Da Grécia para a Europa

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Ontem escrevi no facebook:

Os gregos (não confundir com Tsipras) decidiram. Decidiram o seu futuro. Se bom ou mau, ninguém sabe (nem eles…). E decidiram de forma clara e esmagadora. Uma nota: conseguiram ter um referendo sobre o seu presente e futuro na Europa. Poucos países se podem gabar do mesmo. A começar por nós.

Foram os Gregos que decidiram. Foi-lhes permitido decidir. Agora está na mão dos políticos desta Europa saber interpretar os sinais. Sem esquecer que temos outros países a caminho de referendar questões europeias (assim de repente temos a Dinamarca e a Inglaterra).

A União Europeia é uma das mais fabulosas construções da humanidade. A livre circulação de pessoas foi uma conquista extraordinária que ajudou a mudar a Europa. Sem pretender ser exaustivo, recordo o abolir das fronteiras, o termos uma moeda comum, programas como o Erasmus e tantas outras coisas com as quais nos habituamos. Claro que existiram falhas, erros e asneiras. Como em todas as obras colectivas. Só espero, sinceramente, que todos os políticos europeus saibam estar à altura das circunstâncias. Que a arrogância tenha apanhado um valente susto. Que se lembrem que somos todos diferentes mas somos todos europeus.

Estou nos antípodas do Syriza em termos ideológicos. Porém, ser democrata é saber reconhecer e respeitar as escolhas dos povos e os gregos, nas últimas eleições, assim escolheram. Da mesma forma que, neste referendo, escolheram o “Não”. Perante a sua escolha só existem dois caminhos: compreender e procurar enquadrar a sua escolha dentro dos superiores interesses de uma Europa unida ou, o que alguns andam a salivar, retaliar. Escolhendo a segunda vamos matar o projecto europeu, esse extraordinário legado dos nossos pais. Quem quer fazer o papel de coveiro?

Comments


  1. A UE é um projecto de colonização, domínio e consequente saque, engendrado pelo capitalismo, com palavras meigas, como todas as grandes vigarices, e malévolas intenções. É um projecto totalitário, nunca foi sequer referendado, ao serviço da banca alemã e alguma francesa, integrado em ambições do imperialismo.
    Este referendo veio por a nu, se outras virtudes não tivesse, a verdadeira face desta Europa.


  2. Excelente post. Provavelmente só nos próximos das, talvez até dia 20 é que os gregos vão perceber em que é que votaram.
    Há uma desconexão entre o que os gregos julgam que votaram e o que os outros europeus sentem que devem fazer; podemos chamar.lhe ilusão, infantilismo, política, colonização…mas sendo realista, se perguntarem a mesma coisa a gregos e a alemães o resultado vai ser o oposto. Agora depende de cada um excluir aqueles que cada um acha mais ou menos democratas para que haja um resultado que se possa aplicar em concreto no eurogrupo.
    A independencia e a dependencia nunca se deram bem; basta pensar o que sofremos enquanto adolescentes.

  3. Nightwish says:

    E já a seguir, o TiSA.

  4. joão lopes says:

    o que os gregos responderam de forma clara ,honesta e olhos nos olhos,foi que não querem que seja a chanceler alemã a mandar na europa.angela merkel tem um mandato para governar a alemanha, não a europa.alias,uma parte significativa dos europeus pensam o mesmo.simplesmente,os respectivos governos NÃO fazem um referendo por cobardia e porque não passam de paus mandados da angela merkel.a prova está,em que em portugal a divida aumentou,preparando-se para se tornar…impagavel.


  5. É preciso recordar a muita gente os principios que orientaram a criação da União Europeia e que nos deram estes 70 anos de paz ; os dirigentes alemães depois de perderem as duas guerras mundiais ,e terem sido ajudados pelo colectivo ocidentel na sua reconstrução,estão a dar a impressão que se querem vingar pelas derrotas do Hitler …jogando na batota financeira para ganharem a terceira guerra mundial !!!

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