Jotas por bilhetes e outros despesismos

JSD Paranhos

Fonte: Tesourinhos das Autárquicas 2013

A poucos meses das últimas Autárquicas, a JSD Paranhos promoveu um evento marcado por um interessante “estímulo”: por cada 5 militantes que os já militantes trouxessem para o núcleo, a JSD Paranhos oferecia um bilhete diário para a Queima do Porto. E, justiça seja feita, todos os jotas que conseguiram atingir o objectivo mereceram aquele bilhete. Aliás, trata-se de uma enorme demonstração de lealdade para com a estrutura: convencer cinco amigos a entrar para a JSD a troco de um simples bilhete que valeria uns 10€ não justifica o esforço e roça a exploração.

Foi também em Paranhos que o homem do momento, Pedro Cosme Vieira (PCV), dissertou sobre o “modelo de financiamento do sistema de ensino”, precisamente dois meses antes do evento laranjinha. A apresentação usada por PCV é medonha demais para caber aqui, e caracteriza-se por uma inovadora mistura da habitual patetice da extrema-direita retrógrada com múltiplas agressões gramaticais a mais do que um idioma. Notável para um professor universitário, ainda por cima pago pelos nossos impostos. Ora aqui está um bom exemplo de despesismo no sector da Educação que passou ao lado da purga de PCV.

Entre as várias pérolas que encontrei na apresentação que descobri por intermédio do João José Cardoso, da necessidade de voltar ao “antes-do-25-de-Abril” ao elogio dos valores da dívida no tempo da “outra senhora” em que o investimento público estava próximo do nada e durante o qual a exploração das colónias garantia um saldo orçamental mais folgado, o cósmico Cosme destaca que actualmente “As pessoas não têm necessidade de poupar“. E ainda que algumas pessoas não tenham sequer o que poupar, outras há que estouram anualmente milhões em lixo variado. A bem do equilíbrio das contas do país, talvez não fosse má ideia cortar vigorosamente na despesa pública inútil que representa, por exemplo, o financiamento milionário aos partidos políticos, que gastam dinheiro dos contribuintes em apresentações de indivíduos do calibre de PCV e em bilhetes para a Queima para angariar abanadores de bandeiras.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Pondo de lado esse Cosme que mais não é que um neo-nazi, não há dúvida que a Cambada sabe que o dinheiro compra tudo.
    Mas o mais doentio de tudo isto cama-se “futebolização” do Sistema ou seja o Sistema onde a política e os partidos vêm sendo tratados sob a forma de estatutos e espaço de um qualquer clube de futebol onde até as claques estão presentes.
    Mas há mais.
    Os dirigentes destes “clubes” a que puseram o nome de “partidos”, actuam como um conhecido agente desportivo da nossa praça, que em vez de oferecer fruta e chocolate, oferece empregos numa promiscuidade social verdadeiramente baixa e doentia.
    Não há diferença alguma.
    Por isso, os comícios estão cheios de bandeiras a esvoaçar, de “supporters” que mais não são que carregadores de bandeira, perfeitamente acéfalos e com gritos e canções de ordem.
    Por isso chegamos ao ponto a que chegamos.
    E tal como na bola, o que interessa é ganhar, nem que se tenham que comprar agentes…

    • Rui Silva says:

      Caro Ernesto Martins Vaz Ribeiro ,

      Acho que você não tem razão.
      Que comparação despropositada.
      Comparar o futebol com os nossos partidos políticos, não faz qualquer sentido.
      Os partidos vivem na proteção do estado , que por sua vez é manipulado pelos partidos e talvez por isso é incapaz de executar as suas funções.
      O futebol é uma industria altamente competitiva, lucrativa, criadora de emprego etc, etc, e muito apreciada pelas pessoas.

      cumps

      Rui Silva

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        A sua análise é clara. Só que vai noutra direcção.
        Mas olhe que tenho razão.
        Coloquei o futebol e a política a par em dois aspectos: o da corrupção e do compadrio.
        Em todo o caso, não tenho bem claro que o nosso futebol seja assim tão rentável… Basta ver os empréstimos obrigacionistas e a venda desmedida de jogadores, à pressa, porque o BES caiu… Penso que é algo em que de facto, se vive acima das possibilidades, uma frase tão querida da cambada e do chefe silva.
        Também não sei, com toda a honestidade, o grau de envolvimento do estado com a bola … Ligações perigosas.
        Mas é verdade que é apreciada e que cria emprego e no geral, estou de acordo consigo. Mas por favor veja a minha escrita no campo da semelhança entre “modos de fazer as coisas”.
        Cumprimentos.

        • Rui Silva says:

          Eu também não estou seguro em relação á rentabilidade real dos clubes de futebol. Concordo consigo com a tal observação de ” como fazer as coisas”. No entanto e admitindo o pior, nestes particulares, isso deve-se ao mau funcionamento do estado 8 neste caso sobretudo a justiça).

      • Nightwish says:

        “Os partidos vivem na proteção do estado”
        E o Benfica, ou os outros dois em muito menor dimensão, não?


    • Subscrevo Ernesto. A “futebolização” é um termo que assenta aqui como uma luva!


  2. Nem um electro doméstico para picar cebolas?
    Só um bilhetezito ranhoso ?

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