Exames daqui a uns dias – sim ou não?

Na terceira semana de maio vamos ter, mais uma vez, os exames nacionais dos 4º e 6º anos (poderá consultar todo o calendário em formato pdf).

Tal como tem acontecido nos últimos anos, esta atividade avaliativa, implica a paragem de todo o trabalho das escolas e, nesse sentido, uma vez que os professores estão envolvidos nas vigilâncias, boa parte dos alunos dos anos sem exames, tem uma semana de férias. Ao preparar o último trimestre de aulas, dei por mim a pensar nas vantagens e nas desvantagens dos exames. [Read more…]

Produtividade fiscal

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A D. Maria decidiu premiar os funcionários das Finanças pela sua produtividade na cobrança de impostos. Fugir fraudulentamente ao fisco é um crime que tenho por grave (já o que o governo manda cobrar ao fisco é outro assunto), é fugir à responsabilidade de cada um para com todos nós.

O problema é que quando se premeia este tipo de produtividade não sabemos se estamos a falar do trabalho que deve ser feito, ou do que foi inventado.

Lembrei-me desta família que viu a vida virada do avesso. Quantas perseguições deste género são agora recompensadas? Quem nos protege dos nossos protectores?

Por uma questão de coerência

Como se diz cidadões em inglês? vá lá, ajudem o Cavaco.

Acabem com a infâmia

Já que aqui estou, o Rui Rocha chamou-me a atenção para este artigo em que um membro da Igreja Católica – Padre Gonçalo de Almada – acha que deve aproveitar a violação de uma criança de 12 anos para dizer que o Hospital estava errado, que o aborto é a privação de uma vida e as merdas do costume, um artigo que me dá, sinceramente, voltas ao estômago, um artigo que faz o possível para evitar usar a palavra “criança” para descrever a vítima (A real vítima) mas que aplica a mesma palavra para descrever o feto de cinco meses. Um artigo que usa toda uma série de argumentos para diminuir o drama e o horror ao qual esta criança foi sujeita com o simples objectivo de fomentar a agenda da Igreja em relação ao aborto, de continuar a fomentar estas ideias absurdas. Nem há a decência de se mantarem calados em relação a este caso. Só há – só pode haver – uma palavra para descrever este oportunismo sem vergonha: Nojo. Este artigo é nojento.

É nestes momentos que eu penso (e peço desculpa pelo anacronismo de estabelecer paralelos directos): Voltaire tinha razão. Écrasez l’infâme. Todos eles.

António Costa e o jornalismo contemporâneo

Se tenho a gabar uma atitude de António Costa, por sinal filho de uma notável jornalista portuguesa, destaco um virar de página na tradicional subserviência dos dirigentes políticos perante a comunicação social. Compreende-se, qualquer um por despeito pode meter uma vírgula onde não houve uma pausa e desmentir nunca resolve o assunto, mas está mal.

Primeiro foi a recusa em responder ao que agora é moda: fazer esperas e meter o microfone e perguntas à frente, mesmo que o assunto não tenha relevo de maior, num exemplo de violência jornalística que me recorda certos brasileiros, quando apanham um algemado pela frente. Todos temos o legítimo direito a não sermos chateados.

E agora soube reagir a um texto, de opinião, é certo, que uma voz dos donos no Expresso dirigiu ao PS e a si próprio. Fez muito bem, não faltava mais nada que um dirigente político não pudesse criticar a opinião alheia. Os jornalistas não são inimputáveis: podem e devem ser criticados, tanto no exercício da sua profissão como no seu, legítimo, direito a opinar. [Read more…]

Angela Merkel baralha e torna a dar

Stupid Merkel

Depois do Presidente da República alemão se mostrar favorável à discussão de uma possível indemnização à Grécia, decorrente de reparações pendentes por empréstimos forçados e danos provocados pelo regime nazi, Angela Merkel surpreende ao afirmar:

Não se deve traçar um risco por cima da História. Nós podemos ver isso no debate que existe na Grécia e noutros países europeus. Nós, os alemães, temos a responsabilidade acrescida de estar alerta, sensíveis e conscientes do que fizemos durante a era nazi e dos danos causados a outros países. Tenho uma tremenda simpatia por isso

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Não é lixo, é a porcaria imediatamente antes

O regime lá arranjou uma agência que tirou o rating do balde e nos informou que sem bloco central não existe estabilidade. No mundo real, o rating – da dívida e do governo – mantêm-se no lixo.

Pablo Iglesias e a retórica de Maximilien Robespierre

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Iglesias tem um vídeo e um artigo em que explica muito bem que a fundação da modernidade se encontra na Revolução Francesa. É verdade. É também verdade que a Guilhotina e a morte do rei tornaram-se um símbolo da Revolução e, quase mais importante, um símbolo da República. É obvio o que Iglesias está a dizer: Uma Revolução, especialmente uma Revolução como a francesa, que pretendeu – especialmente a partir de determinada altura – mudar por completo a sociedade em que se vivia, que pretendeu, na realidade, uma regeneração não só politica e social mas sim de valores e mentalidades, não se faz sem violência. Robespierre, tal como Iglesias aponta no vídeo, disse de facto que “castigar os opressores é clemência, perdoá-los é uma barbaridade.”

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A democracia é um anacronismo?

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O sr. Aníbal Silva falou, sem medo de pontapear a gramática, e ficámos a saber duas coisas: primeiro que as eleições, com ele, é quanto mais tarde melhor. Só encontro uma explicação: não o convenceram que casos como as suas transacções imobiliárias e as suas acções num banco de vígaros já prescreveram, e com este governo sente as costas quentes. Ele lá sabe.

A segunda tem outra dimensão. A lei eleitoral, tão mal discutida nos últimos tempos, tem um detalhe que incomoda os donos da comunicação social e os três partidos que dela beneficiam: a igualdade de tratamento a todos os partidos. Até podemos discutir se a lei dos partidos é sensata, permitindo que um qualquer grupo numa rede social se legalize partidariamente, o que não admite discussão, em democracia, é o tratamento igual a que toda, mas mesmo toda, a comunicação social não partidária deveria estar obrigada. Isto em democracia, para Cavaco Silva um anacronismo, tal como a Reforma Agrária que se gaba de ter eliminado. E não sei porquê recordei-me dos veículos todo-o-terreno subsidiados que encheram as cidades onde havia quem ainda tivesse herdado umas leiras no campo, do abandono geral das terras arrancando tudo e mais alguma coisa que não estivesse de acordo com a lógica couve de Bruxelas, e de um Alentejo desertificado de portugueses e invadido por empresários estrangeiros. Foi o progresso, cidadões.

Imagem via Cavaca para Presidenta, com a legenda: Parece aqueles desenhos animais do coiote e do passarinho!