Jangada de papel

As televisões portuguesas acabam de soprar a Espanha para um continente distante. Portugal continua no mesmo sítio.

Quem quer ser milionário?

500euros

PJ apreende duas malas com um milhão de euros no Aeroporto de Lisboa
O dinheiro em causa estava na posse de uma mulher e de um homem que se preparavam para embarcar num avião com destino a Xangai, na China. Os suspeitos de branqueamento têm 22 e 47 anos e, segundo a mesma nota da Polícia Judiciária, tinham “vistos de permanência em Portugal”. Ambos os detidos foram constituídos arguidos, “prosseguindo a investigação para completo apuramento dos factos”.

Dinheiro português a voar para a China, com visto (gold?) permanente. Entretanto, por outras paragens, o assunto já é notícia para a Europol desde 2009.

Euros become currency of drug cartels
Smugglers and launderers use €500 notes instead of $100 bills to save space

Aqui está a prova de que o país está melhor. Há uns valentes anos dizia-se que Portugal tinha um atraso, comparativamente com a Europa, de 20 anos. Agora foram apenas 6. Quem ver que Passos Coelho tem razão, o país está melhor as pessoas é que não notam?

Maré republicana no estado espanhol

barcelona

A menos que o PSOE decida suicidar-se ainda mais (e não parece que o vá fazer) à direita e extrema-direita do PP resta governar uma grande cidade peninsular, Málaga.

Tendo conseguido segurar a sangria para a nova direita de cara lavada, Ciudadanos, pode criar a ilusão a cegos que não queiram ver de ter tido enquanto partido mais votos que os restantes concorrentes. Mas ao contrário do nosso sistema autárquico, os poderes locais e regionais no estado espanhol são parlamentaristas, e quem fica em primeiro só governa em minoria com o acordo da maioria, tudo indica que não será o caso.

Coisas que se aprendem:

– onde a esquerda soube recriar frentes populares republicanas e de esquerda, ultrapassou todas as expectativas: Barcelona tem uma alcadessa vinda da luta nas ruas, e Madrid poderá ter uma defensora dos direitos humanos a governá-la. O mesmo podemos dizer que sucedeu na Galiza, sendo de notar que nesses locais o PSOE (e o BNG) foram arrasados.

– essas frentes alargaram, e muito, os resultados do Podemos, vítima de uma campanha de calúnia e difamação que relembra injecções atrás da orelha, com toda a força mediática do poder das castas. Não basta um novo partido, é preciso alargá-lo em movimento.

– a Esquerda Unida apenas se salva nas Astúrias. O sectarismo das  vanguardas um dia termina por pagar a conta, e em versão estalinista (PCPE) nem aparece no mapa.

E agora tudo se joga na Grécia: é mais que sabido que a chantagem sobre o governo grego visa impedir uma viragem à esquerda em Novembro (e ibericamente falando também em Outubro). Ai as cartas estão na mesa: em Junho, ou há acordo, ou a Grécia (onde o Syriza continua a ter mais apoio popular do que teve votantes) não paga aos credores. Haja confiança.

Cortamos o que escolhemos cortar

Os cofres estão cheios mas preparam-se novos cortes em pensões.

Noruegueses, esses comunas

O que faz com que a Noruega surja sempre no topo dos índices de desenvolvimento?

Vivemos em contacto com a natureza e beneficiamos da força do trabalho de homens e mulheres. Tomamos decisões políticas para dividir a riqueza gerada por toda a população. Assim, temos muito poucos ricos e muito poucos pobres, todos estão no meio. Penso também que encontrámos um bom equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Quando tudo isto se soma explicam-se os nossos resultados elevados nos índices. 

Ove Thorsheim, embaixador da Noruega em Lisboa, em entrevista ao jornal I.

Abundância pré-eleitoral

Ministro da Defesa anuncia 6.088 promoções nas Forças Armadas (DE)

First they took Barcelona, then they almost took Madrid

15M

Foto: P3/Público

Em Espanha, mesmo aqui ao lado, acontecem coisas. Visto com determinado tipo de óculos, poderá parecer uma loucura utópica, um oportunismo ou mesmo uma qualquer experiência conspirativa bolivariana. Na realidade são pessoas normais. Os primeiros a abrir brechas no antigo regime. Em Barcelona, o bloco central espanhol ficou-se por um modesto terço. Em Madrid, foi fraco e à tangente. E agora Espanha?