Ser amigo de Sócrates não é crime.

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Afonso Camões, actual director do Jornal de Notícias ocupa hoje duas páginas do jornal a responder a uma notícia do Correio da Manhã. Ora vamos lá resumir a coisa a ver se percebi bem:

Numas escutas a José Sócrates (mais uma violação do segredo de justiça…) este disse, ao que parece, ao seu amigo e advogado Proença de Carvalho que o Afonso Camões era o nome ideal para director do Jornal de Notícias. Ponto de ordem à mesa: está para nascer o primeiro político que o não faça. Ainda para mais quando um e outro são amigos de longa data. Quem nunca indicou um amigo para alguma coisa que atire a primeira pedra.

Ainda segundo o que se pode ler na imprensa, parece que Afonso Camões preferia o Diário de Notícias em vez do JN e que foi Sócrates quem o convenceu a escolher este último. Uma vez mais, entre amigos acho natural este tipo de discussão e conversa. Quem nunca a teve que atire a primeira pedra.

Quer isto dizer que o Correio da Manhã fez mal em publicar esta notícia? Não, se a mesma for verdadeira. Então qual o problema? O alvo. A verdadeira questão não está em Afonso Camões (sobre este escrevo no fim o que acho). O problema é outro e já antigo: a concentração dos meios de comunicação social. O resto não passa de espuma dos dias. Desviando a atenção para o fundamental.

Quanto a Afonso Camões, a questão é outra: está o Jornal de Notícias pior, melhor ou igual desde que esta direcção tomou posse?

Na minha opinião, está graficamente melhor e mais interessante. Ainda é cedo para se tirar uma conclusão. O que se pretende deste “novo” Jornal de Notícias é que seja “mais” jornal, “mais” próximo dos seus leitores e da sua região. E é isso que se exige de Afonso Camões e da sua equipa. Claro que alguns leitores dirão que estou a simplificar a “coisa”. Não, não estou. o que não faço é juízos precipitados e já vi inúmeras vezes este tipo de filmes. O poder político sempre procurou condicionar o jornalismo, seja qual for o partido e a ideologia reinante. Neste como noutros casos não vale a pena ter dores de parto de véspera.

Quanto às amizades, cada um sabe de si e ser amigo de Sócrates, que eu saiba, não é crime.

Comments

  1. joao lopes says:

    na passada sexta feira pensava que o mundo tinha acabado:a primeira pagina do CM(como sempre,com o socrates) estava toda a vermelho e com letras garrafais dizia-se:”atentado contra o CM”(ou qualquer coisa parecida).pelos vistos,o malvado do socrates,mesmo preso,tinha conseguido(mais uma vez) “controlar a comunicação social”.ele “compra a TVI”,ele impede o CM de continuar a ser o “robin hood dos pobres”(uma especie de justiçeiro popular)…enfim o socrates,o verdadeiro DDT de portugal.santa paciencia,que não há pachorra para o CM( ola,cofina)

  2. Luis Coelho says:

    – Sobre o CM: falta-lhe o til que qualifica o tempo (aquilo não é nem um panfleto, quanto mais um jornal)
    – Sobre Proença de Carvalho: não esqueço a forma como conduziu a RTP, durante o funeral de Sá Carneiro (véspera das eleições que sufragaram Eanes)
    – Sobre Sócrates: nunca teve o meu voto, mas já simpatizei menos com ele (tendo a solidarizar-me com os injustiçados)
    – Sobre a prisão de Sócrates nas actuais circunstâncias: um pontapé na Democracia
    – Sobre a nossa Justiça: um nojo


  3. Ser amigo do Sócrates não é crime nenhum mas um primeiro-ministro que escolhe as chefias de jornais supostamente independentes é e muito. Se todos os políticos o fazem pior ainda. É uma daquelas coisas que desconfiamos mas que nunca chegamos a conseguir provar. Se o jornal está melhor ou pior é pouco relevante. Relevante é perceber que quem está no poder decide quem supostamente dirige os media. E isso reduz-lhes a independência nas questões centrais a zero. a mim assusta-me…


    • A redução da independência não se dá por essa via João Mendes mas pela concentração. Tenho a certeza que se tu tiveres um amigo que é jornalista e um outro que é dono de um jornal e que vai escolher um novo director, és homem para indicar o teu amigo. Era o que eu faria. Foi sobre isso que escrevi. No resto, já se perdeu a virgindade há muitos, muitos anos. Sem esquecer um outro pormenor: sendo o JN um jornal privado, os seus proprietários escolhem para as chefias quem muito bem entendem. Podemos não gostar mas são essas as regras do jogo e se não o querem jogar assim então façam o favor de comprar e ler jornais para que estes sejam um negócio sustentável e dessa forma verdadeiramente independente.

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