Como defender uma tese e provar o seu contrário

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Pissarides, um académico laureado, veio a Portugal e defendeu que, como vivemos mais tempo e mais saudáveis, devemos trabalhar até aos 70 anos. Pissarides nasceu em 1948.

Alcançar um tal estado de senilidade aos 67 anos é obra, e demonstra porque se deve antecipar a idade da reforma, que de resto juntamente com a redução do horário de trabalho é receita universal para criar emprego.

Estou a insultar o homem? apontam-me o dedo os leitores de direita? Bem, ele também veio a Portugal recomendar-nos outras medidas:

olhando para a situação do ponto de vista estritamente económico, é claro que se devia estar a fazer mais investimento em infraestruturas e a criar mais empregos e, dessa forma, sair da recessão.

E agora todos em coro: o Pissarides está chanfrado, temos de o internar num lar de idosos, num hospício e depressa.

Confere.

A reafectação dos factores

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Stephen Antonakos (1926–2013): Incomplete Circle (five-unit drawing with blue and red incomplete circles), 1975. Copyright:© 2015 Stephen Antonakos (http://bit.ly/1HIjMoX)

Como sabemos, foi recentemente apresentada a versão para debate público do Projeto (sic) de Programa Eleitoral do Partido Socialista. Entretanto, durante uma conferência de imprensa, António Costa afirmou que as medidas apresentadas num relatório coordenado por Mário Centeno “inspiram e vão motivar a elaboração do programa do Governo”.

É preocupante que determinadas opções apresentadas no relatório possam inspirar a elaboração do programa do Governo do Partido Socialista.

Na página 9 do relatório, podemos ler “adequada reafectação dos fatores produtivos”. Um forte aplauso para a adopção de ‘reafectação‘ quer nesta página 9, quer na página 65 — “reafectação territorial e funcional de funcionários públicos” e “reafectação de funcionários excedentários” — e uma vaia monumental às ‘afetação‘ das páginas 14, 25, 64, 73 e 74 .

Sejamos claros: a grafia ‘fatores‘, além de não pertencer ao repertório ortográfico português europeu, não é companhia que se recomende a uma reafectação. Em português europeu, como sabemos, “reafetação dos fatores” *[ʀjɐfɨtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ fɐˈtoɾɨʃ] não existe: a formulação grafemicamente satisfatória é “reafectação dos factores” [ʀjɐfɛtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ faˈtoɾɨʃ]. [Read more…]

Libertárias de Vincente Aranda (1926-2015)

Libertárias (1996, ver ficha IMDB) retrata a passagem da Guerra Civil por um grupo de mulheres catalãs, dramático mas com humor, forte mas suave, de uma imensa ternura pelas mulheres que acreditaram noutra vida, na esperança.

Com Ana Belén, Victoria Abril e Ariadna Gil. Sem legendas, original em castelhano.

Otários de esquerda

pata na poça

Entenderam os líderes dos partidos de esquerda que o Observador é um jornal online de direita mas um jornal como os outros e concederam-lhe entrevistas.

O Observador é um projecto político, e não sei se projecto será a palavra mais correcta, pago por multimilionários para substituir o que não têm coragem para fazer, fundar um partido e concorrer às eleições. Os manuais do neo-liberalismo explicam porquê.

Tem de caminho a função de fazer umas transferências bancárias para alguns opinadores da extrema-direita, gente que mete sempre o bolso à frente das causas, e contratou alguns jornalistas para disfarçar a sua verdadeira função.

Passa pela cabeça de alguém que Jerónimo de Sousa dê uma entrevista ao Povo Livre ou que Catarina Martins preste declarações ao Portugal Socialista? Pela de ambos pelos vistos passou. O resultado está à vista, não só no branqueamento que emprestaram ao pasquim, como numa fantástica peça intitulada “O que distingue as nossas esquerdas?“, onde à cabeça Catarina aparece como não querendo o poder e depois se vão “extraindo pistas” e manipulando as afirmações que proferiram, deixando um retrato da esquerda portuguesa pintado pela direita. Uma festa, e de borla.

Que os dirigentes partidários não leiam blogues, e não tenham percebido o que é o Observador, já sabia, agora que ninguém os tenha avisado, isso estranho. Fica a originalidade: como as esquerdas portuguesas meteram a pata na poça. Agora sacudam a lama.

Taylor Swift agradece à Sociedade Portuguesa de Autores pela lei da cópia privada

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O objectivo é remunerar os artistas pelas suas vendas, não é? Mesmo que à conta do negócio de terceiros. Agora quero ver como é que a SPA e a AGECOP vão recompensar quem vende em Portugal.

Estamos a falar da VIOLETTA (venda de 60.000 unidades dos vários discos da série) e de Roberto Carlos (em Maio de 2015 recebeu um galardão referente às vendas de 1,5 milhões de discos em Portugal). [fonte]

E de Taylor Swift, bem mais simpática, que já mandou beijinhos aos fofinhos da SPA. Entretanto, a resistência começa (aquiali, e por aí).