Mário Soares, Clara Ferreira Alves e eu

Celebram-se hoje seis anos sobre a publicação de «Momentos de Lucidez», post sobre as diatribes de Mário Soares enquanto líder da oposição, primeiro-ministro e presidente da República.
Um post apenas, entre os cerca de dois mil que escrevi desde então sobre os mais diversos assuntos e sobre as mais diferentes personalidades. Um post que teria caído no esquecimento não fosse o caso de um palhaço qualquer ter decidido que o seu autor não devia ser eu mas sim a jornalista Clara Ferreira Alves.
«Momentos de Lucidez» foi publicado a meio da tarde do dia 12 de Janeiro de 2009 no 5 Dias, um blogue infelizmente moribundo que, na altura, era constituído por vários militantes e simpatizantes do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.
De todos os lados do espectro partidário, choveram então críticas e elogios a esse post, mesmo dentro do próprio blogue. Não vou agora debruçar-me sobre a justeza dessas críticas e desses elogios, mas sempre direi que, seis anos depois, há por ali uma ou outra opinião pessoal na qual hoje não me revejo. Embora, no essencial, mantenha quase tudo o que escrevi. Afinal, nada daquilo é novidade, antes se baseia, na sua maioria, nas denúncias de Rui Mateus nos «Contos Proibidos» e nas reportagens de Joaquim Vieira na «Grande Reportagem» e de José António Cerejo no «Público».
Nestes seis anos, mais do que as reacções, o que mais me surpreendeu foi o facto de poucos dias depois da sua publicação o post ter começado a circular nas caixas de correio e nos blogues como sendo de Clara Ferreira Alves. Não sei qual foi a ideia, é possível que o meu nome não fosse suficientemente credível para validar o conteúdo do texto. Se calhar porque temos o mesmo estilo, alguém se terá lembrado da pluma caprichosa. A mesma que, seis anos depois, continua a fingir não saber quem é o verdadeiro autor do texto.
Muito mais poderia dizer sobre este assunto, mas neste momento não posso. Tenho de ir contar quantas vezes escrevi a palavra que, é, não e de e quantas vezes as escreveu Clara Ferreira Alves na sua última crónica. É que a análise de texto em estilística forense tem muito que se lhe diga…

Comments

  1. AntónioF says:

    Caro Ricardo,
    presumo que os seus amigos da direita, sejam eles ‘insurgentes’ ou outra coisa qualquer, tenham exactamente o mesmo pensamento e os mesmos argumentos sobre esta personalidade – até pensava que estava a ler o André Azevedo Alves.
    Seja como for, à semelhança destes, o único defeito que, vocês, podem apontar a esta personalidade é ter estado SEMPRE no lado certo da história!

    • Ferpin says:

      Pessoalmente, embora ache o Mario Soares a maior personalidade da política portuguesa, e concorde que ele esteve sempre do lado certo da história, acho que ele tem bastantes defeitos, principalmente ser por vezes um pouco desbocado.

      Mas, ver apoiantes de gente desprezível a atacarem o tipo… Irrita.

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Não. Ao contrário de Mário Soares, nunca deixei de ser de Esquerda. Nunca votei em nenhum Partido a não ser no Partido Comunista e no Bloco de Esquerda (e uma vez no PS para nunca mais).
    Claro que não é obrigado a conhecer o que escrevi nos últimos seis anos.

  3. AntónioF says:

    Obviamente!
    Mas creio que, como disse, sobre este assunto, lendo o que igualmente, escreveram os ‘blasfemos’ ou ‘insurgente’ o argumentatório creio que seja semelhante!

  4. Ferpin says:

    Face à evidente distorção do artigo que transforma opiniões e manipulações em acusações, é melhor para a sua imagem que ele seja atribuído à CFA.
    Já o li há uns tempos e lembro as acusações ao Mario Soares de o PS ter recebido dinheiro dos EUA, o que até será verdade e nada tem de estranho, e depois de saber que você vota preferencialmente num partido financiado à época pela URSS e pior que isso comandado pela dita, da ainda mais vontade de rir.

    Na época o PCP não era mais que um partido a receber dinheiro e ordens de Moscovo, o CDs e PSD recebiam dinheiro da cdu e csu (há até uma deliciosa história duma burla do vale Azevedo ao PSD por conta da quinta de riba fria) o PS recebia dinheiro dos EUA e não só, e o único que era mesmo pau mandado de quem pagava era o PCP.

    O resto das tretas eram baseadas na dor de corno do gajo de Macau. Se o perfil de um gajo fosse feito pela ex-mulher zangada, a biografia seria dum pulha, pedófilo, ladrão, corrupto e por aí. O gajo de Macau escafedeu-se, o Soares não lhe deitou a mão (o que para mim até abona a favor da inocência do Soares) e o gajo tentou arrastar o soaress com ele para a lama. No livro não há praticamente um facto comprovável.

    Ah e o marfim de angola…. É só rir.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Claro que o PCP recebia dinheiro de Moscovo e tudo o resto que diz. Se lesse o que escrevo há vários anos, iria ver que não defendo o PCP seja do que for. O facto de votar num Partido não significa que sou desse Partido ou que me revejo nele ou nas pessoas que o lideram. Aliás, não me revejo em qualquer Partido, mas tenho de votar em algum e, apesar de tudo, o PCP é aquele que se afasta menos dos meus ideais.
      Quanto ao Mário Soares, é a sua opinião. A minha é a de que tudo ficou bem comprovado. Demasiado bem comprovado, ao ponto de nunca mais o livro ter sido reeditado.
      Quanto ao marfim de Angola, lamento mas não encontro qualquer referência a esse assunto no post que publiquei há 6 anos. Se calhar essa parte já pertence à «Clara Ferreira Alves».

    • martinhopm says:

      «(…) e o único que era mesmo pau mandado de quem pagava era o PCP». É para rir? Trata-se de uma atoarda? Todos subsidiados, mas só PCP telecomandado. Deve ser para rir.
      Mário Soares, numa palavra, é um mamão, além de cata-vento.


  5. http://www.provoca-me.com/post/110211550775/o-marocas-que-va-preso-ja Atrevo-me a partilhar o meu artigo, que não está tão bom em termos de pormenores mas chega para o estrago. Quis identificá-lo no facebook, não o consegui encontrar. Se o ler diga coisas. Cumprimentos, Pedro Marques

  6. César Sobral says:

    Segundo o Moderno Dicionário de Língua Portuguesa, edição do Círculo de Leitores de 1985, AVENTAR também significa “atirar fora, arremessar pedras” que o Ricardo se “esqueceu” de numerar.
    E atirar pedras é o que vocês comunistas fazem melhor…

  7. Tito Livio Santos Mota says:

    O texto em causa nunca foi escrito por Clara Ferreira Alves.
    Trata-se duma trapalhada inventada e redigida grosseiramente por movimentos de extrema-direita.
    A sua simples evocação é simplesmente abjecta.
    A Internet é um meio onde certa gente encontra terreno fértil para lançar boatos.
    Isto ultrapassa o boato pois atribui a uma pessoa real calúnias que nunca proferiu, escreveu nem muito menos assinou.

    • Ricardo Ferreira Pinto says:

      Desculpe lá, pelo menos deu-se ao trabalho de ler este post que está a comentar? Bastava ter lido até ao segundo parágrafo.

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