Os “charlies” e a greve na TAP

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António Alves

Há cerca de 15 dias esteve para acontecer uma greve na TAP. Só não aconteceu porque o governo num acto ilegal e prepotente o impediu. O governo, à revelia da lei, uma semana antes da greve acontecer decretou uma “requisição civil”. Perante a lei da República Portuguesa a Requisição Civil só pode ser decretada depois da greve se ter iniciado e única e exclusivamente se os trabalhadores em greve não cumprirem os serviços mínimos determinados pelo tribunal arbitral ou acordados entre as partes em conflito.
O governo agiu ilegalmente e impediu de facto o exercício de um direito fundamental consagrado na Constituição da República Portuguesa. O governo violou grosseiramente a liberdade dos trabalhadores da TAP e os direitos dos trabalhadores portugueses em geral. Não me lembro de ler nenhum editorial em qualquer jornal português a criticar o governo ou de ouvir qualquer invectiva inflamada de qualquer opinador televisivo contra a prepotência governamental. Muito pelo contrário, o que li e ouvi foram muitas críticas e até alguns insultos disfarçados em vários editoriais de jornais ditos “sérios” aos trabalhadores da TAP. Da classe política “mainstream” idem aspas. Dos cidadãos em geral também nenhum deles levantou o cu do sofá para se manifestar contra esta violação grosseira da Liberdade.
Somos “charlie”? O tanas! E hoje até estou bem educado…

A Liberdade defende-se todos os dias nas mais pequenas coisas. Não é só quando morre alguém.

Comments

  1. Nightwish says:

    Isso na empresa que não é estratégica, certo?

    • Nightwish says:

      Isto não era para contradizer, muito pelo contrário. É uma empresa tão pouco estratégica para o governo que é preciso violar a lei para que esta não sofra distúrbios.

  2. João Paz says:

    Concordo com o essencial do seu artigo António Alves só queria acrescentar uma informação que talvez lhe tenha escapado. Garcia Pereira no minúsculo tempo que tem no ETV (20 minutos a dividir por dois num canal pago) denunciou em pormenor tudo aquilo que descreve e muito mais.


    • Nunca entendi que a liberdade de expressão se sobrepusesse ao direito de propriedade também garantido pela nossa constituição. Sendo assim, não concordo que seja coartar a liberdade de expressão impedir que um qualquer “artista” pinte conforme lhe dê na real gana aquilo que não é dele.
      Imaginem que a moda pega relativamente aos automóveis: um dia chegamos ao nosso carro de manhã e está todo enfeitado com uma dessas “obras de arte”. Desculpem-me, mas um bocado de bom senso nunca fez mal a ninguém.

  3. Vieira says:

    Queria acrescentar que penso ainda não ser do conhecimento público, que a TAP na privatização vai ser dividida como o BES ( parte boa e parte má), a manutenção Brasil (VEM) a grande geradora de prejuízos do grupo vai continuar a pertencer á PÁRPUBLICA.

  4. niko says:

    e no meio disto temos um presidente cego e surdo.

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