Efectivamente: equação − ‘e’ = quação

Em Julho de 2013 e em Fevereiro de 2014, debrucei-me sobre a possibilidade de “ocorrências de *excessão em vez de exceção (sic)” e semelhantes aumentarem, devido à supressão da letra consonântica ‘p’ em ‘excepção’ e similares.

Anos antes, em estudo sobre a “função diacrítica da letra c, enquanto elemento do grafema complexo (dígrafo) ‹ac›” e acerca, por exemplo, de ‘coacção’ e ‘coação’, sublinhara indirectamente “a criação de homografias” e mencionara quer o “carácter polissémico”, quer a “ambiguidade fonética”. Sim, há cinco anos. Exactamente, “há muito, muito tempo“, “ambiguidade” e “fonética”: porque sobre a superfície agora nos concentramos.

Ao ligar o computador, antes da minha rotina de sábado de manhã, no melhor mercado de Bruxelas, reparei na *quação do Jornal 2 de ontem — os meus agradecimentos a José António Pimenta de França e a Catarina Portas.

Efectivamente, se ‘equação’ [ikwɐˈsɐ̃ũ̯] e ‘coação’ [kwɐˈsɐ̃ũ̯] — como coalescência e qualidade ou até, em determinados contextos, Cuadrado em vez de quadrado —, logo, a selecção da hipótese *quação para [kwɐˈsɐ̃ũ̯] é possível. Desde ontem, aliás, passou de possível a existente — mais concretamente, durante mais de um minuto na RTP2 .

Foi você que pediu um Porto Ferreira? Não? Foi você que pediu um estalo na cara? Também não? Foi você que aceitou um Acordo Ortográfico de 1990? Sim? Logo, foi você que tacitamente adoptou o “critério fonético (ou da pronúncia)”. Então, parabéns. Salvo prova em contrário (se houver, venha ela), esta *quação também é sua.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

quaçao1

Comments

  1. normann says:

    Gracias por el enlace (link to Carnets de Normann) 🙂

  2. Manuel Pereira says:

    A vergonha de todos aqueles que o conceberam e dos que, acriticamente, o aceitaram fazendo orelhas moucas aos avisos dos mais experimentados. Sou professor há 30 anos, regressei à escola em Portugal sem Setembro passado e, pela primeira vez, hoje, uma turma inteira leu a palavra *conceção como se lê concessão. Obrigado aos malaquistas militantes.

Trackbacks


  1. […] Já por aqui nos debruçámos sobre equação − ‘e’: daqui a pouco, a imagem servirá de lembrete. Considerando que outra subtracção, esta criada pelo AO90 (coacção − ‘c’), gera potencial homonímia (e não mera homografia) com o acto de coar (coação), não recomendo que os aventureiros ortográficos andem por aí a misturar no mesmo texto «crime de coação na forma tentada» e «tira a minha mulher da equação». Aquilo que recomendo é cautela. Por muito menos, isto é, sem equações ao barulho, já houve problemas. […]


  2. […] efectivamente por outro. Contudo, alguém explicará tudo, certamente. Poderão também explicar se a quação […]

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