Serviço

Ora aqui está o blog do governo – ai que Blasfémia!, a explicar porque é que o tadinho do  Passos foi uma vítima do sistema.

Um belo serviço, perdão, artigo, com uma cronologia que, de tão completa, resultará de um bom exercício de transcrição, digo, investigação do comunicado, ai, material preparado pelo assessor de imprensa, desculpem, jornalista. Até aquele pormenor das cartas terem sido enviadas sem aviso de recepção,  detalhe naturalmente ao dispor de qualquer jornalista, que dá margem para o papel de sonso,  agora na moda, do não sabia e, mais importante, mostrando que não existe possibilidade de mostrar que a notificação existiu. Ou se calhar existe, já que os serviços do estado não contactam os cidadãos sem tal registarem, mesmo que não exista registo válido judicialmente. É só uma questão do meticuloso jornalista querer procurar.

Bate tudo certo. Excepto aquela parte de ter pago o que não tinha que pagar. Como? Quem recebeu e a que título? E de o centro da questão não serem os serviços da Segurança Social mas sim o incumprimento fiscal por parte do primeiro-ministro.

Passos: “Em Portugal são relativamente poucos os cidadãos que pagam impostos”
As injustiças que o Governo quer corrigir são provocadas, em parte, pelo facto de apenas 40% dos portugueses pagarem impostos, e porque muitos fogem ao Fisco. É injusto, diz Passos Coelho. (Fevereiro de 2014).

Para além desta afirmação ser falsa, ó novidade,  vamos a ver, o cínico, autor deste e de outros discursos moralistas,  estava a falar dele próprio.

Expliquem agora a todos os que foram sujeitos a penhoras e outros apertos porque razão este cidadão que gosta de apontar o dedo aos outros passou ao lado das consequências. A existir erro nos serviços da Segurança Social, é aí que ele estará e não na suposta ausência de notificação. A que qual, de resto, não precisa de existir para que o dever em causa exista.

Comments

  1. Carvalho says:

    É tão simples como isto: um indivíduo que não sabe que os impostos são obrigatórios e pensa serem opcionais, não tem a habilitação mínima para ser governante.
    É como pôr um analfabeto a leccionar literatura.
    A grande questão é: como é que os portugueses elegeram uma besta destas?

  2. Marquês Barão says:

    Ao pé dos ricalhaços dos milhões Passos é um teso de tostões. É só agitar o pantanal e fazer as contas.

    • j. manuel cordeiro says:

      Aos quais recentemente até aprovou um perdão fiscal. É do camandro.

      • Marquês Barão says:

        A alguns, que a outros ainda não se sabe o que canta na conta.

        • j. manuel cordeiro says:

          Entre os quais, um até afundou a PT. Coisitas.

          • Marquês Barão says:

            Parece que não era propriamente com a gente de Passos que a PT se penteava.

          • j. manuel cordeiro says:

            Mas foi precisamente a um daqueles que afundou a PT, Salgado, que o perdão fiscal beneficiou.

          • Marquês Barão says:

            Cá por mim gostava que Salgado metesse a boca no trombone.

          • j. manuel cordeiro says:

            Não desconverse: cada um na sua vez. E agora é a vez do incumpridor PPC, que fugiu aos impostos.

          • Marquês Barão says:

            Nota-se.


  3. São ridículas as figuras que o jornal e os blogues do regime fazem para proteger estes indivíduos. Será que eles não percebem que não há secretarias de Estado para todos?

    • j. manuel cordeiro says:

      A questão, João – e esse é um dos problemas deste país, é que os lugares vão muito para além das secretarias de estado. Vejam-se as publicações no DR. E o âmbito continua a alargar-se, que é o que acho que vai acontecer com a municipalização da educação (a par com outros problemas).

    • Maria says:

      As secretarias são só o posto avançado… detenha-se um bocadinho no site da Cresap, no Diário da República a ver as nomeações para cargos de directores-gerais, directores de centros distritais, directores regionais, etc etc em tantos e tantos serviços da administração central (e não só)… e se tiver tempo, cruze os nomes com cores partidárias e cargos em empresas… é capaz de achar interessante…
      Claro que isto não passa para fora, para a comunicação social.
      Não interessa a mesmo ninguém que está no “arco do poder”… Ao “Arco dos Cegos” só chega futebol, novelas, concursos e a mensagem de que há mutos funcionários públicos a mais, e que por causa deles os serviços funcionam mal… ninguém se lembra de pensar que são os inúmeros boys and girls que são colocados estrategicamente aqui e ali que definem as práticasde gestão e funcionamento desses serviços (ah sim, é quase tudo nomeado para cargos de chefia, não para funções que impliquem fazer qualquer coisinha…)… sabe, há mais na Administração Pública than meets the eye!…

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  1. […] Infelizmente, o único que sujou alguma coisa foi o próprio. Que do alto do seu moralismo cínico andou a pregar para os outros o que não praticou. […]

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