Hóquei júnior manteve-se na Divisão “A”

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Portugal garantiu na Polónia o sexto lugar na Divisão “A” de hóquei indoor júnior e mantém-se entre os oito melhores da Europa. Isto é história numa modalidade onde falta tudo. Excepto valor, competência técnica e mérito. E continuo a perguntar-me, como tantos outros nas mais variadas faixas sociais: com condições ligeiramente melhores e mais justas, até onde poderíamos chegar?!

A minha convicção é que o normal será assegurar a manutenção, com o quinto ou sexto lugar. Se estivermos em grande nível, podemos entrar nos quatro primeiros. Se estivermos ao nível que temos estado nesta preparação, desceremos de divisão”. Quem escreveu isto foi o seleccionador nacional, Mário Almeida, antes de partir para a Polónia, no site da Federação Portuguesa de Hóquei.

Ora, se é assim, Portugal esteve normal, na bissectriz do “grande nível” (exemplar) com o “nível …(da) preparação”. De facto, fomos sextos, o último lugar que garantia a presença de Portugal na Divisão A, em 2017, como garantiu. Mas, mais: Portugal apenas foi derrotado por medalhados (Polónia e Rússia) e aproveita a conjuntura favorável (Alemanha, Espanha, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Irlanda, França e Itália não jogam, de momento, esta competição) para se manter entre as melhores selecções do Velho Continente, onde acabam de ascender República Checa e Croácia, que venceram a Divisão “B”.

Portugal, apesar de tudo, deu um grande passo já que foi a mais jovem selecção presente, o que levou Mário Almeida a não traçar objectivos nem a ter expectativas, como escreveu, para acrescentar: “Recordo que fazem parte da nossa equipa 4 jogadores sub-18 e apenas 2 estão no seu último ano de sub-21; sete jogadores terão idade sub-21 daqui a dois anos. É muito difícil definir um objectivo classificativo jogando num pavilhão destes, a um nível destes, com uma equipa tão nova e apenas com os autonómicos como experiência”.

márioQuer dizer que, em 2017, Portugal pode pretender mais altos voos? Não é líquido. Numa modalidade onde falta tudo, até competição, o dinheiro é parco, e não há tanta coisa, estes “milagres” circunstanciais não podem afastar os responsáveis de repensarem as verdadeiras apostas em termos de futuro. Ou, como diz o seleccionador e, cumulativamente, DTN, Mário Almeida, “Inclusivamente, como sempre referi, deveremos repensar a nossa participação em provas que cada vez mais estão no Leste Europeu exclusivamente. Reparemos que Alemanha, Espanha, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Irlanda, França, Itália e muitas outras nações importantes não jogam esta competição. Creio, portanto, que será importante avaliar esta competição com esta presença e perceber se, por um lado, temos massa crítica no nosso reduzido número de jogadores seleccionáveis para estar a este nível e, por outro, se faz realmente sentido gastar os poucos euros disponíveis neste tipo de competições ou, alternativamente, deveremos aprofundar o relacionamento com Espanha para trabalhar o desenvolvimento das nossas equipas para os Europeus de campo”.

Mário Almeida, com um substantivo trajecto no hóquei espanhol, lançou a discussão para o futuro, deixando adivinhar a sua preferência, que, por acaso, até é a minha. Só que, sem campeonatos europeus, os poucos euros, como diz, não correm o risco de redução a zero?! E não esqueçamos que muita coisa mudou com os resultados desportivos desta presença…

Discussões à parte, o feito – mais um – está aí. Os atletas foram valentes, os técnicos foram sagazes. E todos escreveram história. Pela primeira vez, estaremos na Divisão A de indoor em dois campeonatos sucessivos.

Isto, se…

 

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