Pode chamar-se deficiente mental a um idiota?

o idiota

Um idiota entende que dar empresas que dão lucro ao invés de nelas investir é um bom negócio para o estado. Dar a um profissional das rendas do estado e a um tipo que só se chateia quando os aviões caem porque isso lhe dá prejuízo, ambos unidos porque sabem que a TAP é uma das melhores empresas aéreas do mundo e nem que seja a vender o seu património irão obter chorudos lucros, deduzidas as despesas com os advogados e outros intermediários políticos.

De resto o idiota entende que o estado não deve ter empresas lucrativas, os seus rendimentos devem-se limitar aos impostos e os impostos devem ser reduzidos ao mínimo até que o estado se reduza ao mínimo que lhe interessa; garantir a segurança da propriedade privada, enquanto não consegue privatizar a própria polícia e já agora os tribunais. O idiota sonha com um regresso ao paleolítico na organização social e o prosseguimento do capitalismo no sistema económico, uma espécie de Stonehenge em forma de offshore.

Podemos chamar-lhe deficiente mental? não, porque os deficientes mentais são doentes, e ninguém é responsável pelas doenças que tem. Já o idiota tenta imitar o doente mental, incluindo as alucinações com unicórnios e as delírios ao deus mercado, por sua livre e espontânea vontade. É do seu livre arbítrio. Um idiota é apenas um idiota, ponto final.

Fotografia: Vidigueira, 2010.

Comments


  1. Os imaginativos têm a monomania que os governos passados só têm gerido mal a cousa publica porque os idiotas dos eleitores não votam no partido certo(o nosso claro); e nisso parecem-se nos sintomas muito com o idiota, porque acham que é por maldade que muita gente foge das empresas geridas pelo publico. A discussão sobre a TAP pode ajudar quem queira olhar para os argumentos – a TAP é viavel dito por gente que já teve o governo durante muitos anos e aparentemente só agora é que estavam as condições reunidas para ser bem gerida; enquanto eles lá estiveram não havia condições para sanear ou gerir bem. Claro dos profissionais sabemos que é por estrategia eleitoral; agora o comum dos mortais embarcar nessas narrativas sem pestanejar ou ter dúvidas só pode ser excesso de imaginação que se pode até confundir com idiotice.

  2. Sr Pinto says:

    Ilustríssimo Sr Professor, daqui o Sr Pinto. Como está? Da última vez que falamos sabia de história, e pouco. Mas vamos ao que interessa. Coloquemos isto em termos simples: imagine que o Estado tem um coqueiro. Dá cocos, caso fique confuso. Imagine que dá um coco por ano. Em anos bons dá mais do que um. Há outros que até faz apodrecer a produção dos anos anteriores, acumulando prejuízos atrás de prejuízos (a TAP teve muitos anos assim). O Estado decide vender o coqueiro por 10 cocos. O Sr Professor, com a densidade intelectual de um souflé, que justamente todos lhe reconhecemos, dirá assim: — Bandidos! Passados dez anos o Estado cede os lucros. Muito bem. O Sr Professor tem razão se tiver a certeza absoluta que o coqueiro irá produzir 1 coco por ano, todos os anos, e continuará a fazê-lo daqui a dez anos. Mas será que vai? O que o Estado faz ao privatizar o coqueiro, para lá de todas as outras vantagens, é trocar um retorno incerto por um equivalente certo. E depois pode sempre cobrar impostos sobre os lucros que certamente aumentarão — afinal, para que haveria alguém de querer comprar o coqueiro?

    Percebe? Claro que não. Por isso é que é marxista e milita no BE. Mas enfim, servirá porventura a um qualquer outro.


    • Há duas explicações para alguém comparar um coqueiro com uma companhia aérea de bandeira, onde o estado investiu ao longo de dezenas de anos, que tem aviões, e mais do que isso: pessoas que pilotam aviões, reparam aviões, percebem de aviões, e muito mais do que isso, um nome, uma marca, coisa que vale um bocadito mais do que um coqueiro chamado coqueiro, e mais ainda do que isso: está a dar lucro: a primeira é estar possuído por uma religião que vê coqueiros a voar quando ouve falar de estado, de sociedade, de bem comum.
      A segunda, e inclino-me mais para ela, é ter-lhe caído um coco no cocuruto vindo de um coqueiro muito alto.
      Estimo as melhoras.

      • Sr Pinto says:

        Estimado Sr Professor, confirma-se que não compreendeu a simples parábola que apresentei recorrendo a uma comparação popularucha — daquelas que se ouvem num comício do Bloco, e idêntica à do Jorge Jesus.

        Última tentativa, e aí desisto por completo de si: imagine que a TAP vendia tudo. Tudinho. Depois usava esse dinheiro para pagar o passivo, inclusivé — imagine-se! — indemnizações a trabalhadores. Faltariam 500 milhões para pagar todo o passivo. Compreende?


        • Realmente eu de passivos percebo pouco. E como nunca levei com um coco na cabeça tenho dificuldades em entender a linguagem do PP.
          Está-me então a dizer que houve três voluntários para a aquisição de 500 milhões de prejuízo final, e que dois até ficaram muito chateados porque não os deixaram ficar com uma empresa falida, adquirida por mera generosidade, porque tudo vendido, do saber fazer (ou será que se esqueceu dessa parte na contabilidade?) aos aviões lhes restará a caridade de perderem dinheiro com ela?
          E que um dos vencedores apenas a comprou para compensar o estado português das rendas da Fertagus e afins? Ou será que é vocação dos privados dedicarem-se à ruína de companhias aéreas, como já vimos no caso da Portugália?
          E o unicórnio cor-de-rosa, também aparece na sua fábula, ou agora são cocos voadores?

          • Sr Pinto says:

            O Sr Professor é efectivamente fraquinho, mas dou-lhe esta de barato — até porque você é o meu guilty pleasure. Os investidores terão de recapitalizar a TAP para voltar a ter capitais próprios positivos. São uns 500M€. E depois terão de investir e reestruturar muito para recuperar a TAP, usando capitais que o Estado não tem. Por fim, ajudará que já têm companhias aéreas e com isso possam ter economias de escala. E ainda assim pode correr mal. Se correr mal quem assume o prejuízo são eles e não o bolso largo do contribuinte. Não sabe o que isto é? Claro que não. Mas que isso não o impeça de continuar a debitar alarvidades.


          • Forte é o Pinto. Um fortalhaço, em entregar empresas aos privados, eles lá se amanham para aquilo dar lucro. O estado que tenha prejuízos (e por falar nisso, onde é que está escrito que os beneméritos que ficaram com a TAP têm de arcar com todas as suas dívidas?).
            Quanto a essa de o estado não ter capitais, é um grave problema, mas eles aparecem sempre que se trata de salvar um banco, que depois será privatizado para que com ele lucre por exemplo o estado chinês ou angolano.
            É o internacionalismo dos pintos.

  3. Sr Pinto says:

    Sr Professor, quanto ao BPN efectivamente foi dinheiro do contribuinte, mas depois o país faliu, e isso acabou-se a maminha. Tanto que o NovoBanco foi constituído com o dinheiro do fundo da banca, pelo que, em bom rigor, foram os outros bancos a fazerem bail out ao BES.

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