O rebanho

pastor

Num grupo de professores do Facebook uma colega expõe a sua dúvida: acompanhou uma visita de estudo, obviamente não deu aulas que a ubiquidade não é para todos nem a sua profissão tem equivalente na de gafanhoto saltitando de conselho de administração em conselho de administração, foi-lhe marcada falta porque a incompetência burocrática no micro-mundo das escolas existe, e exigem-lhe que a justifique, com um artigo que assim reza no maravilhoso mundo da justificação de faltas:

As motivadas por impossibilidade de prestar trabalho devido a facto que não seja imputável ao trabalhador, nomeadamente doença, acidente ou cumprimento de obrigações legais

É um artigo giro, lembro-me que apareceu no universo docente reinava Roberto Carneiro e na altura foi dado como exemplo ficar fechado num elevador, o que deu às empresas reparadoras dos mesmos um bizarro poder no mundo do absentismo.

Já tinha ouvido falar desta imbecilidade, nasceu em pleno lurdismo, altura em que se soltaram as feras da humilhação e prepotência, objectivo máximo da condenada e do detido 44, na altura brincando ao thatcherismo mais rudimentar. Mais colegas se queixam do mesmo, nos pequenos feudos onde reinam directorzinhos mentecaptos é assim que se faz, a lei do papelucho em todo o se glorioso esplendor.

Respondo-lhe:

E se não preencherem o papel? têm falta injustificada? e se tiverem? podem recorrer.

E recorrendo, quando tal chegar acima de um analfabeto, que é de imediato a instância hierárquica superior, o analfabeto do director passa no mínimo por um enxovalho. Mas é claro: dá menos trabalho ser enxovalhado pelo analfabeto, preencher o papelito, e seguir chocalhando rebanho fora. É disso que se alimenta o analfabeto que chegou a director de uma escola.

Quando abdicamos, por ignorância e/ou espírito submisso, de sermos pessoas, é em ovelhinhas que nos tornamos. E apontamos o dedo ao outro: ovelha negra, ovelha negra, com o dedo preto das caganitas em que habitamos.

Comments

  1. ferpin says:

    O que o tal professor devia fazer é escrever um requerimento ao diretor apresentado nos serviços administrativos (admitindo que são estes ou um elemento menor da direção que o mandam preencher o papel), explicitando o que lhe está a ser exigido e requerendo que lhe seja clarificada a lei, se no caso de falta para visita de estudo deverá apresentar artigo a justificar a falta ou não.

    Assim a ordem que receber é escrita, e habitualmente os analfabetos (incompetentes) citados têm algum pudor em atravessar-se por escrito.

    Quanto ao papel, até o pode apresentar, pois se o professor apresenta um papel que lhe é verbalmente exigido e que acha ilegal, fica legitimada imediatamente a necessidade do requerimento que o acompanha.

    No entanto, se a informação for pedida à tutela, já há exemplos de gente de nomeação política a atravessar-se ordenando ilegalidades. Um bom exemplo é o indeferimento aos professores dos tempos de redução do 79 por escrito com argumentos que contrariam a aplicação da lei que eles próprios enviaram para o provedor. Mas aí são nomeados políticos e não são demitidos.

  2. MJoão says:

    Há uns anos, nos tempos da lurdinhas, a um director passou-lhe por a cabeça que talvez eu tivesse de repor as aulas não dadas durante a visita de estudo. Respondi-lhe que se decidisse, pois assim não iria.

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