesso e na escolha da escola

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  1. […] privatização do ensino e do país. Os privados saberão agradecer a quem lhes anda que andam a vender o Estado a preço de saldo: quanto tomarem conta disto tudo, os poucos funcionários que ficarem chegarão a considerar que um […]


  2. […] cheque ensino parece permitir aos pais a escolha da escola dos filhos, mas vai, na realidade, permitir a cada […]

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