O jihadista de Telavive

MO

Foto: The Cagle Post

O extremista Benjamin Netanyahu – e aqui o termo “extremista” assume roupagens de verdadeiro radicalismo numa óptica de violência indiscriminada, não se tratando, portanto, do termo novilinguístico desenvolvido pelo regime e respectivos assessores, os oficiais e os residentes nas colunas de opinião e blogues da corda – foi por estes dias à capital do império visitar os seus pares republicanos num acto público de pré-campanha eleitoral. Para além de apelar ao voto e ao medo, registo habitual dos jihadistas de Telavive, Netanyahu, foi relembrar os senhores que se seguem na Casa Branca que o Irão quer produzir armas iguais às suas e que tal é inadmissível.

O ainda primeiro-ministro israelita aproveitou para apelar ao bom senso da extrema-direita republicana avisando-os do perigo que um acordo com Teerão representa. Até porque, convenhamos, tendo o Irão atacado zero países nos últimos anos, a ameaça é real e deve ser encarada com tal. Se é para celebrar acordos com gente com gosto pelo totalitarismo, os EUA já dispõem de um leque variado de amigos como Israel, China ou os novos oligarcas nazis da Ucrânia. Radicais que cheguem e que sobrem. Até no campo do extremismo religioso, os norte-americanos têm já o seu aliado de peso, a monarquia totalitária ultra-radical da Arábia Saudita, uma referência do financiamento terrorista e da repressão, que pune a liberdade de expressão com chicotadas e queima bruxas na fogueira. Mais aliados radicais e totalitários para quê?

Comments


  1. Reblogged this on O Retiro do Sossego.


  2. Então Benjamin Netanyahu não é um congressista norte-americano?

  3. martinhopm says:

    Mas como é que Israel as tem, prontas a serem usadas? Quem é que as forneceu ou quem é que lhes forneceu a tecnologia e material necessários?! O seu fabrico foi devidamente inspeccionado? Por que organização? Ele há de facto bombas «boas» e bombas «más»…ainda em fabrico, pelo que não podemos ter a absoluta certeza que se destinam a fins militares


    • Quem lhes forneceu a tecnologia todos sabemos. Quanto ao Irão, penso que é legítimo afirmar que o desenvolvimento de energia nuclear não se destina apenas a fins pacíficos. Afinal de contas, não se trata de um estado que se possa gabar de ter muitos amigos…


  4. «Gente com gosto pelo totalitarismo» em Israel? Explique, por favor.


    • Tem a sua resposta na política externa de Israel na região do Médio Oriente, nomeadamente no que à Palestina diz respeito.


      • A «resposta» que a política externa de Israel dá – e não é de agora – é a de que aceita a existência de um Estado palestiniano. O que Israel exige, e tem todo o direito de o fazer, é que a sua existência e segurança seja aceite e respeitada de uma forma inequívoca e generalizada – o que dificilmente acontecerá com os ataques quase diários do Hamas e com as repetidas promessas de aniquilamento (isto é, genocídio) feitas por um Irão quase a ter armas nucleares. Se há totalitarismo é entre os muçulmanos.


        • Entre as promessas de aniquilamento meramente propagandísticas do Irão que nunca teve não há de vir a ter coragem para atacar de forma directa Israel, e o terror espalhado por Israel no Médio Oriente, penso não haver grandes dúvidas sobre quem é o agressor. Genocídio é o que o Televive faz diariamente com a Palestina chacinando crianças e mulheres que não conhecem outra existência que não seja a do desespero e da morte. Armas nucleares têm Israel e existem denúncias feitas na ONU sobre a utilização de bombas de fragmentação.

          Curiosamente, o Irão foi em tempos governado por um democrata eleito por sufrágio que, por não servir os interesses ocidentais, viu o poder ser-lhe subtraído por meio de um golpe de estado.

Trackbacks


  1. […] Depois da visita do jihadista de Telavive ao Congresso norte-americano para reunião com os seus pares da direita radical republicana, vim a saber que, tal como noutras latitudes onde os regimes repressivos e autoritários pontificam, também o indivíduo Netanyahu dispõe de imprensa supostamente livre ao seu serviço. […]

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